Pau-grandescência – ou sobre “bucetinhas e paus enormes”

Uma das constantes no pornô mainstream, além da recente ou não tão recente onda de filmes com conteúdo de violência real ou simbólica contra a mulher, é o mote: bucetinha e pauzão.

Pênis grandes são a epítome de uma determinada masculinidade.

Uma masculinidade associada às armas. O falo, enorme, desproporcional, contrapõe-se à delicadeza com que Afrodite-Vênus, a deusa Greco-latina do amor, é representada, e também à representação atual de Cupido, filho de Afrodite e Ares, o deus da guerra e das armas.

Curiosamente, Priapo seria filho de Afrodite com Dionísio-Baco.

Enquanto Eros-Cupido é representado atualmente como um garotinho rechonchudo e travesso, Príapo é relegado a um relativo ostracismo…

Mas na pornografia Príapo reina.

São paus enormes. E dildos ainda maiores.

E se as mulheres cis hoje somos cobradas por padrões estéticos de depilação, clareamento, cirurgias estéticas, para ficarmos com a eterna aparência pura e virginal, os homens com pênis vem sendo cobrados para terem paus enormes.

Mas sobre o quanto isso afeta aos homens, não sei dizer.

Apenas que da mesma forma, mulheres somos levadas a acreditar que é preciso um pau grande para nos satisfazer. E acontece de usarmos metáforas depreciativas para dizer que homens com paus pequenos são “menos” homens. Que são “menos”, em qualquer coisa.

A supervalorização do tamanho do pau, pelo que soube, afeta também os homens gays.

E, como devassa libertina que sou, e que já provei do maduro e enorme visconde ao jovem cavaleiro, tenro em idade, quase imberbe, posso afirmar: é um despropósito essa crença…

Tive um dia um homem com um pau grande. Grande, grande. Foi bom, claro. Ele era bom, mas o principal é que ele não tinha problemas em explorar as possibilidades, não tinha aquelas limitações que na hora do sexo, só atrapalham. Não tinha medo de experimentar.

E tive homens com paus “normais”, na média – que, no Brasil, segundo “estudos”, é de 16 cm – quando ereto. Bem, bem, bem… acho que poderíamos “cortar” de três a cinco centímetros aí, e teríamos uma média mais realista (claro que falo apenas da minha experiência). O que não se fala por aí (não muito) é que as paredes da vagina são realmente elásticas, e que uma mulher com tesão fica molhada, como clitóris ereto, e com as paredes internas da vagina cheias de sangue e aumentadas de volume…(Sobre o tamanho do pênis e afins, espie aqui, sem medo)

 …e aí, o tamanho e a circunferência do pau pouco importa, via de regra. (se duvida da minha palavra lasciva, pesquise por aí, o Google ajuda nessas horas – temos até esse interessante Mapa dos tamanhos dos pênis do mundo inteiro – interessante que estudos de pesquisadores colocam a média mundial em 11 cm, e pesquisas de internet, nas quais o tamanho do objeto do estudo é informado pelo sujeito que o tem entre as pernas, a média é consideravelmente superior = 15 a 16 cm. Mais interessante ainda – e material para reflexão – é notar que esse “grande portal de notícias” colocou a matéria na seção “Esquisitices”).

Vamos parar de endeusar o pau grande? Deixemos isso para os agricultores romanos da Antiguidade Clássica, que adoravam ao deus menor Príapo.

Pornografia é ótimo ou, ao menos, tem coisas ótimas no meio de coisas ruins (e não é sempre assim com tudo?), mas não é regra de conduta. Sexo anal (assunto para outro post, prometo), porra na cara, pauzões e bucetinhas lisas não são obrigação para uma trepada fantástica. E nem são garantia de que vai ser uma trepada ao menos razoável.

Tesão não tem medida, nem tamanho.

Criatividade, respeito mútuo, confiança para experimentar e tentar de tudo, são uma receita que é melhor do que um pau de 25 centímetros, eu garanto!

Adieu, mes amis

Je vois que vous les gars plus tard !

Mme le marquise !

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