De que jeito

Tá no final desse ano com jeito de que que não vai acabar e eu só queria isso: que se definissem menos regras para os outros.

Menos regras. Menos “assim está certo, do outro jeito está errado”. O jeito é o jeito de cada um. O gosto é o gosto de cada um. Com quem, como, onde? Quem sabe é você. Quem sabe é quem está com você. Na primeira, na segunda, quando? Quando quiser, quando der vontade, quando for, quando acontecer. Assim, assado, cozido? Temperado?Oceânico, matatlântico, desértico, escaldante? Embriagado, alucinada, descolado, incorporada, acoplado, fantasiada? Quem sabe é você, quem sabe é quem está com você.  Salgado, doce, azedo, amargo. Agridoce. Picante. Um com outro. Com outra, com outros.

Antes, depois, durante e até. Por cima, por baixo, pelo lado, pelo meio. Pesado, leve, suave, intenso, macio, áspero. Molhado, úmido, seco, ensaboado. Deslizando, empurrando, pegando, inserindo, encostando, roçando, esfregando, alisando, lambendo, chupando. Mordendo, beliscando. Apertando. Recebendo, abrindo, ampliando, ajeitando, acolhendo.

Parando…

De novo, mais forte, mais rápido, agora não, espera, agora vai. Se quiser. Onde quiser. Quando quiser. Aí também, mais por aqui, do outro lado, agora vira, faz assim, é isso? Não diz nada, deixa que eu chego, fecha-o-olho-e-abre-a-boca. Ou fecha a boca, abre os olhos, sei lá. Sei lá. Apenas. Talvez. Quem sabe. Quem sabe é você.

Dar no Primeiro Encontro

Vira e mexe e pula na nossa cara uma questão tão, mas tão tosca que, aparentemente, nem deveria ser discutida: a mulher deve dar no primeiro encontro? A minha tendência é fazer tsc, tsc, dar de ombros e prosseguir. Mas, né. Ela volta tantas vezes que me parece um sintoma. Vamos conversar, então.

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Pra mim, o problema desse problema é que ele é um falso problema. Só pra começar, como disse Lacan, “a mulher não existe”. Opa. Estou falando do quê? Estou falando que a pergunta começa equivocada. Quando dizemos “a mulher deve dar no primeiro encontro” estamos tratando um grupo heterogêneo como se assim não fosse. Que mulher é essa? Mulher é uma mulher negra hiperssexualizada no imaginário, mulher é uma mulher trans contestada em sua identidade, mulher é uma mulher gorda que socialmente é lida como insatisfeita e incapaz de atrair alguém, mulher é uma mulher adolescente curiosa, mulher é uma mulher velha que não faz sexo já há uns anos porque a sociedade grita que seu corpo é feio. A qual dessas mulheres a questão se coloca? Você pensou em qual delas quando leu a pergunta? Provavelmente em nenhuma, não é? Essa pergunta é dirigida e traz, subentendida, a mulher branca, cis, jovem, heterossexual, magra. Para as outras a resposta é compulsória.

A pergunta prossegue e o erro se acentua: “a mulher deve dar no primeiro encontro?”. Ora, eu penso que não é apropriado usar o verbo dever em relação a práticas sexuais. Uma mulher, qualquer mulher – as que estão ou não nas entrelinhas da pergunta – nenhuma mulher, repito, deveria fazer nada sexual que não seja do seu desejo. A pergunta tem essa pegadinha, né? Parece estar oferecendo opções: dar ou não em situação X, mas está apenas reconfigurando as amarras. Passamos do mulher direita não deve dar antes do casamento para a mulher liberada (ou moderna ou whatever) deve dar no primeiro encontro. Sorry, mas trocar uma obrigação por outra não parece um cenário atraente.

E a pergunta finaliza com outro elemento dúbio: “a mulher deve dar no primeiro encontro?”. É uma incógnita a que se refere esse termo: primeiro encontro. Do que se trata? De sair pra o aniversário de uma amiga, ser apresentada ao primo dela e de lá, depois de muita conversa e uns bons drinks ir pro motel com ele? De ir pra uma balada, esbarrar numa mina gostosa, dar uns amassos no dark room e lá mesmo aproveitar e transar? De conhecer alguém naquela pós que está cursando, sair muitas vezes em grupo e um dia receber um convite pra jantar em dupla? Tem gente que a gente passa por ela um monte de vezes e aí um dia, pá, o estalo. Foi o primeiro ou o vigésimo encontro? Tem gente que a gente tem na rede social, mas nunca viu até que um dia, uma viagem, um café, é o primeiro encontro? As conversas todas antes foram o quê? Contam como?

