Das preguiças: Cativar por quê?

Meu problema hoje talvez não seja um problema biscate, talvez seja. Ou, vai ver, seja um apenas reflexo. Cativar…

De uma maneira geral, eu quero que Saint-Exupéry vá à merda… Isso mesmo! Esse negócio de responsabilidade ETERNA pelas pessoas que cativamos… Que merda é essa? Não tomo conta nem da minha vida direito, vou ter que cuidar daquilo que plantei em quem está longe; ou perto e afastado; ou perto e não quero ver; ou longe e quero esquecer; ou não está?!? E eu? Sim, essa é a pergunta! Quem é que quer saber se os meus grilhões estão postos? Pois é… só eu…

- Cativas? - Não, brigado

– Cativar?
– Não, brigado.

 

Desculpe se cativei… Sim, se criei um cativeiro sentimental, fraterno, amoroso, ou sexual… a culpa é sua! Não, não foi minha intenção, ou foi, mas agora já passou… Sério, não andou… não me quis, não queremos, ou não queremos mais, acabou antes de começar. Ou começou, rendeu e agora decidi que acaba… Sim, decidi. Porque a escolha, agora, é só minha… quando foi nossa, não rendeu, faltou liga, cola e todos aqueles clichês das histórias de tias velhas, novas e que ainda vão nascer.

Platonismo não me serve, querer “longe, de mim distante” pensando “onde irá seu pensamento” não cabe no meu Eu disponível… Minha pegada pragmática, empirista, não consegue esperar ausência, nem presença frouxa. Me cativar vai muito além de me colocar em uma paixão louca, em uma amizade efusiva, em uma chave de pernas… Me cativar é saber me entender e ter a disposição de me aturar. Não, não sou o ser que pede 100% de atenção. Aliás, primeiro passo fora da minha realidade…

Melhor dica? Pra me encantar? Não se esforce… É, é sério, minha veia biscate não aguenta esforço. Nasceu na preguiça do dia a dia e contra ele morrerá! Situações criadas, vontades arranjadas, expressões colocadas como algo a se louvar, não aturo… Gosto do que gosto e é à primeira vista, do primeiro jeito, num primeiro julgamento… Minha “análise” sempre mostra que é assim, ou a regra e três se encarrega do resto… portanto, não se esforce… Jamais tente ser comigo uma linha daquilo que não foi antes, com a mesma força daquilo que foi antes…

Exato! Se começou brusco, é para terminar brusco, se começou brando, assim vai terminar… Síndrome de Gabriela? Talvez, mas por um tempo curto… Quando quero mudança, ela é conversada… Sim, relacionamento se muda pelos dois lados. Palavras? Quem sabe?! Mas que razão de ter saído alguma coisa para além daquele primeiro olhar foi que palavras não eram necessárias, muito menos atitudes, ou falta delas… Isso mesmo, sou difícil. É na minha dificuldade, insensatez, tacanhice que construo tudo que não quero, e tudo que decido que fará parte de mim… O que quero? Olhares me mostram, por muito ou pouco tempo… e meu olhar também demonstra… o resto é preguiça.

Sim, preguiça. Porque acho chato sentir compaixão, acho demais sentir pena e insisto em não guardar rancor, raiva, ou qualquer outra coisa que crie amarras… Há muito decidi me libertar disso… Também não guardo alegrias não cultivo paixões e não carrego amores… vivo-os, assim na malemolência mambembe do simples querer. E é por isso que não quero saber de cativos… quero livres… livres para vir e ficar, para vir e partir, nunca e a toda hora, seriamente ou na brincadeira, nunca na mente ou premente, só vigente. Só espero que nossos olhos digam e que nossas cabeças acenem… é simples! Um “venha cá” ou “adeus” são bem fáceis de entender… Só não cative nenhuma parte disso. Esteja e seja comigo enquanto quisermos e é só… Não quero na minha saudade mais uma prisão!

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10 ideias sobre “Das preguiças: Cativar por quê?

  1. Ia comentar da tradução (péssima) de D. Marcos Barbosa, que tantos danos fez ao Pequeno Príncipe, mas não. Bora falar do texto.
    Porque não, pra mim não é assim… se você tá falando de paixão, de encanto, aí tá. Mas isso é fugaz por natureza, né não?
    Entendo o que você fala do esforço – também não gosto disso. E.. prisões? Acho que são inevitáveis. Amar é correr risco, sempre. Dor faz parte. A gente se prende na prisão, por gosto. E a prisão é o amor em si – mesmo quando não-exclusivo, quando não-único. O amor nos torna frágeis. Responsabilidade? Não necessariamente. Mas “cuidado”, acho bonito. Acho que vale.
    Entrega: risco. Prisão. Tem jeito não, pra mim.
    Dói? Claro. Mas vale, como vale… 😉
    P.S. Gostei do post, muito, viu?

