É dia de comer negrinho, tchê!

Que o Rio Grande do Sul tem um vocabulário próprio todo mundo já sabe. Basta pechar com um  gaúcho para se dar conta que é preciso um tradutor ou um dicionário de gauchês  (este é incompleto, mas já para ter uma ideia das diferenças) para entender o que os gaúchos dizem. Ou então, leia diariamente O Bairrista — o “diário oficial” da República Riograndense, o melhor país do mundo* e vá se acostumando com nosso jeito.

A sorte dos vivente é que gaúcho é tudo meio inzibido e extremamente simpático (cof cof cof) e sai ensinando para quem quiser aprender desde o gauchês até chupar no ferro quente** (ôpa!) e fazer churrasco de verdade. Isso sem falar nas chinelagi de ficar pedindo cacetinho nas padarias do estrangeiro só para constranger os coitados dos atendentes e envergonhar os amigos.

Mas o fato é que tem muita coisa boa na culinária gaúcha para ensinar. Já dei a receita de cuca no meu blog e ainda falta o arroz de carreteiro. As dicas do churrasco (o de verdade, não a carne assada que esse pessoal do estrangeiro costuma fazer) eu deixo por conta do meu amigo buenacho Luiz Minduim e vou me concentrar no negrinho. Afinal, não há mulher — biscate ou não — que não se delicie, lambuze, comendo negrinho.

Tem aquela história de que o prazer proporcionado pelo chocolate equivale ao orgasmo. Ainda não consegui gozar comendo chocolate nem negrinho e aconselho, via das dúvidas, a chamar o índio véio (o “índio” no caso pode ser novo, meia boca e pode nem ser índio, se é que me entendem — pode ser inclusive índia) para se lambuzar no seu negrinho e passar no pelego. Receita infalível!

Seguem os ingredientes que eu costumo usar e o meu modo de fazer. Se mudares alguma coisa é por tua conta e risco e não garanto o resultado. Mas se fizer direitinho é de prima e fica pronto num upa. Quem provou o meu negrinho sabe que é loco de especial. (Tô ficando balaqueira…)

Segue o baile, digo, a receita:

1 lata de leite condensado
50 gr de nescau
1 colher (sopa) de margarina com sal

Não tem ordem para colocar na panela. Joga tudo lá e leva ao fogo e vai mexendo com uma colher de pau. Não para nunca de mexer. No começo com mais cuidado enquanto estiver misturando os ingredientes e depois um pouco mais rapido, mantendo velocidade constante. Vá desenhando oitos no fundo na panela para garantir que não vai grudar. Quando levantar a fervura, baixe um pouco o fogo e siga mexendo. Quando finalmente estiver enxergando o fundo da panela, siga mexendo por mais um minuto e pode desligar o fogo, mas siga mexendo até a consistência mudar e parar de borbulhar.

Dica: se tiver pressa para comer o negrinho, retire a colher de pau, tampe a panela e leve ao congelador por uns 10 min e… A la pucha! Pode se atracar com uma colher até enjoar.

Se preferir, deixe esfriar sem colocar na geladeira (presta atenção nisso, tchê), faça bolinhas com as mãos devidamente untadas e passe no chocolate granulado, picado ou em pó mesmo (fica tipo trufa) e coloque em forminhas de papel. Mas aí já é a versão aniversário de piá e não é bem essa a intenção dessa receita.

Não vá inventar de espalhar negrinho no corpo do seu índio véio enquanto estiver quente. Tudo bem que o índo é véio e quando estiverem nos pelegos vale tudo, mas não precisa esgualepá-lo, né? A receita é para dar prazer e não torturar. Fica a dica.

Buenas, no Rio Grande do Sul é tranquilo dizer que vai comer negrinho. Mas para além das fronteiras do pampa as pessoas podem desconfiar de algum ritual antropofágico, te taxarem de comunista e ainda te acusarem de racismo ou pedofilia. Deuzulivre! Não brinca com coisa séria ou não vai ter pila que chegue para te livrar da cadeia.

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* O Bairrista é um portal de notícias fictícias destinado ao público maior de idade, além é claro, de ser o melhor jornal do Rio Grande. E do mundo também! (e que brinca com esse nosso nada percetível bairrismo exacerbado)

** Chupar no ferro quente significa apenas tomar chimarrão ou matear (não vai pensar besteira, tchê!)

PS1: Não entendeu alguma expressão no texto? Só perguntar.

PS2: O texto foi escrito com vários erros propositais, expressões gaúchas e altas doses de ironia e humor.

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10 ideias sobre “É dia de comer negrinho, tchê!

  1. Aqui no Rio isso se chama Brigadeiro. Sou expert! A única da família que sabe dar o ponto certo pra comer com colher ou pra enrolar.
    Agora tá uma onda de brigadeiro gourmet. Neguim não tem mais o que inventar e fica fazendo brigadeiro com chocolate belga pra cobrar caro. Bom mesmo é com nescau!

  2. Pingback: Depois do Sexo |

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