Noite Feliz

“me consola, moço.
Fala uma frase, feita com o meu nome,
Para que ardam os crisântemos
E eu tenha um feliz Natal!…”
Adélia Prado

Ele confere o número, ri um pouco da guirlanda exagerada, toca a campanhia. Ela abre a porta, já nua, não há porque perder tempo em arremedos de sensualidade. Seguem para o quarto sem se tocar, sem um olhar, sem palavras. Ela se deita, ele se ajoelha, ela abre as pernas, ele, a boca. A língua, úmida, percorre a parte interna das coxas, flexível, insistente, curiosa. Um leve arquejo. Ele se inclina mais e a língua encontra os lábios, os grandes, rosados de antecipação. Ele lambe, saliva farta. E sopra, brincalhão, os pelos que ela não depila por birra. Beijos repetidos nos menores lábios. Ela, quente. Ele, constante. Ela, molhada.  A língua brinca em um ritmado vai e vem. Ela puxa a cabeça dele que, com mais vigor, passa a sugá-la. Mais ruídos, gemidos. O cheiro, acre, chega até ela: seu tesão. Ela sente os dedos invadindo-a com força enquanto boca e língua a devoram. A outra mão, na sua bunda, afagando, levantando-a, apertando. Ela mexe o quadril sem ritmo, sem força, já gozando. Soluça. Ele deixa a cabeça entre suas pernas, encostada na buceta, fazendo pressão. Ele deveria levantar, receber, sair. Mas é Natal, poxa, ele pensa, ele pergunta: como é mesmo seu nome? Ela, que arde, sem consolo e sem futuros, nem responde, ajoelha-se – poxa, é Natal – e, pela primeira vez, bota o pau dele na boca. Noite feliz.

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