Cansei…

Cansei…

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… do acolhimento do discurso conservador por uma maioria sem memória da história política mais recente, identificada com os piores delírios da direita ultraconservadora.

… das viúvas e viúvos do regime militar, que salivam em imaginar a ditadura de um moralizador Estado mínimo (mas máximo na arrecadação de impostos).

… da ausência de empatia, alteridade e compaixão pelo outro (Um pouco de tudo isso não cai mal não, sabe?).

… do cinismo de nossa classe média, encampando os ideais das elites, que por sua vez, têm verdadeiro asco da vida de classe média. Ou do pobre que vota nelas, nas elites.

… do eterno mimimi dessa gente que não consegue enxergar um palmo além da sua bolha de privilégios – geralmente sem margem de erro pra mais ou pra menos: homem branco, heterossexual, cristão e de classe média.

… do discurso esquizofrênico da “nova política” (eu vejo um museu de grandes novidades – Cazuza já cantava essa pedra).

… dos meios de comunicação que são empresas a serviço de interesses hegemônicos e que dão uma cobertura política tão parcial e escusa que chega a beirar o criminoso.

… de ouvir que o PT implantará a ditadura comunista e patrocinará, além de Cuba, toda a China e a Coréia do Norte (bem que podia começar patrocinando o comunismo aqui no Maranhão, rs).

… do ódio de classe manifestado na ojeriza aos programas sociais de transferência de renda como o Bolsa Família (porque a culpa da pobreza é do pobre, como ensina o capitalismo e a meritocracia, by the way).

… do racismo esboçado por nossa classe médica contra os médicos (negros) cubanos do programa Mais Médicos (essa gente parece empregada doméstica!).

… das defesas apaixonadas por um Estado cada vez mais militarizado, autoritário e genocida da população negra e pobre, através da redução da maioridade penal (bolsonaristas vão ao delírio!).

… do perigoso discurso moralizador em defesa da família, proferido pelos “homens e mulheres de bem”. Vocês estão falando de qual família mesmo? Famílias higienizadas, sem veado, sem sapatão, sem trans, apenas com mulheres que não abortam e cheia de homens honrados?

… do racismo geográfico contra os nordestinos (essa gente sem estudos que não trabalha e que é um obstáculo para o desenvolvimento do sul maravilha, não é mesmo?).

… do argumento que a alternância de poder é uma marca da democracia, logo, o PSDB teria supostamente todas as credenciais para melhorar a saúde da coisa pública brasileira (Oi? A racionalidade mandou lembranças…).

… do preconceito de gênero em aceitar uma mulher na presidência. Pior ainda pelo passado de esquerda e militância que essa mulher carrega na sua história de vida (porque sim, isso é um demérito pra muitos).

… da arrogância de um playboy desrespeitoso e corrupto (agressor de mulheres?) que se põe como arauto da exemplaridade e dos bons costumes.

Enfim, cansei dos argumentos que não conseguem enxergar que o buraco é mais embaixo. Muito mais.

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Notinha de Rodapé: No BiscateSC todo mundo é livre pra votar ou não em quem quiser…espia aqui.

Uma cena de amor quase anódina

Era uma pessoa muito próxima. Querida. Muitos amigos ela tinha. Já de certa idade. Generosa, alegre, casa aberta, sempre pronta a ajudar os outros. Presente, cuidadosa, preocupada. Afetiva.

Não lhe sabia de amores. Nunca a tinha visto com ninguém. Não se falava disso, e pra mim estava bem assim: afinal, podia ser escolha. Ninguém é obrigado a ter alguém. Ninguém é obrigado a pavonear suas histórias, suas paixões, seus rolos na frente dos outros. Ainda mais na geração dela, em que isso não era assunto tão conversado.

Até que um dia, passeando na cidade, encontrei-a. E nem teria notado nada, caso ela não tivesse estremecido e soltado a mão da outra, antes de me cumprimentar. Mas estremeceu. E soltou.

Saí dali com isso na cabeça. Que passear de mãos dadas, uma atividade tão anódina, virava, por conta de restrições sociais, de “certos” e “errados”, algo com que se preocupar. Até comigo, imaginem. Até comigo. Imaginem não poder abraçar, beijar, dizer que ama. Dizer “minha namorada”, dizer “minha mulher”. Logo ela, tão querida, tão afetuosa, tão generosa.

Uma nuvem passou diante do sol.

Droga de mundo em que não se pode andar de mão dada com quem se quiser. Que pede contas de amores de uns e de outros, atestados, carimbos, definições. Droga de mundo que fica regulando amores e mãos alheias. Em que uns podem, mas outros não. Em que os outros se incomodam com os amores e as mãos dos uns. Com os corpos, com os afetos, com os jeitos e trejeitos. Com os gostos, com as escolhas.

Droga de mundo.

