Um Conto Argentino

Eu sempre neguei. Nego meus sentimentos, sempre. Parece mais fácil, mas nunca é. Fiquei balançada, perdi o prumo, queria me jogar com você na possível história que íamos construir. Mas não fui. Recuei. Tremi. Desisti. Disse que não queria. Menti. Tive medo. Isso é verdade.

Depois para não me mostrar, mas me aparecendo aos poucos propus outra história. Outro romance. Uma aventura. Seria só alegria, luxúria e prazer. Você tremeu. Titubeou. Não quis. Negou. Acho que balançou. Mas não se permitiu trocar a calma da certeza pela loucura do talvez. Quis que eu decidisse. Não cometo o desatino de escolher pelos outros. Você ansiava certezas no futuro. Tudo o que posso oferecer é o meu presente.  Nos perdemos.

Tentamos. Sejamos amigos. Não quero, eu disse. Ausência. Trocamos palavras cordiais, protocolares. Remoí detalhes; o dito e o não dito. Ah, a sucessão de não ditos. Escrevi pra você uma carta que nunca será lida. Como eu queria ter tido a coragem de te entregar. Sei perder. Ou acho que sei. Sonhei, quis que fosse verdade. Não é.

Surpresa! Você no meu sofá. Amigos? É, é isso. Mais vale um amigo na mão do que… sei lá. Senti que você queria. Tesão. Mas resisti bravamente. Contra o quê? Mantive a pose. Para quem? Pronto, somos amigos. Será? Conversas de galhofa, piadas, aquela intimidade que tentamos apagar, mas que nunca nos deixa.

A vida não é filme, você me lembrou. Nem novela, retruquei. Teremos um final. Feliz? Não sabemos. Sei que tudo é complicado. E quem não é?

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