Ser biscate é ser polêmica

Ser biscate não só é ser polêmica como é estar constantemente no centro de alguma polêmica. A mais recente envolve o chocolate Bis, da Lacta. E não estou fazendo nenhuma propaganda gratuita, mas para explicar e entender o motivo da polêmica é preciso citá-lo.

Na estratégia de divulgação do referido chocolate em sua fan page no Facebook foi criado um álbum chamado #TiposDeBis e lá estão várias fotos bem divertidas com o chocolate fantasiado ou caracterizado com brincadeiras feitas a partir do nome do chocolate. Tem o “SamBISta“, “CuBISta“, “BISbilhoteiro“, “LoBISomen“, o espetacular “LiBISdinosa” e tinha (já foi retirada do álbum depois da polêmica) o “BIScate”.

Claro que não podemos ser chatas e perdermos o humor diante de tudo na vida, mas é certo que é nossa obrigação (não à toa tanta gente nos enviou o link da matéria da Cris Simon da Exame.Com) pelo menos nos posicionar diante dessas polêmicas, falsas ou reais. Afinal, pregamos o orgulho biscate, a inversão total do termo que é usado pejorativamente para desqualificar as mulheres, e as pessoas que curtem essa postura nossa e do BSC esperam por essa nossa tomada de posição. Então, voilá.

Não vou nem entrar no mérito da caracterização do chocolate como biscate com cabelo loiro liso, as argolas, a saia justa e a bolsa rosa porque não está definido em lugar nenhum que se vestir assim é ser biscate, e encaixotar esse perfil, esse jeito de vestir e esse cabelo no modelinho biscate já é um preconceito. Vou me ater ao chocolate, sua publicidade e, principalmente, à resposta oficial da Lacta.

Não sei se essas caracterizações são oficiais ou sugestões do fãs do chocolate, mas uma vez assumidas na fan page oficial do chocolate passam a fazer parte da estratégica publicitária do produto e da empresa. Um chocolate que se chama “bis” e que surgiu com a lógica do “é impossível comer um só” associado à mulher classificada como biscate não é nada muito diferente do entendimento machista e misógino da sociedade com relação às mulheres que não admitem ter sua sexualidade determinada por outros que não ela mesma — mesmo que conscientemente muitas dessas mulheres nem saibam disso, mas precisamos considerar sua atitude, o enfrentamento.

A resposta oficial da Lacta, que só veio depois de alguns comentários do tipo (reproduzidos na matéria da Exame): “Criativo, ousado, mas certeza não foi o marketing da lacta que criou“, “Tão estranho a Lacta fazendo isto“, “Invadiram o perfil do Bis, certeza” ou “Ainda bem que o Conar não chegou com força no facebook“. Infelizmente o Conar nada faria ou poderia fazer porque não há uma pessoa nominalmente ofendida e nem crime algum cometido. É apenas reprodução de preconceito. Mas isso, vamos combinar, a publicidade brasileira é campeã e diariamente vemos absurdos ainda maiores.

A resposta oficial, na íntegra: “A campanha de Bis no Facebook, entitulada “Tipos de Bis”, tem a intenção de ser irreverente e bem-humorada, alinhada com o público-alvo da marca, formado por jovens de 18 a 24 anos. Pedimos desculpas caso algum de nossos posts tenha soado ofensivo.” Sério, Lacta? Cê jura que classificar mulheres como biscate nessa velha e carcomida lógica de mulher “para comer” e mulher “direita” é irreverente e bem-humorado? O que mais me preocupa ainda é salientar a faixa etária do público-alvo como justificativa. Aí, depois vemos jovens com ideias mais velhas que nossos avós e ficamos nos perguntando em que ano ou século estamos… Não é pra menos.

