Antropofagia – ou: “Tudo anda tão diferente por aqui…”

Por aqui, por ali e por todos os lugares que passo e passei desde quando me tornei Biscate! Ultimamente vejo o mundo com novo olhar, olhar amplo e passível de mudança. Algo que meu Eu-não-Biscate nunca tinha feito, mudar e questionar suas visões de mundo.

Houve uma época em que, na faculdadeo, tinha total ódio ao senso comum, tão falado na academia como algo 100% nocivo ao pensador que deve questioná-lo sempre. Nessa época eu era cabeça dura demais para ver defeitos para o pensamento “acadêmico”. Mas quem questiona o acadêmico que também é criador de preconceitos e clichês?

Abaporu de Tarsila Amaral - Trecho do Manifesto Antropófago – Oswald de Andrade “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.”

Abaporu de Tarsila Amaral – Trecho do Manifesto Antropófago – Oswald de Andrade “Nunca fomos catequizados. Fizemos foi Carnaval. O índio vestido de senador do Império. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses.”

Foi quando conheci pessoas plurais ao meu mundinho superior de pessoa que não assiste novela e reality show; que não ouve música do gosto popular, que não pula atrás do trio eléctrico; que ignora a própria saúde e não pratica exercícios físicos pois o intelecto é a única coisa que importa; e que ignora culturas religiosas de seus ancestrais. Nesse momento entendi como era preconceituosa e cheia de certezas vazias. Entendi que não só poderia como deveria absorver conhecimentos de todas as pessoas a minha volta sem julgá-las, assim como pessoas que eram doutoras e mestras se interessavam por minhas opiniões, sem me julgar inferior.

Me dei conta do quanto eu precisava aprender e esses aprendizados não estavam apenas em livros, monografias, teses e artigos científicos. Eu precisava aprender sobre gente com quem é gente também! Gente que tem doutorado. Gente que não sabe escrever seu próprio nome mas conhece contos e histórias do folclore, que tem receita do melhor xarope pra dor de garganta que eu já tomei, ou que conhece tão bem de cultura negra, capoeira e da vida de heróis que começaram a luta por igualdade entre brancxs e negrxs que coloca muito historiadorx no chinelo.

E com isso aprendi que achamos racismo, machismo e homofobia dentro do ambiente acadêmico, da mesma forma que cantoras de funk podem ser feministas e que numa família quem vai receber com mais carinho e respeito x seu (sua) parceirx homossexual é o seu avô de 80 anos de idade.

É vivendo e convivendo com a diferença que aprendo, aprender não é absorver tudo como esponja. Devemos engolir e digerir tudo a nossa volta, o que servir fica na gente, o que não servir a gente joga fora!

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