Rotina

Todo dia eu só penso em poder parar
Meio dia eu só penso em dizer não
Depois penso na vida pra levar
E me calo com a boca de feijão

Chico Buarque – Cotidiano

Acostumei com o meu todo dia, acostumei a ser sempre comum. Todos os dias eu estou ali, pronta pra trabalhar, pra estudar ou ir malhar. Parei de me questionar, de me perguntar se essa rotina me faz bem. Parei de ser quem eu deveria ser, uma pessoa incomodada. Costume.

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Quando alguns acontecimentos me fizeram acordar. Comecei a não suportar o costume, não suportar o meu lugar comum de todos os dias, o trabalho enfadonho, o estudo estilo “comer livros”, sem pensamento crítico, sem vontade alguma. Comecei a me cansar das unhas feitas com decorações, grandes e chamativas, cansei do cabelo comprido. Não que eu tenha decidido mudar tudo de uma vez, mas comecei a mudar aos poucos. Depois que adoecemos, nos compreendemos frágeis, incertxs. Não me via mais ali, não me achava e eu precisava muito de mim.

Precisei me ver doente, sem um monte de coisas pra fazer pra compreender que faltava eu acordar e me perguntar: tá tudo do jeito que eu quero? Minha vida tá indo na direção que desejo? Será que tô protelando coisas necessárias em minha vida por medo de mudar? Porque não tentar algo no susto, no chute? Fiquei sem emprego, porque não trabalhar de freelance? E o mestrado? Porque não voltar aos planos de estudo de antigamente, de antes desse emprego louco que tive?

Chegou a hora de sair da rotina, antes que ela me engula e eu vire mais um número. A rotina é gostosa, mas, pra mim, tem que ser moderada. Tem que ser a rotina do dormir de conchinha, do tomar uma cerveja toda sexta, de tirar uma hora do dia pra fazer nada, de estudar por amor e pra absorver coisas novas. Rotina sem pensar, pra mim, não dá.

You are only coming through in waves
Your lips move but I can’t hear what you’re saying
When I was a child I had a fever
My hands felt just like two balloons

Now I’ve got that feeling once again
I can’t explain, you would not understand
This is not how I am
I have become comfortably numb

Pink Floyd – Comfortably Numb

Vivendo e crescendo

Vejo muitos posts de amigos e amigas explicando suas origens e como isso se relaciona com suas escolhas atuais e quem são hoje em dia e toda vez penso em falar um pouco de mim e de onde vim mas sempre me breco num ponto confuso que é quem sou eu hoje.

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Sou filha de pais ateus, de esquerda e de classe média plano piloto brasiliense. Estudei nas melhores escolas que eles puderam pagar (meu pai nunca teve carro zero, mas sempre tivemos boas escolas e muitos livros) e frequentei  um clube de elite (clube é a praia de Brasília). Escolhi meu curso – Direito – pra fazer o que todo brasiliense faz: concurso público e ter uma vida estável.

Eu malhava, me bronzeava, comprava ( muito) as roupas das marcas certas, já fui loira e queria ser procuradora. Mas aí veio uma gravidez e tudo mudou. Não fiz a pós e o mestrado que sonhava fazer, não fiz concurso para procurador, mas tenho dois filhos bacanas e lindos. Fui trabalhar em um lugar com muita gente legal e com origens diferente da minha – a maioria trabalhou para pagar a faculdade e não ganhou o primeiro carro de papai e mamãe, como eu ganhei. Gostavam de coisas que eu não conhecia e aprendi a curtir. Aprendi demais lá.

Sempre me defini como feminista, influência do Malu Mulher (juro) e de Simone de Beauvoir e Rose Marie Muraro, que li aos 20 anos. Mas conheci o ativismo feminista na internet e nossa… como mudei!  Menos fútil, menos materialista, menos preocupada com o que pensam de mim, menos insegura. E mais cheia de amigas e amigos que nunca.

Mas parte de mim ainda é a menina dondoca e patricinha que só queria ter sucesso profissional, ser loira e linda e comprar coisas bonitas. Aí me pego pensando em comprar e gastar e ser algo para alguém admirar e o meu outro eu diz: ACORDA! Você quer ser isso por você mesma ou pelo olhar dos outros? E sempre é a tal da aprovação. Aí eu acordo do sonho-pesadelo e dou a volta por cima de mim mesma me relembrando que hoje o ser importa mais que o ter, que me sinto mais completa assim, que quem me ama me ama como sou. Claro que isso tudo a base de muito diálogo interno e muita terapia (recomendo terapia, terapia salva) e quase aos 43 tenho que vir me reformulando e reconhecendo a mim mesma permanentemente. Nunca pensei que chegaria aos 40 e poucos ainda insegura, mas de outras formas, acho que esse negócio de crescer não para nunca né?