Então, tá, Luciana, entendi, não tem regra pra toda mulher, não é uma obrigação e esse negócio de primeiro é meio confuso porque o tempo é uma variável que se qualifica em relação com várias outras, mas e você, quando é que dá? Ué, eu dou quando o outro quer e eu quero. E posso querer mal nos apresentamos no bar sem nunca termos nos visto antes como posso querer depois de longa convivência e muitos momentos em comum. Não tem hora certa, não tem a priori, não tem regra – pra mim. Porque cada pessoa com quem estou é única e cada relacionamento (porque é um relacionamento, dure seis horas ou dez anos) é o que a gente faz dele.

O que eu faço é me abrir. Me permitir. Olhar e ouvir. Receber. Deixar o tempo para além do relógio, o tempo do encontro, operar as aproximações. O que eu faço é acolher meu desejo, deixar a mão na outra mão, a perna encostar na outra perna, o olho mergulhar no outro olho. O que eu faço é deixar a voz deslizar pela orelha como um afago e arrepiar a nuca. O que eu faço é saber se a pele esquenta e se o olho brilha. O que eu faço é inventar o meu próprio pecado e morrer do meu próprio veneno.

Corpor Magro e Saúde. Saúde?

Por Mariana Vedder, Biscate Convidada

Essa semana, no programa Bem Estar, que passa de manhã na Globo, um especialista convidado falava sobre dieta e as festas de fim de ano. Segundo ele, “estudos apontam que a maior causa de ganho de peso ao longo da vida são as festas de fim de ano”, porque a pessoa engorda 3kg em dezembro, depois ao longo do ano ela emagrece só 2kg e, depois de 5 anos ela já engordou 5kg só com esse quilinho a mais que ela ganhou em dezembro. Zero novidade, né? É TV deixando a galera “neurótica” com peso até nas festas de fim de ano. Só que a gente sempre encara essas “dicas” como conselhos pra melhorar a saúde, a forma física etc. Mas aí logo depois de falar dos PERIGOS de engordar, no intervalo do programa, rola uma propaganda de shake de emagrecimento da Herbalife, além de vários outros produtos light e diet que “auxiliam” nas dietas.

Eu não consigo enxergar isso como coincidência. Há quem diga que essa campanha da mídia “pró emagrecimento” é pela saúde do brasileiro. Mas pra mim isso é sobre o lucro mesmo. É o mesmo capitalismo que incentiva durante horas e horas do dia que a gente coma bastante hambúrguer, sorvete, bolacha e tudo mais, dando um jeitinho de lucrar com os supostos resultados disso. Falo supostos porque há inúmeros estudos que mostram que nem sempre a alimentação determina o formato dos corpos dos indivíduos, e em alguns casos também não determina a saúde. Só sendo muito inocente pra achar que a quase exigência da mídia pelo emagrecimento não tem foco no lucro. A indústria do emagrecimento é uma das que mais cresceram recentemente, como alguns números nessa matéria aqui indicam.

Esse lucro vem de uma estratégia eficaz: baseada no discurso da saúde, não no da estética, a indústria te convence de que você precisa emagrecer uns quilinhos ou quilões, mesmo que você esteja com a saúde perfeita. Os argumentos relacionados à estética são hipocritamente menos valorizados, mas também são utilizados – “veja como fulana ficou mais bonita após perder 12kg”. Digo hipocritamente porque as propagandas exibem corpos magérrimos e que não existem (porque são moldados via photoshop) como ideais de “saúde”. Mas não se pode identificar a saúde dos corpos olhando pelo seu formato. Quando discuto sobre isso no twitter, sempre alguém diz “minha mãe é pele e osso e tem um colesterol altíssimo, e também é cardíaca”. Pois é. Meu irmão sempre foi magro e é o único dos três filhos que tem problemas com colesterol. Eu sou gorda e minha saúde tem estado OK, mesmo com o hipotireodismo que descobri em 2008. Tem aqui uma entrevista razoável sobre o tema.

Então, se o objetivo é exibir o ideal de corpo saudável, por que nas capas constam corpos que não existem, esculpidos em photoshop? Por que não mostrar os corpos “reais” com saúde – em tese – perfeita? É preciso desmascarar esse discurso porque as crianças estão crescendo em um mundo que opera precisamente através dessa lógica nociva para o desenvolvimento psicológico de qualquer pessoa. E é óbvio que não preciso dizer que as que mais sofrem são as meninas. Será que vale à pena, portanto, arriscar a saúde mental das meninas pra alimentar um grande capital em desenvolvimento sem questionar os objetivos disso? Vale a pena expor as crianças a um ambiente que maltrata os corpos porque vivemos sob uma lógica equivocada que diz que magreza é sinônimo de saúde e sobrepeso é sinal de doenças – se não já existentes, futuras?