Cabe a pergunta: Em que século estão os publicitários brasileiros? Dentro da lógica de venda e consumo até consigo entender que para “acessar” o senso comum “se fale” a linguagem do senso comum, mas isso não justifica reproduzir preconceito. É perfeitamente possível aliar a venda de produtos à venda de conceito de forma inteligente e sem precisar pagar atestado de racista, machista ou homofóbico. Falta a publicidade brasileira descobrir isso.

Por fim, comentando o que de fato achei complicado nisso tudo… A frase que acompanha a imagem destacada acima: “Taí um #TipoDeBis que você vê em toda parte… Se você viu uma hoje, COMPARTILHE!” — Oi? De fato biscate se vê em toda parte, mas não necessariamente caracterizada assim. Somos todas biscate, Lacta! Um exército de biscates que infelizmente não deixarão de consumir seus chocolates. Mas vai que um dia os brasileiros e brasileiras adquirem consciência como consumidores e cidadãos e começam a boicotar os produtos que se valem de propaganda ofensiva e/ou preconceituosa? Hein?!?

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26 ideias sobre “Ser biscate é ser polêmica

  1. Curti o post não. Se a BIScate tivesse vestida de freira tava resolvido? E a história de “é impossível comer um só” vale para todos os Bis, do loBISomen ao samBISta. Ou talvez eu seja poliana demais, achando que tem mudança aí. De repente não tem. Só que se não tem, provavelmente minhas amigas lésbicas que adoram falar da própria sapatonice afirmativamente são todas umas tolas…

    • Se a BIScate estivesse vestida de freira não seria chamada de biscate, né? E não me referi a isso e gostei dos outros #TiposDeBis, principalmente da “LiBISdinosa” que é uma característica de pessoa e não um preconceito, não um caixinha em que tentam nos enfiar. Essa é a questão. E tanto é assim que o “é impossível comer um só” associado ao chocolate não causou problema com os demais, não chocou. Só que no caso das biscates — que são classificadas como mulheres só para comer, trepar, se divertir — eu vejo problema. Tá, não é gravíssimo, mas como nós recebemos de várias pessoas a indicação e a polêmica foi gerada (e não por nós), achei que deveria comentar. Não sou dona da verdade e considerei tanto o argumento da Lu quanto o teu e tentei não ser cri-cri no texto, mas mudança eu não consigo ver onde.
      Beijo, Vevê!

      • Na real eu achei como a Vevê, que não é ofensivo, não. Ofensivo seria ter colocado uma mulheres-de-cerveja-vestida-de-bis e isso em cima. Inclusive achei, pelo jeito que “vestiram” o BIS (hahaha), que pode ser qualquer mulher… O BIS dessa foto nem tá “seminu” (não acredito que estou escrevendo esta frase, hahahahaha). Por outro lado, acho superválido usar a ocasião pra reflexões e críticas públicas sobre o uso corrente do termo “biscate”. :)

    • Desculpa, Verônica, mas acho que você tá confundindo marafunda com calça rasgada na bunda… Uma coisa é uma empresa utilizar-se de um termo e uma imagem extremamente dotados de preconceito para vender um produto. Pior é sugerir na retratação que o público alvo (ou seja, aqueles que se vêem representados naquele produto) se comporta daquela forma… Lembrando do slogan do produto (que vale pra todos com conotações diferentes), dá até pra dizer que as Biscates são um tipinho de mulher que você vê em qualquer lugar e pode comer logo, que vai ser gostosinha e, depois de terminado, já pode partir para outra… Afinal, tem muita novinha de 18-24 anos disponível por aí…

      Outra coisa completamente diferente é a auto-referência e a auto-ironia que as suas amigas lésbicas praticam. Dentro de um mesmo grupo ou de uma relação interpessoal, em que as pessoas estão demonstrando carinho, inplicância (saudável ou não) ou apego, não há que se falar em preconceito. A auto-ironia é uma forma de expurgar certos signos socialmente colocados, já o marketing é uma forma de usar de ironia indiscriminada para vender algo, sem muita preocupação com quem se está ofendendo. Aposto com você que se eu disser pra uma das suas amigas lésbicas “voltar pra caixa”, vou, no mínimo, receber algum insulto de volta, pois se entre elas isso é algo que pode ser comum dentro dos códigos do grupo, o mesmo não ocorre para alguém de fora dele e é justo sobre isso o post da Niara. Sobre como o abuso de certas denominações que entre grupos não são restritas causam extremo desconforto e revelam grande preconceito quando externalizadas em um ambiente coletivo…

      Acho que é isso.