 

Uma aliança

Dia desses, eu casei.

E dia desses, pra frente, casarei, de novo. E terei lua de mel e tudo. Menos festa chic e vestido de noiva, e padre na igreja. Mas terei papel passado, brinde, riso e amor. E tenho aliança.

Aliança, já usamos há meses. Depois que eu fiquei brincando (brincando?) em portas de joalherias, ele de fato propôs. E chamou para escolher. E pagou, como deve ser (deve?).

Lembro de quando era católica praticante, pela segunda vez, e em uma visita do amigo padre Elias em casa, falávamos sobre casamento, sacramento.

Eu, iconoclasta mas romântica, apontava que o sacramento devia ser um prêmio aos que provassem ser capazes de sobreviver amando ao convívio diário.

Minha mãe, roxa, sei que pensava em me beliscar.

E o padre, vejam só, concordou comigo – ainda que o Vaticano (ainda) não concorde conosco.

Vivemos “em pecado”, morando juntos há mais de ano, dividindo cama e chuveiro, tem dias que ele faz o café cedo, tem dias (poucos), que sou eu. Eu cozinho minhas invencionices metidas a besta (palavras dele) e ele come (ou não).

E a gente se pega (eu) pensando: qual o significado desse anel?

Bem, o que descobri, é que ele pode significar muita coisa, para muita gente, e que esse muita coisa pode ser nada diante do que significa para mim.

A gente usa o anel, e o anel nos usa. Ainda que eu só veja nele uma aliança entre eu e ele, para quem está de fora é as vezes diferente, divergente.

Eu vejo uma escolha entre nós dois. Alguns veem uma vitória (minha, claro) ou um selo de aprovação (dele pra mim, óbvio).

E enquanto eu transparentemente estou feliz em estar ao lado de alguém que amo, algo dessas visões de me perturba, pois é como se eu precisasse do selo de aprovação de um homem para ser feliz, ou como se só eu houvesse encontrado alguém, como se ele me fizesse um favor (ok, parte nóia, parte  não).

Já fui cumprimentada na fila do supermercado por uma conhecida, com um olhar meio aprovação, meio surpresa, ao vê-lo ao meu lado, e uma expressão que não sei definir, e que é um pouco lisonjeira e muito aterrorizante.

O que quero dizer é que me sinto casada, na medida em que amo, temos um compromisso, estou feliz, acredito que o faço feliz, e queremos continuar nos apaixonando, todos os dias.

E não acredito que estar casado é melhor que qualquer coisa. É a melhor enquanto estamos felizes.

Essa é uma declaração de amor, biscate, livre, feliz.

Cinema: Contos de fada e foda

Aquela boa e velha história da melhor foda da vida e foram felizes para sempre. E daí nasce todo o amor de tudo, de que vai dar certo e pronto: fim, the end, blockbuster, explodiu na bilheteria. O sonho é este: o de uma boa foda, memorável, com que se ama – ou vai amar.

Ellen Barkin e Al Pacino em Sea Of Love

Ellen Barkin e Al Pacino em Sea Of Love

Escrito assim a gente até já sente a náusea. Daquela opressãozinha marota das certezas absolutas, da tal ordem. Porque resumem amor e foda, sentimentos que definitivamente não podem ser catalogados numa estante de mercado.

A foda, dizem, é só sexo. Então, não é. A foda é experimentar o outro ou a outra. Sim, tem fricção, felação, brincadeira. Mas não, né. A foda é vivenciar. No sexo, vivenciamos o corpo da companhia, das companhias, também trilhando o nosso. Quantas vezes a gente não descobre um novo e nosso pau quando um invento novo – que pode ser da mesma língua, do mesmo dedo, da mesma buceta, do mesmo cu – surge da foda?

Sei que tem gente que considera o ato sexual um protocolo de operações repetitivas. E não julgo, não. Mas a foda, a foda é outra parada. Envolve mais que saliva. E pode não ter sexo na foda, pode ter aquela provocação de carta, de recreio, de internete. Efe, ó, dê, á.

E o amor, o amor é tanta cousa. Nessas histórias de contos de fada fica o amor condicionando a foda num rame rame que não leva ninguém a lugar nenhum.

Dito tudo isso, quer casar comigo?

Final alternativo: “Vamos pegar um cineminha hoje?”

Você deveria votar em, ou a buceta é de quem mesmo?

Se tio Eric Hobsbawn tivesse vivo, certamente rafaria o livro Tempos Interessantes e o escreveria de novo. Certamente o chamaria “Tempos Interessantes: uma ode ao chorume e à cagação de rega”, como caso, nossas eleições de 2014. Por isso, resolvi escrever esse post pra ensinar como uma biscate deve votar.

