Erótico Pornográfico

Aviso aos Navegantes:a Renata Lins publicou este post (Meus 50 tons de…) que incendiou a imaginação d@s bisc@s deste nosso querido Club. Decidimos, pois, cada um@ tratar do erotismo como lhe apetece. Inclusos @s convidad@s. Será uma quinzena caliente não lhes parece? 

#Erotismo em Nós
Erótico Pornográfico, Bete Davis

Lembrei-me de que um dos primeiros trabalhos escolares que fiz, lá pelos idos dos 15 anos de idade, e que era para estabelecer as diferenças entre os conceitos de pornografia e erotismo. Para tal, usei dois livrinhos da coleção Primeiros Passos. Tirei 10 e ficou por isso mesmo. Grosso modo, no trabalho bobo escolar, ficou estabelecido o  que reza o consenso geral – e o mesmo apontando pela minha busca no Google neste momento (faça o mesmo você, se tiver dúvidas): erotismo, advindo do deus Eros, o deus do amor, é  a sensualidade, o sexo aplicado à arte, em vários links  o conceito é associado a obras de arte conhecidas, como a belíssima  e sensual escultura “O Beijo” de Rodin. Já o conceito de pornografia sempre é associado a palavras mais grosseiras, nunca ao belo ou sensual, e os exemplos visuais sempre remetem a Playboy.

Fucei mais um pouco e deparei-me com um trabalho que não poderei comentar todo, devido a escassez de tempo, mas me pareceu interessante e que analisa as três obras pornográficas (opa!) de Hilda Hilst – O caderno rosa de Lori Lamby (1990),  Contos d’escárnio, Textos grotescos (1990) e Cartas de um sedutor (1991). Destes só li, infelizmente, Cartas de um sedutor. Também li, e adoro, A Obscena Senhora D. (acho até que preciso reler) e não entendi porque a  autora do trabalho não o colocou entre o que ela classificou como trilogia, aliás entendi. A Obscena Senhora D. fala sobre a vida de uma senhora e sua alma até estar naquela escada e inescapavelmente tem que falar de sexo, o sexo permeia  a vida, só os hipócritas acham que transar é para reprodução reconstituição da família e não recreação e outras coisas, como até constituição de laços financeiros rentáveis. Do que me lembro,  Cartas de um sedutor fala do sexo na vida e da vida com sexo, de forma bem mundana e nada romantizada.

Recomendo os dois livros, assim como os poemas de Hilda Hist, que eu adoro, Zeca Baleiro inclusive, musicou alguns que ficaram lindos. Mas a questão é que estamos aqui para falar de erotismo, eu estou aqui pra falar do meu erotismo, e eu não sou mais garotinha virginal de 15 anos que divide o mundo entre o pornográfico da playboy e o erótico e sensual do Rodin, sendo o segundo socialmente permitido e aceito e o primeiro moralmente e socialmente condenável. Às favas meu moralismo! Meu erotismo é pornográfico. Todo ele. Com todas as palavras. Meter. Trepar. Transar. Lugares públicos. Tapas. Putas. Nelson Rodrigues. Deliciosa fotos de homens e mulheres nus. Ficando até ridículo de tanto clichê junto (só um problema, nunca mais poderei ler um conto erótico na internet sem a voz do Marcelinho, no entanto, graças a Eros, reli a Hilda sem a voz dele rs).

Aos 40 anos e depois de muito sexo, depois de tanto me conhecer, me tocar e me saber… Às favas as luzes apagadas. Às favas as idiotices do que pode ou não entre quatro paredes,  o que é ou não é feminismo no sexo, no erótico, no pornográfico entre eu e meus parceiros, entre quatros paredes. Então, como vou eu definir o que é erótico e o que é pornográfico quando estas palavras  ganham a conotação moralista de certo e errado? Artístico e lixo? Erótico é o que me excita, e o que me excita eu bem sei. O que excita você, car@ leitor@, você também sabe.

Nunca deixe de experimentar então. Passe seu batom vermelho. Vista seu corset. Peça tapas.  Dê tapas.  Veja vídeos e filmes, caseiros ou de arte. Veja hentais. Use algemas. Coloque uma máscara, a cueca boxer, pegue um chicote. Ou fique simplesmente nu ou nua e olhe nos olhos.  Ou seja suave e doce e tome um vinho escorrendo entre os seios. Faça um striptease. Tantas fantasias… Seja Rodin ou seja Hug Hefner, é tudo clichê, e tudo delicioso, desde que seja o seu desejo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

7 ideias sobre “Erótico Pornográfico

  1. Gostei do texto, A violência pode ser mostrada na grande ídia em qualquer horário, o corpo e o sexo não; corpos mutilados são aceitáveis, corpos nus são obscenos. Enfim…a luta ainda é longa. Deixo este comentário apenas para dizer que sempre me impressiona como além de na arte, a pornografia no humor – que também é uma forma de arte – ainda é chocante, especialmente quando na voz de uma mulher; e que seu texto me lembrou a reação à esse vídeo, sobre o qual gostaria de saber sua opinião (e a d@s demais que por aqui passarem).

    Saudações,
    Guilherme

  2. Às favas! Lindo chamamento. Só tenho leve dúvida sobre se todo mundo “sabe” mesmo o que o excita: minha impressão é que às vezes o moralismo interno barra antes que a excitação se torne consciente. Sabe? Quando não é elegante. Quando não é “certo”. Quando aquilo de que se gosta, aquilo que dá tesão, é mal visto pela “boa sociedade” – que pode consistir da própria pessoa e não ser sociedade nenhuma. Esse moralismo que impede de experimentar, de sugerir, de testar, de pedir. Viva! Que muitos atendam à sua chamada! Beijos!

    • Ai, Rê, brigada. meio que vai de encontro ao seu texto, que achei lindo, amei todas as referências cinematográficas e literárias, mas acho que meu erotismo é mais hard o seu mais leve, digamos( foram as palvaras que achei para definir o que não se define, se sente), e acho delícia nesse blog coletivo cada um@ expor seu ponto e vista e trocarmos idéias e aprender junt@s. bjs. adoro te ler.

      • Sei não… meus tons não couberam todos naquele texto não…. :)
        O que eu reclamava (s os Cinquenta Tons originais) era do formato “receita de bolo”, “instrução de manual”. Nada menos erótico que isso… aí fui por aquele caminho. Há outros possíveis. E você mostra lindamente aqui.

        • seu texto foi lindo, rê. e aquilo realmente é uma receita de bolo, e ao que parece mal escrita, me lembra demais os júlia-sabrina-bianca que minha tia lia, só que com chicotes e tal. rs

  3. Pingback: O triângulo aponta o caminho |

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>