O Brega e as Biscas

Retomando o post da nossa queridíssima Suzana Dornelles e dando o ar da graça aqui no Biscate Social Clube novamente, coloco na pauta o #BregaNaTL, ops, agora #BregaBSC.

Agora, antes de continuar, para acompanhar a ferve da Música Brega, que tal uma bebidinha e um aperitivo?

Para beber eu recomendo a boa e velha pinga, que pode ser tomada purinha com limão ou misturada com um refrigerante de laranja. Não gosta de cachaça? Tudo bem. Abra uma cerveja ou um vinho. Mas nada de vinho importado, ok? Para a estética dessa conversa, vamos privilegiar os que têm nome de santo e os que custam menos de R$7,00.

Bebida providenciada? Ok. Agora vamos ao aperitivo, uma boa e velha sacanagem. Pode ser isso que você está pensando, mas deixa para depois da conversa. Corre ali pra geladeira e pega azeitonas, queijo prato cortado em cunhos, salsicha aferventada e cortada em cubinhos. Enfileira um cubinho de cada ingrediente em um palito de dente e pronto!

A bebida e a sacanagem tudo bem perto de você? Então vamos retomar: Pode ter gente que não concorde comigo, mas o gênero musical brega retrata muitas biscates. São mulheres ditas infiéis, da vida e sem coração pelos pobres homens de visão limitada. Entretanto, elas apenas internalizaram a tríade do ser biscate: fazer o que quer, onde quer e com quem quiser. Cedo ou tarde, essas mulheres descobriram esse potencial dentro de si. Vamos a alguns exemplos? Tome uma “lapadinha”, tire o gosto com uma sacanagem e aumente o som:

Para começar de uma forma mais leve, vamos falar de Ana.

Não. Não foi mentira e nem inveja de alguém que quisesse separar o casal. O seu amor, sendo redundante, é seu e ela ofereceu a quem ela quis. Nada dessa história de ser roubado. Digam o que quiser, mas Ana é uma biscate e tem as suas escolhas, como relatou Lis Lemos nesse post . Ela reconhece quando não dá certo, porque acima de tudo gosta de si. Brindemos à autonomia de Ana e ao azar de Renato e seus Blue Caps.

Pronto para penetrar nas camadas mais populares do brega? Tome mais uma e prossigamos…

Júlio Nascimento é definitivamente um homem limitado. Todo o repertório dele pode ser resumido assim: ele é um homem trabalhador, portanto o provedor e por isso tem que manter suas mulheres cativas ao ambiente doméstico, para lavar as cuecas sujas, cuidar dos filhos e tal. Só que elas, felizmente, se rebelaram. A mais famosa dessas mulheres é a Dalziza, tachada por ele de “sem coração”. Sinto informar ao Júlio, mas ela tem coração sim e muito grande. Tão grande que cabe uma, duas, três, várias bagagens e o que mais estiver à mão. Dalziza é nossa diva!

Como o Júlio não aprendeu com a Dalziza, tá na hora da prima dela ensinar. Casou-se com ela e manteve aquele mesmo padrão de vida homem-provedor-faço-o-que-quero, mulher-que-sustento-faz-o-que-eu-mandar. Consequência: a prima da Dalziza, mostrando que ser biscate é coisa de família, deu mais essa lição ao mancebo. É isso aí prima, “fazer sofrer” (adorei a expressão) assim todas quer.

É minha gente, os causos cantados no brega são reais. Acontece dia após dia. É a arte popular imitando e representando a vida. Concorda ou sem corda? rsrs. Aproveitem que estão aí no embalo dessas figuras e desfrutem dessas histórias, da melodia injustamente tachada de “mau gosto”, do sabor da bebida e do que a sacanagem te sugerir para esse dia. Despeço-me dessa seção do #BregaNoBSC ao som da Kátia e com a promessa de um dia retornar para falar das mulheres que cantam brega.

Tiago Costa é um cearense divertido, alto astral, parceiros de todas as lutas. Engenheiro de Pesca, de esquerda, trabalhou junto a organizações da sociedade civil e movimentos sociais, é ativista dos Direitos Humanos, ambientais e de pescadores/as e “quase” mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela UFC. Quer conhecê-lo melhor? Espia seu blog ou no seu tuíter @FTiagoCosta.

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8 ideias sobre “O Brega e as Biscas

  1. Delícia de passeio pelo Brega, Tiago! Adorei a versão #BregaSC, a receita (hahaha “vinho com nome de santo a menos de R$7,00″ – só ficou faltando a indicação de antiácido pra ressaca…) “com sacanagem”… o #BregaNaTL é de fato uma festa. Alguém respeitável já disse que era a melhor tag do tuinto. :) Bem-vindo de volta! A gente tava com saudade! (agora só falta a May…)

  2. hahaha….adorei o post ;) poderíamos fazer uma lista enorme de grandes biscas do brega, né? Sucesso total!!! Renata Lins vc tem é que dar uma chegada aqui pelo Ceará p/ gente fazer um master encontro Brega. Que tal? Ah, eu tô demorando, mas vou voltar. bjos!!

    • E como tem May: são Anas, Dalzizas e familiares, Dianas, Sandrinhas, Leidianes, Suzanas, Chiquititas (em referência ao ABBA, no #BregaInternacionalNaTL… São mulheres que acima de tudo se amam e dedicam esse amor a quem querem, custe o preço que custar. Estamos todas esperando por sua volta! Grande beijo!

  3. AVE meu mestre! lol Aqui cheia de emoção e lisonjeada por ser citada por ti ! Tu me apresentastes todas essas mulheres maravilhosas, que não pensaram duas vezes em serem felizes, e nem se importaram se esses machos iriam chorar em uma mesa de bar, ou mesmo num cantinho da sala. As biscas-bregas são mulheres a frente de seu tempo desde mil novecentos e bolinhas.. Salve Dalziza ! Ela tem coração SIM, só que entrega pra quem ela quer! Lindo post! Beijo Tiago!!!!!!!

    • Eu mestre? Imagina! Apenas apresento o repertório que embala as festas e encontro de famílias. São músicas que falam muito da minha infância na companhia dos(as) mais antigos(as): meu avô, minha avó, tios e tias… E compartilho dessa ideia tbm: são mulheres que permitiram viver de forma livre. Que não se submeteram à dominação masculina e foram ser felizes.

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