Bz4QvfqIgAA-9x0O processo de votação é simples: você vai à urna se quiser, digita se quiser e confirma se quiser… é tudo no consentimento. Mas na hora de escolher o candidato você tem um problema. Problema fundamental! A escolha do candidato é algo tão intrínseco e íntimo  que merece uma pergunta em especial: A buceta é de quem mesmo?

Isso mesmo, leitor amigo! Ao pensar em votar, pense na sua buceta. Se você não tiver buceta, deixe de pensar em termos normativos de sexo e incorpore uma buceta ao seu físico. Agora, pergunte comigo: A buceta é de quem mesmo?

Exato! Seu voto, sua escolha nessa e em qualquer eleição é como a sua buceta (real ou figurativa). Você escolhe que quiser, se quiser e, mesmo, não escolhe. Buceta e voto, na biscatagem, é coisa sagrada! Dar, pra quem quiser, ou não dar depende apenas da sua vontade. Isso mesmo VON-TA-DE.

Pode parecer chula e inapropriada a comparação entre voto e buceta, mas eu te garanto que não é! Ambos repousam cálida e contemplativamente sobre um mesmo princípio, a liberdade. Isso mesmo, a liberdade de dar o seu voto é a mesma de dar a sua buceta.

A formação de uma consciência política dorme junto e se inquieta justo no meio de suas pernas, na sua tímida bucetinha do voto secreto, normativo, regrado, representativo, mas seu. Ou no seu bucetão militante aberto, reganhado e vociferante de uma posição sólida, ideológica e partidária. Ou ainda, na sua buceta virgem, ou na cansada, que não querem ou não se dispõem ao trabalho de se abrir a proposta do candidato e simplesmente não querem votar!

Por isso, amigues, nesses tempos tão interessantes de estupros políticos generalizados, toda vez que vierem enfiar um candidato buceta, digo voto abaixo em vocês, perguntem: A buceta é de quem mesmo?

E lembrem-se: ninguém é obrigado a votar em alguém, ninguém é obrigado a aceitar ou concordar com qualquer posição política ou candidato e todos estão aptos a expressar as opiniões mais esdrúxulas possíveis e serem arduamente criticados por elas. Afinal, ninguém é obrigado a gostar da sua buceta também… Aliás, tem até gente que prefere outros sistemas, como o cu, por exemplo… mas daí são outros casos…

Por isso, amigues, argumentem, ou não. Se ofendam, ou não, mas lembrem-se que assim como a sua buceta, seu voto e tudo o que está em torno dele é pra ser objeto do seu gozo. Se não for pra gozar muito, melhor não ficar cagando regra na internet…

Beijo no coração.

Cis e trans e o grupo LGBT: As diferenças entre sexualidade e identidade de gênero

Por Daniela Andrade*, Biscate Convidada

O que é cis ou cisgênero? Do latim, cis significa “do mesmo lado”. Cisgênero é um homem que nasceu com pênis e se expressa socialmente como homem (expressão de gênero), é decodificado socialmente como homem (papel de gênero) por vestir-se/comportar-se/aparentar com aquilo que a sociedade define próprios para um homem, e reconhece-se como homem (identidade de gênero), logo, é um homem (gênero).

Cisgênera é uma mulher que nasceu com vagina/vulva e se expressa socialmente como mulher (expressão de gênero), é decodificada socialmente como mulher (papel de gênero) por vestir-se/comportar-se/aparentar com aquilo que a sociedade define próprios para uma mulher, e reconhece-se como mulher (identidade de gênero), logo, é uma mulher (gênero).

Ao passo que transgênero é o contrário disso. Ou seja, são pessoas que apesar de terem nascido com pênis podem não possuir expressão de gênero e/ou papel de gênero e/ou identidade de gênero em consonância com aquilo que a sociedade espera para alguém que nasceu com um pênis e, logo, foi compulsoriamente designado como homem. Ou seja, é uma pessoa que apesar de ter um pênis, foge ao conceito de homem.

Assim como transgêneros são pessoas que apesar de terem nascido com vagina/vulva podem não possuir expressão de gênero e/ou papel de gênero e/ou identidade de gênero em consonância com aquilo que a sociedade espera para alguém que nasceu com uma vagina/vuvla e, logo, foi compulsoriamente designada como mulher. Ou seja, é uma pessoa que apesar de ter uma vagina/vulva, foge ao conceito de mulher.

Dentro do grupo das pessoas transgêneras há as pessoas travestis, transexuais, crossdressers, agêneras, bigêneras, genderfuck, e tantas outras classificações.

