Dando um rumo para a própria vida

Convém dizermos que, quando alguém dá um “rumo” para a própria vida, significa que esta pessoa tomou uma decisão ou fez uma escolha que implicará em alguma mudança. E mudar às vezes dá medinho. É um pouco complicado para muita gente adaptar-se ao novo. O futuro assusta e nem sempre temos – ou achamos que não temos – condições de arriscar. Decidi compartilhar por aqui uma experiência minha bem recente que demandará um esforço grande da minha parte.

Eu tenho 23 anos. Daí,  você se pergunta o que uma garota tão nova tem a falar sobre mudanças… Pois, bem. Lá vai! Eu entrei na faculdade muito cedo, mais precisamente aos 17 anos. Escolhi o curso de Letras, que na época, era UM SONHO para mim. Eu adorava (e adoro!!!) ler, ia muito bem em Literatura na escola, dava aulinhas de inglês e tinha certeza absoluta de que era aquilo que eu faria a vida toda. E que aquele era o meu “rumo”.

Hoje eu sei que deveria (e devo) desconfiar sempre de certezas absolutas…

Além desse mundo inebriante das palavras, Arte  sempre me fascinou. Música, teatro e desenho  ocupavam boa parte das minhas atividades. Contudo, era através do desenho que eu expressava tudo que sentia, que aprendia, que vivia. E era ali que eu me destacava. Só que mesmo com tanta gente dizendo: “Cláu, invista nessa área, corra atrás, aperfeiçoe-se”, tive medo. E assim, concluí o meu curso de Letras, aos 20 anos. Fiz de tudo um pouco nesta área: lecionei, revisei, traduzi… Gostei. Só que a tão almejada realização, aquela vontade de fazer isso cada vez mais… Não chegou. Nem com um projeto de mestrado em fase de conclusão.

Adiei um pouco a idéia do mestrado e fui fazer um curso técnico. Mais precisamente, de Design Gráfico. Não encontro palavras para expressar o quanto me apaixonei por cada coisa nova que aprendia, por cada esboço, por cada minuto das aulas de composição, de desenho geométrico, de computação gráfica. Eu respirava aquilo. Fui conhecendo gente, mantendo contatos. Vieram os trabalhos como freelancer e foi ficando difícil conciliar meu emprego fixo e estável como servidora pública e os projetos e as ilustrações. Só que ainda assim, estava feliz por ter a oportunidade de fazer o que gosto.

Pois é. Eu deveria estar engajada com o mestrado, procurando orientadores, escolhendo qual processo seletivo tentar primeiro… Mas ao invés disso, me matriculei num cursinho pré-vestibular semi-intensivo que começará em maio. Vou tentar ingressar em um curso superior de Design ou de Arquitetura – que também me agrada sobremaneira -  numa universidade pública de Sampa. Vou começar do zero numa área totalmente diferente da que me formei. Vou, com um certo atraso, investir naquilo que sempre quis. E não estou cabendo em mim de tanta felicidade!

Espero que meu relato não tenha cansado vocês. Mas, um dos princípios fundamentais para que alcancemos com plenitude a nossa autonomia é ter coragem, sobretudo de mudar. Mudar quantas vezes for preciso, até que consigamos viver de bem com nós mesm@s. E, como vocês bem sabem: biscate é também uma mulher que tem peito ( literalmente ou não) para assumir os riscos que envolvem dar um (ou uns, por que não?) rumo para a própria vida.

E para finalizar, aqui vai uma frase fantástica que o meu amigo Gilson me disse, via twitter: “fazer o que gosta pode não enriquecer, mas ajuda a sorrir”.

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10 ideias sobre “Dando um rumo para a própria vida

  1. q lindo! tb to nessa, 23, formando, e ja vendo pre-vest p fazer outro curso e recomeçar. mas tb com o medinho dessa nova certeza não-absoluta..

  2. Foi importante pra mim ler este relato. Estou tbm em fase de definições e vendo que uma mudança brusca pode ser a solução de felicidade, realização e harmonização com meus objetivos de vida. Obrigado!

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