Minha parte exilada

Por Niara de Oliveira

Abafada, contida, quase perdida nessa cidade que não é minha e é partida. Claro que dentro da cidade estou no mesmo lugar em que sempre estive. Na parte que é minha, no lugar reservado pra mim nesse mundo. Sei o meu lugar, sei de que lado estou em qualquer partilha de cidade ou mundo, mas está longe de ser confortável ou bom. Me saber não quer dizer estar bem ou aceitar. E sou ‘revolts’, vocês sabem. É… exilada.

Na parte da cidade que não é minha, a parte é familiar na simplicidade das gentes, gostos, jeito, gestos, cheiros. Mas falta clima, temperatura, sotaque, tempero… Está faltando o encantamento, o lúdico, aquela coisinha que mesmo nos momentos difíceis te fazem sorrir e seguir caminhando.

Ser estrangeira numa cidade de beleza tão anunciada em prosa, verso e vendida em publicidade e não se sentir confortável não é fácil. Nem é fácil se fazer entender quando digo que meu lugar é mais bonito que aqui. Será só a sensação de despertencimento, de exílio?

Cidade de biscatagem solta e anunciada, de malemolência cosmopolita, me faz biscatear menos. Será o exílio? Estou ambientada. Me obriguei a me ambientar para sofrer menos. “Escolhi” ficar, para poder escolher melhor depois. Para voltar a ser eu, revolts, biscate… satolepiana.

Podia ao menos chover um pouco para me fazer sentir melhor… Mas, não.

ridijanêro

deve ser até pecado sentir esse gosto de exílio numa cidade dessas… mas, é assim que é

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16 ideias sobre “Minha parte exilada

  1. A cidade que não é a minha, o sotaque que não é o meu, as ruas onde não andei criança, o time pro qual não torci, as escolas onde não estudei, os cantos onde não chorei.
    Dores.
    Saudades.
    Beijos.

  2. “E se Deus não achar muito tanta coisa que eu pedi
    Não deixe que eu me separe deste rancho onde nasci
    Nem me desperte tão cedo do meu sonho de guri
    E de lambuja permita que eu nunca saia daqui” – Guri

  3. Eu sinto saudade, mas é uma saudade de uma cidade que não existe mais! Sou carioca e faz 13 anos que não moro mais no Rio, mas qdo vou ao Rio não me sinto mais em casa. Entendo a sensação de exílio q sente, Ni!

  4. Oi Niara… Já estou um tempo para ler seu post e só hoje tive tempo… Sou carioca e apesar de morar em Niterói agora, o Rio foi o meu lar a vida toda… Fiquei pensando sobre o que escreveu e por um segundo te entendi… Mas logo depois lembrei que o Rio é uma cidade que acolhe a todos… É o meu lugar… Mas também é o seu, o do turista, o do argentino e por ai vai… o Rio e o carioca sempre foi acolhedor… Principalmente de pessoas progressistas como você… Aqui sempre tem um pessoal querendo se conhecer… Abrindo a porta e o coração… Se somos assim… Porque se sente no exilio, pensei… Será que ela quer ir embora e por isso, não se deixa ficar? Sera que é saudades da familia ou amigos? Não sei a resposta, mas sei que o Rio pode sim ser o seu lar… Mesmo que um dia você se vá… beijos!!!

  5. Calma, garota. Você tá aqui há pouco tempo.
    Carioca sai adotando todo mundo. Daqui a pouco você vai se achar carioca da gema, mesmo com a cuia na mão.

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