1465224_660458583974836_1508417344_n*Mariana Vedder é feminista, funkeira, mestranda em cultura e territorialidades, comuna, paulista que mora no Rio, e tem uns afetos: Emicida, Criolo e o São Paulo. Não necessariamente nessa ordem.

 

Sedução

Essa história de química é batata. Saliva, cheiro, pele, o jeito de olhar e até de tirar remela do olho tem alguns encaixes do outro lado que pouca cousa pode explicar. Não é ciência, não é amor, não é gratidão, nem afago, nem nada, absolutamente nada. Aquele jeito dela responder aquela última pergunta e pronto. Sobe um sangue pela alma do corpo e alea jacta est. Estamos perdidos e obcecados e apaixonados e entregues. A fome passa a ser e estar naquele desejo fluído, de gozo. De sexos eretos. A ponta do grelo quando pulsa, sabemos, revela quânticos elementos elétricos. Assim como o cacete que refastela pra cima procurando ar. Parece um girassol buscando o sol, de tanto que remexe.

Há uma linha tênue nesse bonde chamado desejo que reside na reciprocidade. Reconhece-la é a chave para a cama, o chão, o joelho ralado, a bunda na parede fria, o cotovelo rasgado, o pentelho que engasga na hora agá, para a alegria dos fluídos e da risada larga depois do flacidez. O problema dos amantes, entretanto, muitas e muitas vezes, é esse reconhecimento. Porque reciprocidade pressupõe a tão sonhada empatia, se colocar no lugar do outro. A empatia é o sentimento biscate por excelência.

Nesses jogos de sedução devíamos experimentar sempre e sempre a nudez dos corpos e a nudez de poses e posses. Quando se deixa a empatia – e, portanto, a reciprocidade – como uma preocupação diversa ou diletante, a sedução passa a ser somente um jogo de vencer. Vencer, infelizmente, pressupõe derrotar. Nesse xadrez todo, sabe-se lá, pensar que a metida, a trepada, a abocanhada é mera questão de xeque mate é, sinceramente, uma bosta.

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O fato é que ele sabia do quão ridículo eram aqueles conselhos de revista cosmopolita, guias lacrados de sexo e que tais, que tanto fazem rir quando são levados a sério. Mas não resistiu e numa última tentativa desesperada mandou um envelope para a moça, com a cueca dentro, no meio do expediente. E a chave de um quarto de motel barato, desses que as portas abrem com cartão. Não disse mais nada.

Ela vestiu a cueca. Tinho ido trabalhar com uma calcinha tão confortável, mas tão bege, tão puída, tão descolorida, que achou melhor manter o clima.

Sobre idade, mulheres e desejos

Li recentemente um blog de uma brasileira que vive na Austrália. A menina fez uma lista falando das diferenças culturais entre os dois países. Não costumo dar ibope pra esse tipo de comparação que geralmente recai na inferiorização da cultura brasileira frente ao outro. Como se nada aqui prestasse ou se eles, os outros, fizessem tudo certo e nós, bárbaros, as coisas erradas. Não dá. Porém, algo me chamou atenção na lista dessa moça. Ela disse que lá na Austrália, os homens mais velhos preferiam se relacionar com mulheres da idade deles. Que era até difícil ver um casal com uma diferença significativa (?) de idade.

Daí fiquei pensando em um monte de coisas. Até meio contraditórias. Confesso que achei bacana isso de pessoas mais velhas continuarem namorando, se apaixonando, se encantando. Mas também acho que a diferença de idade entre casais não pode ser tabu. Chato mesmo é ter regras rígidas pautando normas em relacionamentos afetivos. Né?

Mas, em nossa cultura, só um lembrete: homens, de qualquer idade, estão autorizados a ter vida sexual e afetiva. O mesmo não vale para as mulheres.

É sem sombra de dúvida, um hábito cruel e canalha desautorizar socialmente que uma mulher mais velha namore. Com alguém da idade dela, mais velho ou mais novo (aí o escândalo é total). Parece válido indagar: por que mulheres consideradas “maduras” ainda causam bastante estranhamento por exercerem seus desejos e suas sexualidades? Parece que a sua avó, a sua tia, a sua mãe ou aquela sua ex-professora devem estar condenadas a viver sempre no lugar da não-libido; como se fossem seres destituídos de desejos e que devem ser engolidas por essas identidades, quase sempre ligadas a maternidade com uma conotação conservadora e aprisionante.

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Vejo com dó o escarcéu que a mídia faz em torno da vida amorosa de Susana Vieira. Quase sempre na perspectiva de ridicularizá-la e de torná-la uma figura folclórica porque a mesma simplesmente comete a ousadia de namorar. E de namorar homens mais novos. Mas e daí? Susana poderia se relacionar com toda a torcida do Flamengo mais a do Corinthians que não seria da nossa conta.

