Ou mama, ou volta pra caverna…

Me irrita! Profundamente… Odeio preconceito musical! E não é uma coisa de memes de redes sociais. Me irrita mais porque já tive e agradeço a Jisuis por ter me salvado, mas me perturba o fato de que esse tipo de coisa prejudica a biscatagi. Como? Simplesmente pelo fato de que a música talvez seja o maior motor de difusão cultural de massa e é ela que ajuda, e muito, na liberação sexual, sem a qual nós biscates não teríamos nem o que fazer…

Vou me restringir aos últimos 50 anos e não vou sair do Pop. A primeira regra pra não cair no preconceito musical é lembrar que a nossa querida Transviada, Violetta, e a baluarte do passarinho rebelde, Carmen, infelizmente têm pouca influência nesse processo recente e, em suas épocas (me refiro às estreias), foram vistas como jogos retóricos ou óperas bufas. Eu prefiro falar de algo mais próximo. Eu quero Freddie, eu quero MDNA, eu quero Gaga, eu quero VLSK. Sim, porque é a BCTA deles que tem o poder!

Como já disse, sem jogos retóricos e sem erudições. Essas quatro figuras são arte, são de massa e são responsáveis por uma trajetória de liberalização sexual que está impregnada em suas músicas. E, melhor, incomoda! E, desculpe, só é arte de vanguarda porque incomoda, senão era outra coisa, talvez ainda arte, mas não contribuiria para nenhuma frente biscateira.

A escolha dos quatro também não é por acaso e nem são todas as músicas que me interessam. Pela proximidade dos eventos, eu tinha pensado em escrever algo específico sobre as Prides que estão bombando esse mês, mas ficaria chato e, mesmo, restrito, não pensar das queridas Vadias, no pessoal peladão de bicicleta. Afinal, liberação sexual é algo que atinge as hetero, as guei, as bi, as trans, os homi e as racha, indistintamente. Pode até atingir de forma diferente, mas atinge a todos.

É sim, pois o próprio Freddie diz isso naquela entrevista-maior-vergonha-alheia-do-braseu à Glória Maria que “I Want to Break Free” é uma ode a quem está cansado da rotinha, da repressão da vida cotidiana e que é necessário muitos mais que uma blusinha rosa, uma saia de couro, bigodes e um aspirador de pó para se libertar. God knows! Tem que colocar um colã de fauno depois do meio dia (né não, Nijinsky?) e nadar por cima de pessoas rolando no chão. Não que isso seja algo que você só utilize para dizer à sua Mama que você acaba de matar um homem, mas que o show só continua se você tiver motivos para manter o sorriso no rosto!

E, porque não, dar uma incrementada na entrega ao outro? Sentir-se virgem é sempre uma opção. Claro que sim! E engana-se quem pensa que isso signifique uma ideia de repressão feminina. Nossa Senhora do Like a Virgin, em suas preces, está apenas nos dizendo que, no mistério a vida erótica, cada nova experiência deve ser única. Cada nova entrega, por amor, desejo ou seja lá o que for pode ser uma ótima experiência e, já que resolvemos nos libertar, nós temos a chave, ao tocar de parceiros sexuais com a próxima roupa, vamos esquecer as más experiência, aprender com as boas e transformar as novas em únicas!

Esses dois grandes ícones vêm acompanhados de perto por um pessoal que tá dando o que falar. E é nessa polêmica, nessa confusão que Gaga e Valesca colocam suas Mamas para funcionar. Mama-Monster foi diretíssima, mudou o Pop ao resolver escrever o seu mau romance. Disse o que todos sempre quisemos dizer: “eu quero tudo o que vier de ti, contanto que seja livre”, sim, livre, “gratuito” não funciona nessa tradução! Desculpa quem não gosta, ou quem já cansou, ou sei lá, mas à beira da glória, ela veio pra mostrar que nós podemos nascer e ser como somos, não importa o tamanho da poker face da sociedade. Depois dela, filhos, todas tá procurando um Alejandro ou Alejandra, ou até um Judas para chamar de seu criminoso!

E a nossa Popozuda? O muito amor <3 <3 que a liberação sexual que te dar, que te dar, quer te dar dar-dar-dar-dar-dar-dar? Ao contrário dos outros, ela não nasce no Pop, mas é a coragem que desce o morro pra mostrar que a nossa buceta tem poder. No sentido real e no figurado. Por quê? Porque quanto mais sexualmente repressiva a sociedade, mais alto devemos que “Pega no meu grêlo e mama”, pois enquanto isso chocar os ouvintes é necessário que seja dito! Da mesma forma como não se nega um copo d’água. Sim, já fazia anos que alguém não cantava e difundia tão lindamente os sentimentos e reações somáticas de um encontro de paixão à primeira vista, encharca daqui, pisca de lá, lateja dali…

Eu não sei porque isso causa horror e todos eles, de alguma forma, causaram. Simplesmente por descreverem em sua arte o que nós sentimos e não expomos nesse ambiente de repressão sexual quotidiana. Mas também causaram grandes influências que se espalharam por aí, como os vídeos mostram! Por isso, então, mama, ou volta pra caverna! Porque somos biscates, dependemos e defendemos essa liberdade sexual e vamos continuar exaltando tudo o que nos ajude a difundi-la! Queremos isso e, assim, quem sabe, um dia possamos continuar mais essa conversa com Bizet, com Verdi, com Piaf e massificar todas as formas de biscatagi por aí!

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3 ideias sobre “Ou mama, ou volta pra caverna…

  1. Amei o texto, e concordo ipsi literis e vou além, nego confunde arte com o que gostam, com a predileção musical ou o entendimento estético seu,d e seu grupo social,etc.. Pior, confunde arte com arte no sentido da educação formal, confunde compreensão artística com conhecimento de autores,etc, sendo que a maioria nada numa ignorância fudida, tanto a respeito da arte formal, quanto do que é música poesia,etc..

    Eu prefiro Tonico e Tinoco, Candeia, Falcão do que os citados, fora os mainstream Caê, Beta, Gil e Chico, mas assinaria seu texto, tanto pela forma, quanto pela idéia.

  2. Wooow! Que post lindo! Um orgasmo a cada referência sem citar o nome, a cada expressão traduzida, e a cada relação música X sociedade.
    Sem contar que expressou perfeitamente a situação do preconceito e liberação sexual. A forma como as pessoas criticam Gaga e “Vlsk” é de deixar qualquer biscate inconformada.
    Muito amor pela LG, que tem uma forma linda de ser quem é, ser o que der na telha e não se importar com conceitos alheios. Assistir um show dela e ouvi-la falar sobre isso, é de arrancar lágrimas biscates.
    Já a Vlsk faz o que os homens já fazem há tempos, no mundo do funk. Mas mulher não pode desejar, não pode ter tesão. Ela tem q não ta nem aí, assim como a LG.

    Virei tua fã. Obrigada por me dar o prazer de ler esse texto ^^.

    • Olá Aline, Fico feliz que o post tenha agradado! Eu demorei bastante para perder meus preconceitos musicais. Ainda hoje, tenho discografias inteiras do que há de melhor na MPB ou do rock internacional, mas näo deixo de ouvir o que está no trending, afinal é assim que se biscateia! O que näo aguento é marmanjo se revirando no Kuduro na festa de formatura e depois criticando Michel Teló, Sertanejo Universitário… etc… Pra tudo tem seu tempo e sua hora e temos que curtir gostoso! Bjo!

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