Inverno

Aviso aos Navegantes: Ontem a Renata Lins publicou este post (Meus 50 tons de…) que incendiou a imaginação d@s bisc@s deste nosso querido Club. Decidimos, pois, cada um@ tratar do erotismo como lhe apetece. Inclusos @s convidad@s. Será uma quinzena caliente não lhes parece? 

#Erotismo em Nós
Inverno, Perséfone*

É inverno. Daqueles em que nesta cidade miserável as ruas e as paciências transbordam. Por isso hoje eu telefonei e fingi uma gripe para o chefe que insiste em me chamar de minha filha enquanto eu engulo a ânsia de vômito e a vontade de esbofeteá-lo.

Me encolho na mentira, enrosco-me na minha solidão e começo a praticar meu esporte favorito em dias de tempestade.

Primeiro eu tiro a roupa. O frio e a barulho da chuva já se encarregam de arrepiar-me os bicos dos seios. Lembro que você os chamava peitos e enchia sua boca com eles, depois de pronunciá-los. Fecho os olhos e tento esquecer. Percorro meu repertório de fantasias enquanto meu dedo indicador molhado em saliva percorre um caminho que vai deles até o meio das minhas pernas. Abro-as com mãos imaginárias e as minhas próprias e deixo que o vento da janela que deixei aberta sopre desejo dentro de mim. Depois protejo com as mãos em concha meu sexo, só para brincar de não quero. Por pouco tempo. Já estou molhada.

Fecho os olhos, gemo baixinho e deixo que escapem-me dedos e o controle quando volto a pensar na chuva e em nós. Enfio-me um dedo, depois dois. Mexo com os dedos molhados de mim, da esquerda para direita, da esquerda para direita, e de novo e de novo e de novo.

Devagar, muito devagar, tudo fica nublado. Como naquela noite em que eu não queria sair de casa, mas você insistiu porque era inverno, ia chover e você me amava.

Antes de conseguimos chegar a qualquer lugar, a tempestade nos surpreendeu. Lembro de ter tirado os sapatos e corrido para debaixo de uma árvore. Sua mão achou minha boca e meu sexo e levantou minha saia e puxou meus cabelos, enquanto tua boca percorria meu corpo bebendo de mim e da chuva que caia.

Enfio-me um dedo, depois dois. E de novo e de novo e de novo. Rápido. Rápido. Rápido. Mais. Mais. Mais. Gozo. Gozo. Gozo.

É inverno.

 

*Diz Perséfone: Já fui Core até comer a romã. Eva? Não conheço. Sou desde sempre. Vago entre sombras e desejos subterrâneos até que o canto da primavera me chame e eu sempre, sempre, volte á superfície. O que quiseres posso te dar. Juventude ou morte? Prazer ou dor? Gritos loucos ou suaves sussurros? Ambos?

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