Ah, o funk!

Já tem um tempo que as pessoas em minha timeline tem atacado sem dó nem piedade o funk, fazendo comparações com outros estilos musicais, principalmente o rock. Sou rockeira, por muito tempo me recusava a ouvir funk, pagode, axé. Sim, eu tinha essa atitude preconceituosa e me achava super culta de falar mal de músicas que não me pareciam inteligentes. Chico Buarque, Caetano Veloso, Vinícius de Moraes eram músicas brasileiras dignas de se ouvir. Ouvia rock e pop internacional mas nem olhava para o pop nacional ou para o rock nacional pós anos 90.

Grande sensação da música POP para as minhas alunas MC Beyoncé

Grande sensação da música POP para as minhas alunas: MC Beyoncé

Precisei conviver com adolescentes para rever esse meu conceito, eu adorava Walesca Popozuda por ser um ícone, não por cantar funk. Com a convivência com meus alunxs adolescentes, conheci Naldo, MC Koringa, MC Beyoncé. Por algum motivo eu fiquei apaixonada pelas músicas da Beyoncé e do Koringa, vou à academia pra fazer aula de Jump só porque o professor coloca MC Koringa, uma a duas músicas por aula! Sim, agora eu amo Funk!

Gosto de como o Naldo fala da sexualidade, com naturalidade, um sexo de verdade, entre duas pessoas que se gostam. Acaba com o clichê que música romântica é sempre feita para mulheres virginais. Ele fala de romance, de amor, de sexo. O machismo nos faz acreditar que falar da sexualidade de uma mulher a denigre, o que vemos são mulheres que fingem não ter sexualidade, não usam decote, não usam short curtinho, não rebolam até o chão, não fazem sexo casual. Essas coisas diminuem a mulher, transformando-a em biscate, galinha, vadia, puta! É aí que o Naldo, casado com uma dançarina, que fala da vida sexual dele em suas músicas românticas, entra. Ele não fala da amante, ele fala da mulher da vida dele. A mulher que faz sexo gostoso pode e deve amar e ser amada, quebra de preconceito total!

Claro que existem músicas tipicamente machistas no funk, como existe no rock, no pop e no pagode. Até na antiga MPB existiam cantores machistas, que denigriam a imagem da mulher como indivíduo. Pra mim denigrir a imagem da mulher está muito além de falar explicitamente de sexo, falar de submissão é denigrir a imagem da mulher, pra mim. Falar de estupro, de proibição, forçar uma imagem que transforme mulheres em objetos dos homens, isso sim é denigrir a mulher. Fazer sexo e rebolar até o chão não denigre ninguém!

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5 ideias sobre “Ah, o funk!

  1. Me identifiquei muito com essa coisa de ser rockeira e antes ter um preconceito imenso com estilos de massa ^^ Ainda bem que descobri que era só babaquice minha =P

  2. Olá,

    Achei bem legal a postagem porque me identifiquei com essa coisa de ser preconceituosa e tal e também porque atualmente curto a Valeska Popozuda por sua liberdade sexual, inclusive em uma de suas músicas que ela fala sobre o emponderamento da mulher sobre sua vagina. Quando compartilhei o clip desta música em meu facebook isso não foi bem visto…porque será né?!
    bem…outra coisa que queria dizer, pra finalizar é que o termo denegrir tem origem no preconceito também, que significa tornar negro como um termo pejorativo, por isso acho que vale a dica caso possamos substituir o termo por um outro que não carregue essa marca.
    Parabéns pelo post!
    Abraços, Juliana.

  3. Lindo texto! Me identifiquei muito! Eu só gostaria de fazer um adendo quanto à terminologia: falar em “denegrir/denigrir” o que quer que seja, no sentido de “prejudicar a imagem” é um pouco perigoso, porque “denegrir” vem de “tornar negro”, e é termo cunhado no processo escravagista, o primo erudito do “fazer negrice”. Muitos termos que utilizamos têm uma forte carga de preconceito, mas que às vezes nos passa despercebida: a “judiação”, de fazer maldade, é “atitude de judeu”. Acho bom tomar esses pequenos cuidados quando nos colocamos no mundo quebrando preconceitos; principalmente se falamos de funk, porque bem sabemos que boa parte do preconceito que chama o funk de imoral é racista. Nelson Rodrigues escreveu peças piores e é chamado de gênio, e não de imoral; POR SER BRANCO. O mesmo para Chico Blue Eyes Buarque (quem não lembra de Geni e o Zepelin e outras tantas?) e uma série de outros músicos que, como vc diz, também produzem peças bastante sexuais. No mais, são só elogios ao texto e agradecimentos pelas reflexões que ele suscita!

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