  2. Tb não curti não. Mesmos motivos da Vevê, acima, e ainda, o lance de que eu TENHO cabelo liso (mais agora, ok… ) e uso bolsa cor de rosa Barbie pink e argolas e tudo mais, quando EU quero. E achei legal colocarem outras coisas, tipo o SamBISta e outras, pq na verdade, só tnha visto o LiBISdinosa.
    E o LiBISdinosa eu amei.
    Então, nnão sei, posso ter perdido a polêmica da vez.
    Sei lá.
    De qq forma, não gosto de BIS mesmo, e nem do tal kitkat ou wtf, prefiro trufa ou Twix!

    • Pois eu não quis comentar o traje escolhido para identificar a biscate na versão BIS justamente por isso, Renata. Aliás, digo isso no texto. Cada um pode e deve se vestir como quiser, o foco da minha crítica não está aí mas no fato que esse é o único dos #TiposDeBis que é uma definição pejorativa e que tem a ver com o regramento da sexualidade que a sociedade só tenta impor às mulheres.

  3. Eu acho o ó da pampulha esse tipo de propaganda. Serião. é ruim, é tosco, é sim problemático associar “é impossível comer um só” à mulher “fácil” à Biscate, na minha singelona opinião porque coloca na moçoila dadivosa a veste do rango não só fácil como quase obrigatório, cuja volúpia de devorar pode transpor limites dela, porque né? Ela é fácil, gente!

    Se o Bis estivesse vestido de freira, além de obrigar o redator a se virar pra arrumar o encaixe do BIS, nem passava pra virar foto e “brincadeira”, mas é Biscate,né gente? É aquela mulher fáicl,q ue ri, que pode ser “comida” em quantidade industrial.

    Concordo com a Niara, o lance da LiBISdinosa é característica pessoal, o “BIScate” inclui gerla, todas as mulheres que não são a versão casta, família, do sexo feminino e cês sabem,né? saiu de mulher/mãe/pra casar pode ser comida em quantidade industrial, é só rasgar a caixa, a embalagem e talvez até sem seu consentimento.

    Pra mim o diabo mora nos detalhes. E isso ai é forte ainda mais se vendo argumentos que sustentam machismos e violências pelai, muitos, muitos mesmo são simples, toscos até, e todos eles vistos em propaganda.

  4. Como eu tinha partilhado com a Niara, eu gostei do lance do BIS. A primeira coisa que gostei foi da marca não ter se importado, no primeiro momento, de ser associada à biscatagi. Não curti muito a biscate ser representada pelo estereótipo mais fácil, mas, olha, pra ser libidinosa eu não preciso estar seminua mas entendo que a comunicação seja mais fácil assim. Então, pela simplicidade e facilidade da comunicação, esse é um caso em que o estereótipo não me agride nem ofende. Olha, quero deixar claro que biscate é pra ser comida mesmo, acho eu. Não é só pra ser comida, mas é também pra isso. E se o cara – ou outra mulher – gostar e quiser comer várias biscates, qual é mesmo o problema? Porque eu não vejo nenhum.

    O que eu não curti? Os comentários. Mas, né, onde não pululam comentários bobões sobre a sexualidade da mulher e o que é “bom-gosto” ou não? Também não curti a justificativa da empresa (mal conduzido o processo, penso eu) nem gostei de tirarem a imagem do ar…

    Além disso, AMEI a ideia de que se vê biscate em toda parte. Eu sou, tu és, ela é, nós somos…estando ou não com cabelo pranchado.