As definições não devem ser engessadas e nem limitar identidades, de forma que, a melhor definição para uma pessoa é aquela que ela própria lhe dá. De toda forma, é importante pensar nessas definições para que não se corra o risco de se achar que a palavra GAY dá conta de todas as identidades dentro do arco da diversidade identitária. Como uma palavra que diz respeito a uma pessoa que possui ORIENTAÇÃO SEXUAL diversa daquela legitimada socialmente vai refletir na identificação de pessoas que podem inclusive serem héteros? Ou seja, identidade de gênero (o gênero com o qual me identifico) NADA TEM A VER com orientação sexual (o gênero pelo qual me atraio). Uma pessoa pode ser travesti ou transexual e ser hétero, homo, bi, assexual (…), assim como acontece com todo o restante das pessoas que estão dentro do grupo dos transgêneros. De forma que não, a palavra GAY não reflete todo o grupo, outrossim, inclusive há mulheres lésbicas que ressaltam que o termo lésbica é a palavra que denomina politicamente o grupo das mulheres homossexuais, não a palavra gay.

Veja, não se trata apenas de meras diferenças conceituais ou meras palavras diferentes pelo que se está lutando.
Estamos lutando pela visibilidade das reivindicações das pessoas transgêneras que é bastante diversa das pessoas gays cis, ainda que estejam unidas por conta da discriminação que sofrem socialmente, em maior ou menos grau pra esse ou aquele grupo.

Quando se diz que a luta LGBT é a luta gay, que o movimento LGBT é o movimento gay, é importante ressaltar que pautas especificamente gays não atingem diretamente as pessoas transgêneras, uma vez que nem todas as pessoas transgêneras são gays. Vejamos, pelo que, de forma geral, escuta-se quando se ouve falar nas reivindicações do grupo LGBT:

- parada GAY
- movimento GAY
- orgulho GAY
- HOMOfobia
- casamento GAY
- adoção por GAYS
- família HOMOparental
- direitos HOMOafetivos

Pois bem, poderíamos perguntar, as pessoas gays passam pelas seguintes agressões?:

- ter o nome desrespeitado cotidianamente

- ter o gênero deslegitimado o tempo todo

- precisar evadir-se da escola dado o grau de agressões verbais e desrespeito INCLUSIVE vindas de professores e gestores escolares que insistem em não respeitar o nome social e o gênero da pessoa

- possuem o acesso ao banheiro barrado

- seus documentos não correspondem com aquilo que você é (nome e gênero)

- possuem sua identidade questionada frequentemente por todos aqueles que necessitam identificá-lo por meio dos seus documentos

- sua identidade é vista como patologia pelo consenso científico e faz parte do DSM (Manual Estatístico e Diagnóstico de Transtornos Mentais) e do CID (Catálogo Internacional de Doenças), bem como pela OMS (Organização Mundial de Saúde)

- possuem os genitais questionados frequentemente por estranhos? (você operou? você tem pênis ou vagina?)

- acham que você é mais ou menos homem de acordo com o número de cirurgias que você fez

- você necessita de laudos e ofícios de médicos de diversas especialidades para que acreditem que você é o que você diz ser

- possuem enorme dificuldade de encontrar profissional habilitado para receitar hormônios próprios para o seu organismo (lembrando que os hormônios não foram feitos pensando nas pessoas trans* e a bula dos mesmos não corresponde àquilo que acontece dentro do corpo trans*)

- possuem o corpo identificado como “corpo errado” por toda a população (fulano nasceu no “corpo errado”, como se só o corpo cis fosse o corpo certo)

- sua identidade é vista como fetiche pela maioria esmagadora das demais pessoas

- esperam durante décadas para conseguirem fazer uma cirurgia de transgenitalização, algo que lhe custa enorme sofrimento psíquico e muitas vezes suicídio

- sua identidade está dentro das mais altas taxas de suicídio e assassinatos mundiais

- contratos de empréstimo ou locação de imóveis são negados com muita frequência por conta da sua expressão/papel/identidade de gênero

- o mercado de trabalho associa sua identidade à marginalidade, ao crime e portanto, é extraordinariamente difícil encontrar um emprego

- sua identidade é vista como habilitada para ocupar apenas trabalhos dentro da prostituição ou em salões de beleza

- a necessidade que você tem de fazer cirurgias (como transgenitalização, mamoplastia masculinizadora, mamoplastia de aumento, remoção de útero e ovários, feminilização facial…) é vista como capricho, sem sentido, e há um total descaso com isso por parte do governo

- você precisa viajar quilômetros ou pagar do próprio bolso para obter atendimento médico especializado para o seu caso

E tantas outras agressões, bem, parece que os gays cis não passam por esse tipo de coisa, de forma que não dá pra dizer que todo mundo dentro do grupo LGBT é gay e que a pauta desse grupo é a pauta gay, pois não, não é.

Assim, há de se fazer distinção clara entre homofobia (preconceito por conta da orientação sexual) de transfobia (por conta da identidade de gênero), já que inclusive a raiz da palavra HOMOfobia reduz-se ao seu radical HOMO que quer dizer igual, quando as pessoas transgêneras são as diferentes do estipulado adequado no que tange à expressão/papel/identidade de gênero. É uma distinção que deve ser feita inclusive pra se visibilizar as agressões específicas sofridas pelas pessoas transgêneras a fim de se trazer para o debate essa problemática e se encontrar caminhos para resolvê-la.

