Você acha que consegue distinguir?

Claro que é mais fácil a outra coisa, mas é que a esperança, ou pelo menos como eu me apercebo dela, escondidinha numa espécie de caixinha de lembranças, é tão colorida. É só abrir um sorriso ou me perder em silêncios e músicas que ela me chega assim, se espreguiçando aos poucos, esfregando seus olhos atentos e purinhos de nossos antigos sonhos de liberdade e justiça e acorda brilhando como na manhã em que escolhemos nos amar.

Não sou ingênua e sei muito bem onde piso, não se preocupe, mas é que simplesmente essa menina doce e tão cheia de fé, que muitas vezes me observa do espelho no quarto, não me permite acreditar que todos os campos desse mundo tão vasto estejam minados. Então escolho trigos e lavandas nos seus, meu amor.

Talvez seja só por hoje essa minha decisão teimosa e imatura em ainda insistir caminhadas descalças para sentir o prazer com o que me liga aos presentes todos. Mas foi também hoje o dia em que estive numa praia e encantei-me em assombros e rendi graças ao sal que levou em líquidos, espuma e calor, tudo que já foi maldade em nós.

Então é isso, agora estou aqui. Longe dos calendários e planos, mas plena da sua certeza. Tecendo com calma e com os fios dos meus cabelos uma história bonita para fazer-te adormecer em carinhos e sem medos quando voltares.

Estou aqui onde sempre. Sem marca alguma porque hoje o sol que me queima a pele amanheceu dentro.

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2 ideias sobre “Você acha que consegue distinguir?

  1. Que força nos toma quando “descobrimos que escolhemos nos amar.” Muito lindo Raquel Stanick, continue brilhando como a manhã, mesmo em dias de chuva e frio. Beijos

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