    Eu não achei, Gilson, que em algum momento se incentiva o pega, mata e come…a frase se refere a todos os tipos de BIS. Inclusive é anterior à propaganda, não sei se não estou vendo chifre na cabeça de unicórnio, mas…

    E, olha, Augusto, “dá até pra dizer que as Biscates são um tipinho de mulher que você vê em qualquer lugar e pode comer logo, que vai ser gostosinha e, depois de terminado, já pode partir para outra… ” tirando o tipinho, eu acho que é isso mesmo. Não acho que é só isso, mas acho que isso faz parte. QUALQUER muher, como QUALQUER homem, dependendo do acerto feito, pode ser “comido gostosinho” e depois se seguir adiante. Não vejo porque temos que achar que isso é, em si, perjorativo.

    Eu nem gosto muito de BIS mas me assumo total liBISdinosa e BIScate.

    • Então, Lu. Coloquei o “tipinho” justamente para enfatizar o fato de que, se tratando de uma campanha publicitária e aberta uma sociedade preconceituosa, o marketing extrapola as denominações e conceitos de grupos (pode até ser que alguma auto-intitulada Biscate da agência tenha sugerido isso, mas sugeriu para uma campanha, não na mesa de bar ou no Blog coletivo) e transforma isso em sensacionalismo barato para para vender uma “coisa” para meninos de 18-24 anos e, pior, enfatizando que a “coisa” está disponível para uso, consumo e descarte, sem a parte do “acerto feito”.

      Eu adoro dizer que a melhor parte da Biscatagi é que não precisa nem perguntar o nome, que é pra não se apegar… Enfim, eu acho que extrapola o ponto fundamental: o querer… E tem uma finalidade que me preocupa, vender…

      Por que não colocaram: “BIScate: se ela também te quer, cai de boca”! Te digo que eu começaria a comer BIS. ;-)

      • Augusto foi na mosca. Uma coisa é o entendimento que temos da questão e como a propaganda nos atinge, mas não podemos achar que a nossa leitura é igual a do senso comum porque não é (e acho que o Gilson se referiu a isso). E lá no senso comum “o tipinho para pegar, comer e seguir adiante” é aquele que não merece respeito e ele só é associado às mulheres e aí que o bicho pega pra mim. Eu acho que todos podemos e temos o direito de “pegar, comer e seguir adiante”, desde que isso não seja apenas uma condição da mulher e que não esteja associado à venda de um produto, porque aí sabemos que tudo é diluído e transformado em mercadoria.

  5. Pois é, Augusto, mas essa superinterpretação (super porque não balizada nos dados diretos, mas na opinião que vocês tem de como isso vai ser ou não entendido por um suposto alguém) que vocês fizeram é que eu não consigo fazer.

    Pra mim só porque tá mesma imagem uma frase que é a frase padrão do biscoito e a imagem da BIScate não me parece que se esteja dizendo que a Biscate é pra comer e ignorar e tal. O que parece que não tá sendo visto é que a frase é a mesma. A mesma!!!! E a biscate foi incluída no rol das pessoas/tipos com os quais o biscoito se identifica. Então, vamos devagar comigo, pra ver seu eu tô tão beuba assim: se o biscoito é uma coisa boa, se a biscate é o biscoito, a biscate é uma coisa boa. Tal qual o sambista, a libisdinosa, etc. Inclusive o sambista se assemelha mais como categorização à biscate do que ao libisdinosa, né? Porque não é uma característica.

    Não estou defendendo a mídia, o marketing, o capitalismo…só acho que essa estratégia de venda é apenas tão ruim como a média e não especialmente misógina, machista, etc.

    Eu, pelo menos, não consigo ver como o fato da biscatagi ser banalizada (no sentido de ser tratada como uma coisa usual e ok) pode ser negativa em si só.

