Culpa. De quem?

A gente tem uma mania muito ruim de querer achar explicação para tudo.
De pensar que se algo aconteceu fugindo completamente das nossas expectativas precisa, necessariamente, de uma razão. Será que é assim mesmo que as coisas funcionam? Ou seriam elas, as famosas expectativas, que fazem dão um empurrãozinho para que nos tornemos seres muito relutantes, inseguros e despreparados em relação ao inesperado?

É bem aí que a culpa se espalha.

Costumamos usar esta culpa de maneiras bem venenosas. Duas formas se destacam: ou a jogamos inteirinha para o outro, que de alguma forma não correspondeu ao que gostaríamos; ou acabamos por nos punir sem a menor piedade, tendo a convicção de que se tivéssemos agido de outro jeito, tudo seria diferente.

Não é mesmo? É. Poucas pessoas dominam a arte da aceitação. Aceitar que não temos como controlar as vontades ou as decisões de nossos semelhantes ainda é visto como fracasso. E por fracassarmos, não achamos que somos dignos de continuar tentando. Às vezes, ressentir-se é bem mais cômodo do que sair de adversidades de cabeça erguida.

Percebem como isso pode ser uma cilada e tanto para os nossos relacionamentos?

Quem nunca culpou uma biscate (ou um cafajeste) pelo fim de uma “linda história de amor”? Quem nunca pensou que “se fulano ou se ciclana não tivesse cruzado o meu caminho, estaria tudo bem”? Ou então, partindo para um outro extremo, “onde foi que eu errei?”; “o que deixei de fazer?”; “por que ele/a é tão melhor que eu?”; “foi por isso aí que fui trocado/a?”; “depois de todo esse tempo é isso que recebo em troca?”. E assim a gente segue, alimentando as nossas vidas com todo esse ranço, com todo esse ressentimento que é tão destrutivo.
Acho que deveríamos parar de tentar diminuir o sofrer, sabem? Parar de achar que somos responsáveis por atender as demandas alheias e também, de exigir que o outro faça exatamente aquilo que desejamos. Claro que refletir, repensar as próprias atitudes é válido para que cresçamos. Só que há uma linha bem tênue entre amadurecer, reconhecer os próprios erros, perceber o que nos incomoda no outro e a auto-punição e a raiva. É difícil. Dói. Faz com que passemos noites em claro e brademos aos quatro ventos como somos infelizes. Mas um dia passa. E como passa.

Mas, Cláu, o que isso tem a ver com biscatagi?

Tudo. Libertar-se também significa livrar-se de sentimentos ruins. Significa perceber-se livre e deixar os outros terem essa mesma percepção.  Significa parar de apontar o dedo para a cara de alguém, como se tal pessoa fosse a culpada por todas as “injustiças” que vivenciamos.  E principalmente: significa entender que sempre podemos começar de novo.

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3 ideias sobre “Culpa. De quem?

  1. Vim lá da Helô Motta pra cá e gostei.Quando deixamos de tentar ser os “certos e corretos” nos relacionamentos em geral, podemos biscatear a vontade pela vida, valorizar o que nos faz crescer, levantar e ir em frente.
    bjo.

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