Quando uma pessoa transgêneras têm nome e gênero desrespeitados, ela está sofrendo de transfobia e não homofobia. Como costuma brincar o ativista e transhomem João W Nery: eu sou um transhomem hétero, eu sofro por conta da transfobia, não homofobia. Ou: vemos o tempo todo as pessoas falando das famílias homoparentais, mas e as transparentais ninguém diz, dos relacionamentos homoafetivos, mas e os transafetivos? As pessoas trans também constroem famílias e se relacionam.

Frequentemente vemos pessoas dizendo que aceitam e não têm nenhum problema com os gays, mas que travesti/trans já é algo demais, ou que ainda que aceitem os gays, travesti/trans não dá para aceitar. O que seria isso senão uma demonstração explícita de transfobia?

E, ainda que se diga que são conceitos muito novos, muito difíceis e que a sociedade não vai entender, todas essas desculpas não passam de mote para continuar a invisibilizar as demandas da população trans*, que são expressivas, urgentes e diversas daquelas da população gay cis, ainda que, novamente, todas essas identidades tenham uma luta em comum que é contra a heteronormatividade (que aprisiona as pessoas dentro de um comportamento heterossexual, visto socialmente como o correto) e a cisnormatividade (que aprisiona as pessoas dentro de aspectos cis/cisgêneros, vistos socialmente como o correto).

daniela andrade*Daniela Andrade é uma mulher transexual, membro da Comissão da Diversidade Sexual da OAB/Osasco, diretora do Fórum da Juventude Paulista LGBT, Diretora da Liga Humanista Secular, que luta ansiosamente por um presente e um futuro mais digno às todas as pessoas que ousaram identificar-se tal e qual o são, independente daquilo que a sociedade sacramentou como certo e errado. Não acredito no certo e o errado, há muito mais cores entre o cinza e o branco do que pode supor toda a limitação hétero-cis-normatizante que a sociedade engendrou.

Relacionamentos normais

Casal normal que se vê todo dia. Casal normal que se vê só nas férias. Casal normal que se beija em público. Casal normal que não se beija em público. Nem se abraça. Nem anda de mãos dadas. Casal normal que se casa com uma semana de namoro. Casal normal que é casado, mas mora em casas separadas. Casal normal de mulheres. Casal normal de homens. Casal normal de mulher alta e homem baixo. Casal normal de homem gordo e mulher magra. Casal normal de velhinhos.

Casal normal que muda status de FB. Casal normal que nunca mudou. Casal normal que fica noivo em Paris. Casal normal que se casa no sítio. Casal normal que nunca vai casar. Casal normal que nunca transou. Casal normal que só vai transar depois do casamento. Casal normal que transou pra só depois namorar. Casal normal que está junto há 50 anos. Casal normal que foi casal por um carnaval apenas. Casal normal que faz tudo junto. Casal normal que não vai ao cinema juntos.

relacionamentos

Casal normal que adora reunião de família. Casal normal que odeia. Casal normal que tem filhxs. Casal normal que nunca quis ter. Casal normal anarquista. Casal normal ruralista. Casal normal que frequenta a igreja todo domingo. Casal normal que vai à casa de suingue todo sábado. Casal normal que tem relacionamento aberto. Casal normal monogâmico.

Casal normal que está junto por conveniência. Casal normal que faz juras de amor em público. Casal normal que só transa de luz apagada. Casal normal que não dança junto. Casal normal que bebe junto. Casal normal que discute política e futebol. Casal normal que reza pela mesma cartilha.

 Porque normal é o amor. Não importa a forma de sentir e viver. E estranho é apenas o nosso olhar sobre xs outrxs.

Bem Maior

“O maior inimigo do bem é outro bem maior”
(Quevedo)

 Eu sou do time que não espera nem acredita em um bem maior (oi, tem mais alguém aí?). Não acredito em finais felizes, em fim da estrada, em linha de chegada. Não acredito no fim das mazelas, no mundo perfeito, no enfim, em alcançar o horizonte sonhado. Eu sou das miudezas, indo da gentileza de desconhecidos à busca da regulação social crítica e contínua. Sou da busca do melhor possível, agora e já. Pras pessoas do hoje. Acho que a valorização do bem maior pode trazer, junto, a noção de que o que se é feito pra atingir aquele bem, mesmo que machuque alguém no caminho, tá valendo. Bom, eu acho que não está.