Mas a mídia que alimenta as fofocas das celebridades, esperta como ela só, sabe que criar esses personagens como esse, da “senhorinha sem-vergonha”, ajuda e muito a vender revistas e a aumentar o número de acesso aos sites de espetacularização da vida privada. E sinceramente, a gente só perde com isso. Porque não devíamos reforçar essa cultura que tanto deprecia as mulheres mais velhas no exercício das suas liberdades de corpos e afetos. Ora, todxs nós chegaremos lá (assim espero, risos). E que vida linda, farta e generosa podemos ter sem esses rótulos babacas e moralistas! Realmente precisamos alimentar esse julgamento que acaba pesando muito mais pra nós, mulheres?

Não concordo e não darei o braço a torcer. Jamais esboçaria qualquer sinal de reprovação se minha mãe, aos 56, viúva, quiser namorar. Aplaudo e sempre aplaudirei pessoas que optam por serem felizes, sozinhas ou acompanhadas, por viverem seus desejos à revelia do olhar alheio, da patrulha alheia. Gosto dos que têm fome, como diz o verso de uma música de Adriana Calcanhotto. E vamos parar de apontar o dedo e deixar que as pessoas apenas fluam nas suas experiências, em qualquer fase da vida.

Um corpo novo, um sexo novo

Chegou de mansinho no bar e ficou de pé ao meu lado. Tinha uma cadeira ali perto, mandei sentar. Sentou. Gosto assim: obediente. Conversamos. Horas, eu acho. Te beijei. Ansiava aquela boca, boca nova, gosto novo, sexo diferente, inusitado, nada familiar. Estava repudiando tudo que eu já soubesse na memória.

Bebemos. Muito. Eu sei, moça de família não faz isso, mas nunca fui santa né? Rimos dos nossos sotaques. Ah, como é bom descobrir, ler o outro. Reparei no seu braço. Uns pelos espessos sobre uma pele tão branca. Uma barba ainda por fazer. Seus lábios grossos, me sugando, passando pelo meu pescoço suado, sua mão já entre as minhas pernas…

Dei um ultimato: vamos embora! Pra sua casa! Entrei me sentindo dona daquele lugar em que nunca pisei, que meus olhos viam pela primeira – e última – vez. Quando cheguei ao quarto, já estava com a calcinha dentro da bolsa. Já cheguei de pernas e vida aberta pra você. Escolhi você para estar nessa página das minhas histórias sexuais. Você me lembrava alguém que eu tanto quis esquecer. E era ao mesmo tempo tão parecido e tão diferente . Não sei se meu coração palpitava por ti ou por ele. Acho que por ambos.

Seu pau enorme. Nunca imaginei que portasse um assim. Não me entenda mal, mas é que com aquela carinha de menino meio tímido não dava pra saber o que eu ia encontrar entre suas pernas. Grata surpresa que chupei com vontade. Em retribuição, você me fez gozar na sua boca.

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Fiquei de quatro. Do jeito que gosto, mas que você ainda não sabia e nem poderia. Pedi: me bate. E você deu um tapa tão leve que comecei a rir. Você se desculpou: “não sei fazer isso”. Ah, as semelhanças. Mas eu estava afim de te ensinar como gosto de ser comida. E você estava ávido por aprender.

Trepamos. Muito. Não sabia se o gozo era per se ou se era pela delícia de um sexo novo, um corpo novo, dos caminhos desconhecidos. Os descaminhos. Gozei pela delícia do sexo que fizemos e pela alegria de trepar com um completo desconhecido. Fui embora no outro dia de fininho. Não peguei seu telefone, e-mail, nada. Nem o sobrenome perguntei.

Gordos

Outro dia falei dos meus traumas de ser gorda. Bem, hoje queria falar sobre como eu adoro homens acima do peso, gordinhos, gordos.images (1)

Não alimento o desejo que a mídia vende para nós de homens fortes e com a porcentagem de gordura próxima do zero. Gosto de homens largos, com barriga grande, com pernas grandes, braços grandes e sem muito músculo. Já fiquei com homens magros e homens fortes, mas minha preferência sempre foram os mais gordos. Por muito tempo eu não aceitava o meu próprio desejo, achava feio me sentir atraída por homens fora de um padrão, mega gordofóbico, que exige que eu ame ou deseje um parceiro “apesar de” ser gordo e não por ser gordo. Acho que se libertar de padrões que se acham no direito de ditar os meus desejos é muito libertador. Mais que ser livre pra ter o corpo que eu quiser, tenho que ser livre pra desejar quem eu quiser, independente do seu corpo se encaixar no padrão midiático.

