Põe Devagar

Por Barbara Manoela Bijos Maués*, nossa Biscate Convidada

Como em uma ode ao amor, a frase que dá nome a esse post foi cantada em uníssono, em uma música do Rádio Taxi, sucesso nos anos 80.

Na minha opinião, essa é uma das melhores traduções poéticas de uma noite perfeita: ir direto ao assunto, sem mais delongas, com todo o carinho que uma boa noite de sexo merece.

Meu marido sofreu um acidente em Alter do Chão, interior do Pará, no fim do ano passado, e ficou tetraplégico. A recuperação dele está indo bem, mas é tudo muito, muito lento. E como fica o sexo, vocês estão se perguntando?

A gente vai descobrir, juntos. Porque maridon voltou a ser um adolescente, nas palavras do fisiatra. Um corpo novo, um pau novo e, pra minha alegria, acessórios novos!

Segundo o médico, se a gente não frequentava sex shop, agora é a hora. Para que a vida sexual de um casal onde o homem ficou tetraplégico continue sendo emocionante, excitante e divertida, é preciso inovar, abusar dos dildos, dos cremes, dos vibradores penianos e até do Viagra!

Outra dica importante foi a de estimular os outros sentidos: olfato, audição, paladar. Eu já estou pesquisando receitinhas afrodisíacas, pra criar jantares românticos, à luz de velas e musica do Marvin Gaye.

Cremes perfumados, meia luz, strip-tease. É, sinto que terei muito o que melhorar no quesito performance, se quiser manter a chama do tesão acesa no meu casamento.

Em qual posição?

Isso é outra coisa que teremos que descobrir. Segundo uma amiga nova, casada com um tetra, a melhor de todas é a mulher por cima – uma das minhas preferidas! Ainda segundo ela, a qualidade do orgasmo melhora infinitamente. Uma das razões é que o cara fica mais sensível, demora mais para gozar e mais: o toque de um tetra no corpo da mulher é completamente diferente.

Eu estou louca pra saber como é esse novo homem, essas novas sensações e novas trepadas.  Aliás, confesso que quero muito estrear a cama do centro de reabilitação, durante a segunda internação dele. O fisiatra, muito sutilmente, deu a entender que o sexo dentro do hospital não só é liberado como é permitido. Ui!

Prometo contar tudo pra vocês, nos próximos posts. Aguardem!

.

*Barbara Manoela Bijos Maués é uma carioca morando em São Paulo, trabalha com gestão cultural, amigona, intensa e criativa, feminista e gateira. Para defini-la em duas palavras: amor pululante! Você pode acompanhá-la de perto no Facebook ou pelo twitter @barbaramanuela.

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11 ideias sobre “Põe Devagar

  1. Babi, ficou demais! Acho que as pessoas não conseguem encarar o sexo com naturalidade, ainda mais quando vc envolve tantos assuntos delicados… Qual o problema dos tetraplégicos serem excelentes amantes? Qual o problema de se alegrar, de querer ser feliz e fazer o outro tb, muito feliz, em meio a uma condição tão delicada? Redescubram-se, vcs sempre foram incríveis juntos! AMEI sua coragem, seu jeito de escrever e te desejo todo o amor que houver nessa vida… DEMAIS!

  2. Babi, amei o texto! Verdadeiro, corajoso e cheio de amor… Que é o que importa, no final das contas! Não liga pro que os outros falam… Não é todo mundo que sabe lidar com tanta sinceridade, ainda mais, em se tratando de sexo. Que vcs se redescubram e que tudo se torne ainda mais incrível do que sempre foi! Um bjão!

  3. Barbara, sem dúvida, sua vida com o maridon deve ser tida como exemplo de amor!!
    Muitas mulheres podem estar na mesma situação que vc, sem empolgação, com medo, receio e até se sentindo mal por “tanta novidade” e muitos homens que estão “tetra” podem ler esse texto com esperança de se casar e ter uma vida sexual normal!

    Eu penso que os que criticaram isso: NÃO ENTENDEM O TAMANHO DO AMOR QUE EXPRESSAMOS ATRAVÉS DO TESÃO!

    Beijo :)

  4. Pingback: Hiato |

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