    • Bom, eu tenho muitos problemas como a relação mercado/propaganda/pré-conceitos/causas. No ano passado tive discussões homéricas sobre a campanha da Unhate que mostrava o papa beijando o aiatolá. O vídeo da campanha era/é o máximo, mas as fotos me incomodaram (e tiveram como resultado o esperado, mostrar os intolerantes, mas foi muito ofensivo, também) e olha que era uma Fundação cuja causa é a promoção da Tolerância, mas era uma fundação vinculada a uma das marcas mais famosas do mundo, a Benneton. Por isso, to com a Niara e não abro, me deixe fazer as auto-referências e auto-ironias que eu quiser. Se quiser apontar o dedo pra alguém, aponte para si próprio, não pra mim.

      E no caso da BIScate, Lu, estive olhando os outros “cartazes” e, de fato, esse era o único que direcionava o slogan para uma “prática”/”condição” tida como pejorativa. Os demais, são arte, comportamento (ainda que o sexual da libidinosa, mas que é feito entre quatro paredes e não sofre tanta repressão), ilusão. O problema não é a imagem “em si”, aquilo que ela é objetivamente (não vejo problema nenhum em uma auto-intitulada biscate colocar a imagem no próprio avatar e uma rede social, é ela que quer fazer), mas a imagem “para si”, aquilo que ela representa para o interlocutor que pode manifestar um “querer” diferente daquele da “representação” alí colocada.

      No final, eu sou muito cricri com essas coisas… tenho muitos problemas com a má publicidade e não perco a oportunidade de criticar! Não gosto de dedos apontados…rs

      • Eu to como Augusto e a Niara. Eu acho problemático essa reprodução de cortes sobre o tema que não pegam o “É impossível comer um só” pelo lado liberal do sexo, mas pelo utilitário e pelo corte moralista machista. Ele pode comer várias biscates, mas a BIScate que faça isso pra ver se o chocolate não derrete.

        E acho que o olho que desenhou a propaganda não foi o da proposta do site, o olho foi o do preconceito que construiu o Biscatismo como a limitação das mina.

        • a questão é ESSA Augusto, quede o dedo apontado no caso do BIS fora o dedo dos comentaristas? na imagem não tem dedo nenhum, entende? Tem a imagem, como tem a de todos os outros, inclusive o do sambista, que não é característica, é também estereótipo (mas é preciso caracterizar, não dá pra personificar cada pessoa, né?). O resto é INTERPRETAÇÃO. E é isso que eu tô questionando aqui. A interpretação de vocês que é, se me permite, um tanto moralista. Minha luta aqui diariamente não é pra o povo achar que biscate é mulher direita, é pra biscate ser o que ela quiser. E aí ter um espaço na sociedade que diz; “olha, somos biscates” não pode ser, na minha interpretação, uma coisa ruim EM SI.

          Concordo com você que o marketing é uma bela porcaria. Mas daí a condenar uma propaganda específica no que tange ao machismo, moralismo ou misoginia tem um passo que eu só dou se eu achar que tem uma carga especialmente negativa (mais do que a média). Ou então uma análise geral do quanto a imagem da mulher é maltratada midiaticamente. Enfim.

          Gilson, o que que tô insistindo é que, sorry, o moralismo é de vocês. Não da propaganda. É impossível comer um só sambista. É impossível comer uma só libidinosa. É impossível comer um só vários desenhinhos que tem lá (se vamos ver pelo lado sexual, vamos ver a frase servindo a todos, né?) mas é possível comer uma só biscate? Ou é impossível comer só um dos outros mas falar que é impossível comer só uma biscate é que é ofensivo? No que a biscate é diferente dos outros? Além de no olhar de quem tá interpretando?

          Então, pra não ficar tipo Dom Quixote com moinhos, vou dizendo again: o que eu achei bem negativo foi a marca voltar atrás e dizer: “epa, pera, não sou biscate, sou uma marca certinha, de gente direita.”