E vocês não tem ideia de como o sexo é bom quando nos libertamos de nossos preconceitos. Transar pegando na pessoa inteira, mordendo, apertando e beijando barriga, pernas, bunda, o corpo inteiro sem se preocupar. Já tive medo de meus parceiros se sentirem incomodados por eu apertar, pegar demais. Por ser frustrada com meu corpo, via o toque como uma lembrança do meu tamanho, da minha gordura, então me privava de pegar com vontade pra não levar o mesmo trauma a quem está comigo. Agora não deixo de tocar e ser tocada, aprendi a me libertar do medo de ser pouco gostosa por causa do meu tamanho. Com isso, entendi que um cara gordo também precisa entender o quanto é gostoso pra mim e só posso mostrar isso se eu pegar, morder, beijar e apertar inteiro, qualquer parte do seu corpo.

Quinta-feira passada, assistindo The Voice Brasil, na Globo, vi o cantor querido das meninas (que é muito bonito), Kim Lírio, e o achei bonito. Mas, quando apareceu o Lui Medeiros, fiquei totalmente encantada, e não é tipo “gordo com rosto bonito”, não gosto dessas coisas, quando acho bonito, acho tudo bonito, rosto, corpo e sorriso. E eu não pegaria o Kim, mas pegaria o Lui fácil, fácil! Não só ele, acho o Jack Black lindo, o André Marques também, mas eu mesma nunca analisei esse meu preconceito. Por muito tempo, eu falava que o André Marques era bonito, mas era gordo. Por um medo de assumir que gordos são bonitos e me atraem.images (2)

E o desejo é uma coisa curiosa, né? Minhas melhores transas com homens foram com homens gordos. Porque sexo não tem nada a ver com ser bom ou ruim de cama, ter pinto ou não, grande ou pequeno. Sexo também não tem nada a ver com “peso ideal” e nem com “beleza midiática”, uma trepada gostosa diz respeito apenas ao que nos agrada aos olhos, olfato, paladar e tato, o que nosso corpo quer e gosta, e cada umx de nós tem gostos diferentes. Que bom! :)

Mulheres rodadas: quem tá nessa roda?

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Essa semana, a poderosa internet nos agraciou com uma imagem que já era piada pronta: depois de ouvir os Bolsonaro da vida falar que a Dep. Maria do Rosário não merece ser estuprada, vimos um homem cis branco e [provavelmente] hetero exibir orgulhosamente um cartaz que diz: “Não mereço mulher rodada”.

Não me surpreende em nada essa declaração machista, depois de ter notícia da última pesquisa divulgada no Fórum Fale Sem Medo que aponta que 51% dos jovens defendem que a mulher tenha a sua primeira experiência sexual somente em um relacionamento sério; 41% afirmam que a mulher deve ficar com poucos homens; 38% garantem que a mulher que fica com muitos homens não serve para namorar e, difícil de acreditar, 25% dos jovens pensam que, se usar decote e saia curta, a mulher está se oferecendo.

Ora, a juventude aponta que a sociedade é machista e sexista e suas respostas corroboram com seus atos, justificando assim a dinâmica da sociedade patriarcal. Estamos falando de liberdade sexual e direito aos corpos também, e fica claro com essa pesquisa que a sociedade ainda acha que é ela quem manda nas mulheres.

Precisamos ter o aval de homens e instituições para resolvermos se queremos ou não nos relacionar, sair, transar. E seja lá qual for nossa “decisão”, teremos ônus.

Mas o que eu quero destacar nesse texto, além do machismo evidente, se resume a pergunta: De qual mulher estamos falando?

Fechem os seus olhinhos e imaginem a mulher rodada. Depois me contem nos comentários.

De largada lhes digo que essa mulher rodada tem independência financeira, no mínimo tem alto grau de escolaridade e provavelmente está no hall das “eleitas para um futuro”. Quero dizer com isso que algumas mulheres podem se dar ao luxo de serem rodadas, outras não. E mesmo que não exerçam sua liberdade sexual tal qual gostariam, serão taxadas de ““““prostitutas”””” [com muitas aspas, pois não há intenção de moralismo aqui] e sempre serão hipersexualizadas.

Queremos que ser rodada ou não seja uma escolha nossa, certo? Mas ainda temos os dedos do machismo em riste na cara, dizendo quem pode ser rodada e quem nem se quer pode andar na rua em paz, ou se sentar num bar com amigas de cor sem ser importunada pelos que se sentem no direito de invadir seu espaço e lhes cobrar atenção – e caso não role, ainda saem como as “““““vadias””””” [também com bastaaante aspas].