E é por isso que sou implicante. É por isso que pergunto, que me pergunto. É por isso que não, não acho que as boas intenções devam ser o meu critério último. É por isso que me apego ao dito. Não ao que a pessoa quis dizer, mas o que ela disse. E porque disse. E a quem disse. E me pergunto e me apego ao como ouvimos. E porque ouvimos alguém e não o outro. E todas essas implicâncias que me fazem parecer mesquinha e tacanha e limitada (e não nego que posso ser – ora, que muitas vezes sou – isso aí mesmo). Porque acredito que a materialidade das relações passa e é ultrapassada pela linguagem (e, dialeticamente, a linguagem é construída na e pela materialidade). Eu não sou condescendente porque eu não vejo a vida melhor no futuro, eu quero que ela seja, hoje e agora, menos dolorida.

Por outro lado (ou pelo mesmo, nem sei), um dos meus compromissos comigo mesma é exercitar um olhar generoso. Um olhar generoso pra mim. Pros outros. Não julgar a pessoa (tem relação com esse texto que escrevi no BiscateSC). O olhar generoso implica em não nomear ou rotular a pessoa. Suas ações, suas ideias expressas, sim, me permito e acho necessário discutir, criticar, mas não limitar a pessoa a isso que fez ou disse ou aparenta. O olhar generoso lembra que somos mais, bem mais que um dos nossos aspectos, mesmo o mais admirável ou hediondo. Nem sempre isso é bem entendido. A gente diz: sua atitude foi machista (ou homofóbica, ou racista, ou transfóbica) e a pessoa entende que estamos dizendo que ela é assim. Cristalizada. Quando a vida é tão dinâmica, né. Não é uma questão de etiquetar, mas de problematizar. E, acho eu, ouvir é sempre um bom negócio. Antes de se sentir chateado, ofendido, antes de retorquir, tentar ouvir. E aquele lance lá de cima: saber quem fala, de onde e tal. Reconhecer que somos socializados pra repercutir opressões é um outro passo necessário, acho. Reconhecer que por mais que a gente se esforce, vamos enfiar o pé na jaca muitas vezes. Reconhecer que por mais que a gente tenha sofrido uma injustiça, uma violência, uma ofensa, isso não apaga ou anula os tantos outros privilégios que temos. Reconhecer que o que nos parece uma resposta desproporcional muitas vezes é a resposta de quem recorrentemente passou e passa por uma situação violenta que repetimos mesmo sem querer. E que não é porque eu “não quis dizer/fazer isso desse jeito” que o que foi dito/feito não ofende, não dói, não machuca.

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Acho que tão ou mais importante que ter em mente a meta é cuidar da estrada e do passo. Olhar pro lado, aproveitar a viagem e as companhias. Curtir os meios. Cuidar deles. Fazer mediações. Parar de vez em quando, revisar rotas, olhas mapas, recriar percursos. Descansar. Celebrar os avanços.

Eu caminho devagar. E, às vezes, paro pra respirar. Errei e erro muitas vezes. Mas vou tentando. Sigo tentando. Porque eu não quero chegar naquele horizonte idealizado, não me submeto ao bem maior, mas acho que caminhar até um encontro no bar da esquina, inclusivo, reflexivo e biscate, é bem atraente.

Reflexões Biscates

Por Thayz Athayde, Biscate Convidada

Próximo ano serei uma mulher balzaquiana. Sim, farei 30 anos. E não estou reclamando, tô achando bom, curtindo e achando gostoso. E aí que eu fiquei observando minhas sobrinha e irmã, que estão na faixa dos 15 anos. As duas já conhecem o feminismo e isso faz com que elas tenham acesso a debates e reflexões que eu não tive nos meus 15 anos. Então, fiquei pensando como teria feito as coisas se tivesse conhecido a biscatagem e o feminismo antes, se eu teria feito as coisas de uma forma diferente.

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Não se engane: eu aproveitei muito quando era adolescente. Mas, eu não tinha coragem e o empoderamento suficiente para entender que ser biscate é… bom! E então, eu aproveitava a vida, me divertia, mas a noite eu sentia aquela culpa. Aquela culpa chata por não ser uma mulher santa. Não tinha força suficiente para dizer para todos os amigos e amigas que sim, sou biscate e não tô nem aí para o que você pensa.

Se tivesse me assumido como biscate, eu teria feito sexo muito mais gostoso. Teria feito o sexo que faço hoje, o sexo sem culpa. Teria ficado com mais meninos e meninas, que eu não tive coragem por achar que “o que será que vão pensar de mim?”. Não teria ficado ou feito sexo com algumas pessoas, justamente porque ser biscate é saber o que deseja. E seguir seu desejo também passa por dizer não. É também decidir quem pode te tocar e quem não pode.

Teria menos vergonha do meu corpo, me sentiria muito mais bonita. Me sentiria livre muito mais vezes e insegura menos vezes. Teria ficado nua mais vezes. Teria admirado meu corpo e me deixaria ser admirada. Saberia que para ser bonita e gostosa não é preciso estar dentro de um padrão de beleza.

