Wando e a biscate em todas nós

Por Renata Lins*

Wando morreu ontem e despertou em mim a vontade de cumprir com a promessa de, um dia, escrever pro Biscate Social Club.
Porque, né.
Wando.
Calcinhas. Perfumes. Travesseiros.
Voz de cama. Voz de alcova. Voz… ah, voz…

Impudor. Impudor desbragado. Sem vergonha. Sem-vergonha. Escancarado. À vista de todos.
De despertar a biscate que tem em cada moça elegante.
Aquela moça que sai como mamãe ensinou.
De tailleur, comme il faut.
Cabelos contidos: um alisamento duradouro e confiável.
Pernas juntas , assim meio de lado.
Voz baixa.
Sem nunca.
Nem quase.
E de repente.

Wando.

“Moça/ sei que já não és pura”….
“Eu quero/ me embolar nos teus cabelos/ abraçar teu corpo inteiro/ morrer de amor/ de amor me perder”.

.

E a moça olha em volta. Brilho no olho.
Ainda incerto.
Sorriso de canto.
Nem se mexe.
E nem precisa.
Porque ela sabe.
Wando canta, e é pra ela também.
Que nunca.
Ainda nunca.

E no entanto.

.

*Renata Lins é uma carioca tranquila e bem humorada, economista e tradutora, que já esteve exilada, socialista e de uma sensibilidade ímpar, apaixonada por livros, filmes e música e que, acima de coisas, gosta de pessoas. Saiba mais dela no seu blog Chopinho Feminino ou a acompanhe no tuíter @repimlins.

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