 O dilema da liberdade sexual atinge as mulheres de diferentes modos, essa é a verdade das coisas. O machismo e o sexismo também. É óbvio que o mocinho se referiu a todas as mulheres quando as quis insultar, mas para algumas mulheres – como essa que vos fala –  ser rodada tem um preço bastante alto e que envolve variadas questões. Isso significa que eu quero abrir mão de ser rodada? Não. Isso quer dizer que eu prefiro o celibato? Muito menos. Só não posso negar o fato complexo que isso, ser rodada ou não, significa na minha vida e na vida de outas mulheres negras. Impossível fechar os olhos para o simples fato de que isso na maioria das vezes não é uma escolha pra nós: está implícito, graças ao machismo, o sexismo e o racismo.

Por enquanto, vamos juntas tentando desconstruir esse pensamento machistinha uó enraizado de que mulher boa mesmo é mulher que não transa no primeiro encontro, de que mulher tem que ficar em casa enquanto uzomi sai com os amigos (vide video da plateia Altas Horas) e que nenhum homem merece (sic) uma mulher rodada.

De verdade? Nenhuma mulher merece essas violências simbólicas e essas baixarias, seja na rua, seja na internet. Estamos todas fartas e isso sim deve estar na roda!

Figurinha repetida não completa álbum, mas troca a lâmpada

Sabe aqueles dia que não tem nada digno na tv aberta e tudo que você  queria era não ver o futebol na quarta-feira, rir e comer bobagem na frente da tv? Seus problemas acabaram. Tem Lili, a ex, no GNT.

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Interpretada por Maria Casadevall, Lili é a ex-esposa que não esquece e não larga do seu inseguro ex-marido, Reginaldo ( COMO UMA DEUSAAAA, canto internamente toda vez que ela fala Reginaldo, desculpa) e vai morar no apê vizinho ao dele.  O objetivo para poder vigiá-lo de perto e atrapalhar todos os seus casos amorosos.

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Reginaldo é um bananão interpretado deliciosamente por Felipe Rocha, inclusive aparecendo várias vezes de cueca em cena #trackbonus.  Os personagens secundários são igualmente ótimos, a melhor amiga, a linda e sexy  Cíntia (Daniela Fontan), a mãe muito maluca e viciada em compras de Lili (deve ser genético) Gina ( Rosi Campos),  e novo #bonustrack tem o Seu Anselmo ( Milton Gonçalves), o avô muito maluco da Cintia e caidinho pela mãe da Lili.  Temos ainda o irmão galinhão do Reginaldo, o Reinaldo e o Bituca, dono do bar da esquina (João Vicente Castro e Robson Nunes).

Eu adoro, particularmente, a Cíntia, mais que a Lili. É a amiga doida da doida (só doidos se entendem, gente) é mais descolada que a Lili, é linda, baixinha, gordinha e super sexy com um cabelão lindo.  Sabe sempre o que dizer. Pega todos os gatos. Praticamente minha meta de vida.

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Tá mas o que uma feminista com carteirinha rasgada (eu) curte tanto num seriado que estereotipa mulheres como doidas? Bom, o texto é leve, divertido, a edição excelente, os figurinos e cenários são super bacanas. Mais: é para gente ver a Lili e se lembrar das maluquices que fez por causa de homem, ou pensou em fazer, e lembrar que homem não é e nem deve ser o centro das nossa vidas. O exagero das situações vividas por Reginaldo e Lili é pra ser tomado como um: não se apegue loucamente ao seu ex.

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É um lembrete divertido de que existem relações doentias em que casais se envolvem.  É para ver e rir e na hora do desespero em que você insiste em stalkear o ex ou a ex de 5 anos atrás por quem você ainda é apaixonada e pensar que tá na hora de mudar de fase no joguinho da vida. Afinal, figurinha repetida não completa álbum e só serve pra uma rapidinho jogo de bafo. Sem apegos, claro.

E a lâmpada?  clique aqui

ps: o último episódio da temporada vai ao ar na quarta que vem mas tem tudo no site do programa ou aqui

Agrada, mas não satisfaz

por Bianca Cardoso*, Biscate Convidada

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Não nos conhecíamos, mas nos reconhecemos como duas pessoas que gostam de sexo. Estávamos há pelo menos meia hora numa disputa onde os corpos ficavam bem encostados e os lábios muito próximos. No confronto de olhares, um mais direto e o outro se fazendo de bobo – mas foi ele mesmo que fez o gesto: correu a boca pelo meu pescoço, arrastou os lábios, os dentes e um gemido na orelha. Cedi, como não, e mergulhei para provar a boca carnuda que me desafiava com malícia. Passamos a tarde perdidos nesses novos sabores, em línguas afoitas, dois cegos se identificando.