Teria me desculpado menos por quem sou e teria aproveitado as relações de uma forma bonita, intensa e almodovoriana, como a vida deve ser. Teria entendido que uma relação para ser boa não precisa ser necessariamente longa ou monogâmica. E para ser ruim não precisa ser longa e nem monogâmica. Só precisa de duas pessoas. Três. Quatro. O número que sua imaginação quiser.

Entenderia que uma relação é feita muito mais na confiança em si mesma e no olhar bonito ou cruel que você tem sobre si. Ainda viveria todas as dores, choros e noites mal dormidas, afinal, essa é a parte almodovoriana da coisa e eu sou especialista nisso. O sentir passa por viver as sensações, mesmo que seja de tristeza. E por que não chorar? Por que não vivenciar?

Teria ficado com mais mulheres e esquecido toda aquela culpa. Não entendia como poderia sentir atração por homens e mulheres. Sentia-me esquisita por isso. Não é esquisito não. É bom, é gostoso e não há nada de errado nisso. Teria me assumido bissexual muito mais cedo. Teria entendido todos os meus desejos e pensamentos com mulheres como algo tão comum quanto meus pensamentos em relação aos homens.

Talvez o meu relacionamento hoje seja tão gostoso porque eu aprendi todas essas coisas. E quando vejo garotas cada vez mais cedo se assumindo feministas e biscate eu penso: uau! Ela não vai passar pelas mesmas coisas que passei. Então, isso aqui é um recado de uma mulher que aproveitou e se divertiu muito, mas que teria se divertido e aproveitado muito mais se tivesse deixado biscatear. Você não precisa ser santa. Não precisa ser puta. Você não precisa ser nada. Só permitir-se sentir. Não importa com quantos meninos e/ou meninas você fica. Não importa o olhar de rejeição que você recebe. Eu sei que é difícil entender tudo isso, mas se você precisar de apoio tem um monte de biscates aqui pra te dizer que tudo isso é ok, e que vai ficar tudo bem.

euA Thayz é bi: bissexual e biscate. É também feminista, almodovoriana e babadeira, ela quer mesmo é desmontar as ideias montadas

Peitos

Eu tenho peito. Dois, inclusive. Grandes. Gosto deles, um bocado. Mas, alerto, eles não são atestado nem condição do meu ser mulher. Tem mulher com dois peitos, mulher com um peito, mulher sem nenhum. Mulher que nunca teve peito. Mulher que nunca teve peito e colocou. Mulher que teve, mas tirou. Tirou tudo, tirou só um pouquinho. Mulher com peito grandão, mulher com peito miudinho. Mulher com silicone nos peitos. Ou mesmo com peito só de silicone. Mulher com peito que tem mamilo saltado. Ou mamilo invertido. Mulher com peito em desenvolvimento. Mulher com peito murchinho. Mulher com peito que aponta a lua, mulher com peito que roça barriga. Mulher com peito no sutiã, com peito soltinho, mulher com peito na memória.

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Sabe o que esses peitos e corpos, todos, tem em comum? Não existem pra o nosso escrutínio. Não existem para terceiros terem prazer, embora, peitos e/ou corpos, generosamente, às vezes o façam. Não existem para ser julgados. Nossos corpos não existem para. Eles são. E é por isso que repudiamos esse vídeo da Campanha da Nestlé contra o Câncer de Mama, que, em palavras livres, diz pra gente: “mantenha seu peito saudável que o mundo tá de olho”. Não cuidamos dos nossos corpos para que eles sejam vistos e examinados pelos outros. Se o fizermos é por nosso prazer e saúde. Sem mencionar a culpabilização da mulher totalmente mastectomizada e o recado implícito que, se ela não tem peito, seu corpo está “fora do jogo”.

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O ser mulher não está no nosso peito. Nem no cabelo, unha, buceta. Ser mulher não está em nenhum lugar do corpo que se possa apontar – e julgar. Relacionar o foco do cuidado e da saúde com avaliação social compromete a campanha e machuca mulheres que já passam ou passaram por processos dolorosos, o temor de perder a vida, a mudança na auto-imagem, os ajustes nos relacionamentos e tantas outras coisas que sequer podemos, de fora da situação, dimensionar.

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Então, sim, apoiamos e divulgamos a ideia de que é preciso atenção com a saúde dos seios, o auto-exame, que as pessoas com peito devem estar atentas ao diagnóstico precoce do câncer de mama. Mas repudiamos qualquer naturalização de gênero relacionada ao processo e toda e qualquer legitimação da objetificação do corpo nessas campanhas.

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Então, pessoas com peito, vamos nessa: meu corpo, minhas regras, meu cuidado. Vamos se tocar ;-)

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