  2. Ah, finalmente alguém falou dessa frase infeliz!!!
    Mas concordo um tanto com a Re Lins. Cuidado é sempre bom. Preguiça dá das prisões, dos jogos, dos julgamentos, das imposições. Mas cuidar pode ser bom. cuidar assim, livre, porque dá vontade de fazer gostoso até o fim. Mesmo que acabe, que seja doce. 🙂

  3. Eu gosto da frase. Acho que ser responsável por aquilo que cativamos inclui saber dizer adeus de forma honesta, saber determinar nossos limites de forma clara e tal e tal. Acho que ser responsável pelo que cativamos demanda que saibamos não carregar o outro nem por ele sermos carregados. Eu, nestes tempos, vou vivendo o pêndulo e tem dado certo. Quanto mais entrega, mais potencial de liberdade.

    Por outro lado, sou das que podem ser consideradas relapsas. Amar (seja amiga, rolo, marido, filho, etc) não inclui uma comunicação constante ou informação precisa. Sou das que esquece datas, lugares, canções. Sou das que se perde. Mas quando encontra: ah, o querer bem é festa. Ser responsável por quem aprendeu a me amar, penso eu, inclui dar espaço pras pessoas quererem partilhar – ou não – essa fluidez.

    • Ser responsável é saber dar espaço, saber ir embora, saber pedir espaço e saber aceitar que alguém pode querer partir.
      Tive um relacionamento q, qdo acabou demorei p saber dar espaço. O espaço q dps eu quis e me foi dado pela msma pessoa. Ser responsável não é ter q ficar, é saber ir machucando o mínimo possível.

  4. O post não foi dos melhores, admito! Mas vamos às resposta! ;-p

    Re, acho que você conseguiu traduzir um pouco do que faltou no texto com: “Amar é correr risco, sempre. Dor faz parte. A gente se prende na prisão, por gosto. E a prisão é o amor em si – mesmo quando não-exclusivo, quando não-único. O amor nos torna frágeis. Responsabilidade? Não necessariamente. Mas “cuidado”, acho bonito. Acho que vale.” Sobre cuidado, acho que vale um post especial!

    E Silvia, um resumão no “E mesmo que acabe, que seja doce”. De onde as pessoas tiraram que é só rancor/desgosto/inimizade/picuinhas/falta de amor que as separam? Não entendo, hoje (demorei muito pra chegar aqui), que pode simplesmente acabar e não ser ruim e até ser muito bom e prazeroso… pra todo mundo…

    Lu, eu acho a palavra “Responsável” e a qualificação “eterna” demais pra quase tudo… E dá bem a tônica da “subversão” que fiz na frase… Só mesmo quem prende alguém é que é eternamente responsável! Cadê direitos humanos? Para tudo, como disse a Re, vale o cuidado e responsabilidade, assim como o amor, são muito importantes para serem semeados… E, na tônica do post, responsabilidades têm que ser muito bem (insira aqui uma palavra que não existe)… muito bem… Ter o outro no limite da responsabilidade pelo outro (diferente da responsabilidade com o outro) acho que só entra na minha cabeça no caso de filhos… Responsabilidade só cabe na troca, não em cativeiros, principalmente as eternas… Afinal, quem semeia responsabilidades, abraça o mundo com as pernas… no mau sentido!

    Acho que era isso no post… e, por fim, que raios de 4o. parágrafo com palavras mais mal escolhidas foi esse!

    ;-*

  5. Mas, amor, fico cá pensando que a frase não é: tu deves ser responsável eternamente por aquilo que cativas, mas tu te tornas, blá, blá, blá. Pra mim tem uma diferença imensa. Porque não está na ordem da obrigação, mas da constatação. E o eterna, bom, entra na conta do Vinícius. O que eu acho é que ser responsável é reconhecer a si e à alteridade e daí viver. Ser responsável por quem cativamos, como eu falei, não precisa implicar ficar, pode ser partir…. No mais, adoro posts catarse e sei bem que a gente discutir os “o quês” não alcança seu sentir… Beijinhos

  6. Ahhh!!! Até que enfim alguém que concorda comigo em relação a essa frase maldita!!! E sim, exagero, digo que é maldição, porque poxa vida. Não vejo sentido e não gosto da ideia de prisão que essa frase me passa. Será culpa da tradução horrorosa? Talvez não tenha sido bem isso que o autor queria dizer… bom, não sei, e também não tenho tempo pra investigar. O que sei é da divulgação tremenda em torno da frase, de um lirismo, uma fantasia, uma coisa toda bonita que – pra mim – não condiz. Uma vez escrevi a respeito do livro e critiquei essa frase… precisa ver como só faltou me jogarem pedras, hahaha! Disseram que acabei com a magia do livro, tem cabimento? Cada um com suas opiniões… por isso fiquei tão despirocada ao ver que compartilhamos da mesma ideia.

    Adorei. Mesmo. E se a sua personalidade é difícil ou o quê, acho, sinceramente, que tanto faz.

    Beijos!

  7. Puta merda! Que engraçado este post. Rolando de rir de tanta identificação. Porra, se ama, me odeia, ou ta apaixonado vá cuidar das suas coceiras para la e bóra viver o presente meu véio! O que foi já era!
    Sempre amei o Saint-Exupéry, mas puta merda, vá cagar com tanta responsabilidade!

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