No início da noite um pequeno descanso, um lado a lado silencioso e ofegante. Mas depois de insinuados os caminhos, eu já queria mais, mais beijos, bem quentes. Queria o outro se contorcendo, gemendo baixinho, respirando mais fundo, entregue às minhas mãos. Você quer? Sim. Eu conheço um lugar. Sim. Agora? Sim. Aqui? Sim. Os outros mesmos beijos e roupas que se empilhavam no chão. Nessa alternância de desbravamentos, uma insinuação de força nas mãos que usei pra empurrar seus ombros em direção ao colchão. Meio riso, meio tesão, ele deitou e se deixou como brinquedo novo pra diversão alheia. Sentado no seu quadril, olhos fixos naquele rosto relaxado, eu me esfregava enquanto decidia o que fazer. Com a outra mão, alisei seu peito, belisquei mamilo, escorreguei pelo braço até encontrar sua mão. Sem desviar o olhar, entrelacei os dedos e puxei em minha direção. Lambi a palma, entre os dedos, mordisquei e chupei, firme, o dedo médio, como convite ou promessa. Ele gemeu e tentou levantar o corpo. Neguei espalmando as duas mãos no seu tórax. Fica aí. Ele ficou.

 Mordi seu ombro sem força e deixei a língua molhar seus pelos até o umbigo. Pequenas contrações na barriga denunciavam os desejos, não sei bem se dele ou meus. Descobri seu pau, ainda não intumescido. Sem aviso nem preparo, enfiei-o inteiro na boca e lá o deixei, quieto, sem movimentar língua nem bochecha, apenas lá, enquanto minhas mãos deslizavam pra baixo, levantando-lhe o quadril e apertando com força sua bunda. Paciência, paciência e o pau, em espasmos, esquentou e cresceu entre meus lábios. Satisfeito, deixei que escorregasse pra fora da boca e passei a alternar mão e boca. Lambi desde a base, chupei só a cabeça, enfiei o saco na boca e fiquei chupando com ritmo enquanto apertava ora de leve ora com força. Mordi entre as coxas e suguei. Um tantinho descontrolado, segurei com mais vigor antes de colocá-lo inteiro dentro da boca. Estava gostando tanto de sentir aquele volume entrando e saindo que poucas vezes olhei para o rosto do dono do pau. Estava dominado pelo anseio de saboreá-lo. Meu corpo enrijecia e se movia como um espelho do prazer que ele parecia sentir. Seu quadril se mexia como a indicar o que, quando e como. Ali, mais forte, agora. A minha boca antecipava o quase. Quase nada se ouvia além do deslizar úmido do pau no movimento que já não era meu nem dele. O tempo. E o alerta: vou gozar - enquanto puxava meu cabelo com força, afastando minha boca e me obrigando a ver seu rosto meio distorcido enquanto o esperma quente escorria. Como um desafio a mais, lambi enquanto segurava seu pênis entre as duas mãos, acolhendo enquanto amolecia o tesão. Um cochilo, penso. Mas ele me puxa pra cima, me vira de bruços, monta e sussurra no ouvido com a cara mais cínica e toda a sua sinceridade peculiar:

- Agrada, mas não satisfaz.

10478212_885847744762498_1294414712196997681_n*Bia Cardoso teve uma curta carreira de escritora erótica entre 2005 – 2007. Esse texto é dessa época, quando ela ainda nem pensava no gozo de hoje. É autora do Groselha News e pode ser encontrada no twitter como@srtabia.

Sem Coração

Existe a noite, e existe o breu.
Noite é o velado coração de Deus
Esse que por pudor não mais procuro.
Breu é quando tu te afastas ou dizes
Que viajas, e um sol de gelo
Petrifica-me a cara e desobriga-me
De fidelidade e de conjura. O desejo
Esse da carne, a mim não me faz medo.
Assim como me veio, também não me avassala.
Sabes por quê? Lutei com Aquele.
E dele também não fui lacaia.

Hilda Hilst

sou tua

Arrumei as malas vagarosamente. Você estava há horas trancado. Bati com força e gritei:

- Preciso pegar minhas coisas nessa porra desse banheiro.

- Você é uma puta sem coração – você gritou de volta. Eu ri. Você riu em ecos e abriu a porta. A primeira coisa que notei foram seus olhos vermelhos. A segunda que estava nu. De pau duro. Tinha tomado banho e senti o cheiro dos meus shampoos e de meus perfumes. Ri novamente. Cruel e cinicamente perguntei:

- Vai sentir saudades de mim, baby?