          No meu mundo perfeito não tem julgamento e não tem o termo biscate pra se referir a quem é livre sexualmente. Mas no meu mundo imperfeito tem. E uma marca famosa demandar o rótulo, se identificar por ele, a mim, em primeira instância, não parece uma coisa negativa.

          • Vou tentar de novo, Lu. Por que eu não vi problemas no “é impossível comer um só” com relação ao samBISta, loBISomem, liBISdinosa? Porque ser chamado de sambista, lobisomem e libidinosa não tem a mesma conotação de ser chamada de biscate. Simples. No caso das biscates há as caixinhas onde tentam enfiar as mulheres, há a normatização da sexualidade da mulher, há o preconceito e se utilizar disso para vender chocolate eu não acho bacana.
            Ninguém faz uma propaganada com um homem gostosão ou se fazendo gostosão com a frase “até as biscates te escolheriam”, né? E por que não fazem? Óbvio. Além de não fazer parte do entendimento senso comum (não que o senso comum não tivesse capacidade para entender algo assim, eu acho que tem, basta querer não ser tosco e senso comum como publicitário), não reforça e nem reproduz nenhum preconceito, o que me parece a tarefa número um da publicidade brasileira.

          • Mas Niara, onde na propaganda/desenhinho tava essa conotação aí? Em nenhum lugar, só na interpretação que foi feita, né? Eu não vi onde a imagem reforçou preconceito. Tinha o biscoito estilizado e a palavra BIScate. Não dizia que era bom, ruim, whatever. Apenas dizia que a marca se identificava.

          • Conotação não precisa vir escrita, explícita, Lu. É o entendimento que se tem, o que se entende do conjunto da propaganda que trabalha com o subjetivo. Tu podes não estar vendo, não te sentiste atingida, afetada em nada. Beleza. Mas no senso comum isso pega de outro jeito. E não esqueçamos o público-alvo da propaganda, a faixa etária consumidora do chocolate. Como eu salientei, não fomos nós biscates que criamos a polêmica. Se ela não tivesse ocorrido talvez nem tivesse escrito a respeito, até porque ando bem cansada dessas polêmicas preconceituosas da publicidade brasileira, mas foram várias pessoas que nos acessaram indicando-a. Achei que deveríamos falar a respeito e olhei a polêmica do meu ponto de vista, que pode não ser o teu e nem da maioria das biscates que circulam aqui. Não achei a pior propaganada, a mais ofensiva de todas, mas ela reforça preconceito SIM. Porque “comer” mais sambista em tese é bom para a cultura brasileira e para o samba, mas “comer” biscate tem outra conotação e é aquela que nós já sabemos. No mais, as biscas (falo por mim) querem comer e serem comidas, essa é uma via de mão dupla, e é isso que não vejo sendo ressaltado quando se fala em biscate. A questão é: se não se fala positivamente (ou seja, muda-se o enfoque) está se usando o enfoque já conhecido que é pejorativo.

  6. Lendo os comentários, estou entendendo onde tá o problema para vocês. É ser uma ideia de um departamento de marketing. O que eu gostei foi mesmo o que disse, da marca não se importar em se associar à biscatagem, como a Lu até reforçou. O resto, mesmo interpretações positivas do impacto disso na sociedade, é rabiscar uma página em branco com o que eu quiser. As interpretações apocalípticas no sentido contrário, a mesma coisa.

    Só torço para a mensagem da BIScate ter se difundido o suficiente para eu poder usar Bis como quebra-gelo na piranhagem. Nada como algo que facilita a comunicação…

  7. Oie, meu povo, eu aqui num opinião de biscate simplinha porém trabalhada nas artes visuais resolvi que amanhã vou comprar uns bis e fazer uma(s) nova versão de BIScatagi. Aí a gente manda pra Lacta, posta no face e aumenta (ui!!!), difunde (ai!!!) e espalha(eita!!!) a polêmica. ;)

  8. Pingback: Inventário de uma alma rebelde, de bisca |

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