A amnésia dos outros

Oi, um minuto do seu tempo? Serei breve. Não por preguiça ou desleixo. Mas é que estou num dos meus raríssimos momentos de objetividade.

Aconteceu que alguém, depois de alguns meses sem manifestar qualquer sinal de vida, me mandou um e-mail…

“Esqueceu de mim?”

tempoLogo eu, que por várias vezes, tentei manter contato. Tentei, juro. Tentei de todas as formas permanecer com essa amizade. Mas sabe como é, né? A tal da “correria diária”, essa danada, não deixou. Muito mais por parte dx outrx do que da minha, mesmo estando eu trabalhando quase 10h/dia e estudando…

Não duvido da falta de tempo das pessoas. A vida num anda lá uma coisa muito fácil para todo mundo. Eu mesma enfio os pés pelas mãos de tanto que corro às vezes. Contudo… “Perder” uns cinco minutinhos do seu dia, de vez em quando –  ou de vez em sempre – mandando uma mensagem de carinho para uma pessoa querida que, por ventura, não esteja por perto f*de tanto assim com a sua rotina?

Não quero fazer deste texto meu muro de lamentações particular. Talvez, eu esteja sendo  muito severa. Ou tenha criado expectativas demais com um laço afetivo que eu achava que era mais intenso. Mimimi biscate, pode ser. É que quando eu gosto de alguém, eu faço o possível para estar presente, mesmo com uma distância física que me impeça de dar as caras ao vivo e em cores. Entretanto, quem sou eu para querer e esperar que o outro sinta do mesmo jeito?

Só acho chata essa maneira de puxar assunto, sabe? Me acusar de amnésia e me culpar pela falta de contato. Cobrar de mim mais atenção do que eu já dei. Quem é que aguenta dar murro em ponta de faca a vida toda? Se você sabe onde eu moro, se você me tem nas redes sociais, tem meu telefone e sabe de boa parte da minha rotina, por que espera que só eu te procure? Qual a lógica disso?

tempo

eu nunca lembro de esquecer

Se fosse há um tempo atrás, eu acharia que o que estou dizendo é um orgulhozinho básico. Num é. É tristeza mesmo. Dói saber que quem um dia você tanto considerou parou de importar-se contigo (importou-se algum dia?). Faz parte da biscatagi  admitir que em um determinado momento, você sentiu duramente a falta de alguém. Mas também faz parte da biscatagi não sofrer por uma pessoa que pagou com desprezo o seu afeto sincero.

Por mais difícil que pareça: demonstre, ainda que brevemente, o quanto você gosta de um amigo, de um parente, de quem quer que seja se você sente isso de verdade.  Se alguém parar de te procurar, reflita quantas você vezes não deixou essa pessoa esperando. Será que só os outros estão com esses lapsos de esquecimento?

 

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