Letrinhas para borboleta

Minha linda,

você disse que tava com saudade de me ler e eu nem ia escrever hoje. Ia pular. Tô cheia de preguiça, acordei tão cedo… tô com emoções à flor da pele, à flor da terra de uma semana intensa demais pro meu coração vagabundo.

Mas como resistir? Como, se sei tão bem o que é isso, estar longe, estar fora, se sentir forasteira e saber que é por um tempo longo, que agora é de verdade, que a casa vai ter que ser construída de novo…? Como, se a saudade apertou aqui desde que você postou que ia, e eu sei que é besteira, que a gente vai continuar em contato e se falando sempre, mas mesmo assim só de escrever os olhos enchem d’água…?

Aí, borboleta, o de hoje é pra você. Pra você e pra agradecer. A vida é a arte do encontro, já dizia o velho Vina. E você domina essa arte como poucos. Você e sua gargalhada quente. Você e seu abraço que prende e dá vontade de não sair dele nunca mais. Você e suas letrinhas que encantam, que enredam, que fascinam. Sereia de letrinhas. E tão fluida, e tão leve, e tão borboleta pisciana, beijando flores generosamente, um pra você, outro também, mas por que deixar quem está um pouco mais pra lá sem? E toma um beijo soprado, um beijo jogado, um beijo roubado. Que de beijo você gosta que eu sei.

E eu aqui, taurinamente te admiro, sem te invejar por ser tão diferente. Eu aqui dou a base, seguro a onda. Eu e a moça de capricórnio, conhecida como ogra, mas que a gente sabe que é tão doce por dentro. A moça-sapoti. A moça-coco. Basta abrir. A moça-ogra-doçura que mora no coração da gente vai, aos poucos, se estabelecendo e se enraizando em terras cariocas. Tá pertinho.

E você também, tá pertinho. Mesmo que teimosas lágrimas (quer coisa mais clichê que isso? Sorry, li muita Sabrina) escorram ainda. Mas agora tá todo mundo mais perto: a um clique de distância. A gente se vê, a gente se fala, a gente troca letrinhas e sorrisos. Cliques. Tão diferente de antes quando longe era longe “de mesmo”. Quando as cartas demoravam uma infinidade pra ir e pra voltar.

Cartas. Sou boa nisso, sabe. Sempre estive longe de amores. Desde que me entendo por gente. O povo do Recife. Os amigos do Rio. A galera de Genebra. De Cambridge. Os pais em Roma. O pai… no Gabão, no Senegal, na África do Sul, Angola ou Moçambique. Que viajava tanto que muitas vezes eu nem sabia mais onde tava: por aí. E por isso, por causa desse pai nômade que morava no mundo, é que eu bem cedo aprendi que o mundo é a morada da gente. Que a gente vai e volta. Que a gente se encontra logo depois da curva. Que a gente se espia, que a gente se fala, que a gente continua indo.

Se cuida, borboleta. A gente vai se falando. A saudade existe mas a alegria de ter você na vida não se troca por nada: dói mas é bom. Que seja.

Muitos beijos. Vou aí gargalhar contigo dia desses. Que isso também sei fazer.

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9 ideias sobre “Letrinhas para borboleta

  1. eu chorei. pq a Lu, essa pessoa maravilhosa que rouba o coração da gente pra sempre tá tão longe e tão perto, a distância de um click. e vai viver novas e lindas aventuras. texto lindo, renata. bjs e tudo de bom, Lu.

  2. Gente, Renata e Luciana assim junto… é demais pro meu coraçãozinho! Fiquei super emocionado! Luciana, reforço as palavras de Renata! Muita sorte tem essa nova terra por desfrutar a delícia do seu sorriso e da sua companhia! Super beijos pra Renata, essa mulher que apaixona com as palavras, e para a Lu, que encanta com esse sorriso!
    Amo vcs!

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