Então você me puxou com força para seus braços. Gemi quando senti seu pau entre minhas coxas. Foi como uma senha, um sinal, uma ordem para que rasgasse com força meu vestido e me deitasse no chão frio do corredor. Pensei em ódio. Mas foi doçura o que senti quando você beijou meus cabelos, meus ombros, minha boca. Meus seios. Com uma delicadeza quase sufocante tirou minha calcinha e quando ela chegou aos meus pés, foi a partir deles que começou a passar a tua língua, primeiro entre os dedos e subindo por minhas pernas, atrás dos joelhos, no meio das minhas coxas. Quando sua boca chegou na minha boceta você interrompeu o óbvio, abriu minhas pernas e colocou-se sentado entre elas. Me olhou nos olhos enquanto enfiava um dedo em mim.

- Eu quero que você goze na minha mão.

Com mais força, enfiou. Dois. Três. Novamente. Rapidamente. Obedeci e gozei, molhando suas mãos e dedos. Você espalhou líquidos em minha barriga para logo depois lamber-me. Ainda sentado, aquela inclinação sedutora da cabeça. Com que urgência eu lhe quis naquele momento. Então cavalguei, colocando suas mãos nos meus quadris, pedindo para me puxar em direção ao seu pau.

- Goza, sua puta sem coração – sua ordem.

Obedeci e gozei novamente. Fiquei de quatro, joelhos no chão duro, cara virada para olhar e pedir:

- Come minha bunda. Enfia seu pau no meu rabo agora.

Você, com força, zelo, tesão e todas as nossas perdas, história e saudades futuras, me fez gritar:

- Mais, mais, mais, me fode, me fode, porra. Mais. Assim, assim, assim….

Suplicar:

- Bate, bate com força, mais, mais, mais… mais… come gostoso meu cu.

Declarar:

- Eu vou gozar. Eu estou go….zan…do, caralho. Agora… a…go…ra… a…go…ra…

E você gozou junto comigo. Fora de mim.

- Puta sem coração – sua voz ainda uma última vez enquanto amorosamente espalhava seu gozo em minhas costas.

Puta sem coração. Fui embora sem olhar para trás. E nunca mais voltei.

Shonda Rimes

Por Renata Côrrea

Shonda Rhimes

Shonda Rhimes

Shonda Rimes é uma showrunner e produtora executiva de séries americanas. Ela é uma das mais poderosas figuras do show business americano, criando histórias icônicas da dramaturgia da tv aberta na gringa. Sua série principal, Grey’s Anatomy já está na 11ª temporada é um dos shows mais bem sucedidos da história. Chegar nesse nível na carreira sendo mulher numa indústria muito machista já seria admirável. Mas além de mulher, Shonda Rimes é negra e gorda. Mas o que tem isso, Renata? E daí ser mulher, negra e gorda?

Elenco de How to Get Away With Murder

Elenco de How to Get Away With Murder

E daí que nas séries com o dedo de Shonda Rimes mulheres são as protagonistas. É delas a voz. E daí que nas séries onde Shonda Rimes coloca a mão, mulheres negras e não-brancas (latinas, asiáticas) e mulheres gordas, lésbicas e com deficiências físicas possuem um protagonismo inédito, vida sexual ativa, sensualidade, talento, conflito, contradições. Basicamente profundidade e um arco dramático completo.

Protagonista de Scandal

Protagonista de Scandal

Enquanto na dramaturgia o “normal” é que os donos da histórias sejam homens ou, com restrições, mulheres brancas, e os outros corpos sejam relegados a posições completamente secundárias e subalternas, Shondinha muda as regras do jogo, faz dramaturgia de primeira que mobiliza milhões de pessoas na frente da telinha com corpos tradicionalmente relegados ao segundo plano.

Naomi Bennett (Audra McDonald) e Sam Bennet (Taye Digs): personagens centrais em Private Practice

Naomi Bennett (Audra McDonald) e Sam Bennet (Taye Digs): personagens centrais em Private Practice

Isso só confirma a necessidade da indústria audiovisual ter mais mais mulheres em posições de poder, que possam decidir as histórias que serão contadas. Precisamos ter a caneta na mão: seja para criar as narrativas ou assinar os cheques que pagam por elas.

Personagens Centrais de Grey's Anatomy

Personagens Centrais de Grey’s Anatomy

Personagens Centrais de Grey's Anatomy

Personagens Centrais de Grey’s Anatomy

renata corrêa* Renata Corrêa é uma tijucana exilada em São Paulo, fotógrafa sem câmera, desenhista desistente, roterista praticante e feminista. Já fez livro pela internet, casou pela internet, fez amigos pela internet, compras pela internet, mas agora tá preferindo viver um pouquinho mais offline. Saiba mais dela no seu blog ou no seu tuíter @letrapreta.

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