Caindo de Boca: receita de bolo, pau e reflexões biscates

Tamanho não é documento. Dizem e eu assino. Mas, às vezes, o assunto cresce, sob certo ponto de vista. Ainda mais quando tá à mão. Precisa só do jeitinho certo: ingredientes em temperatura ambiente, bater com jeito e esquentar. Como bolo. Ou pau.

duro como pedra

É que estes dias eu fiquei pensando (eu penso muito, vocês sabem, sou praticamente uma escultura de Rodin) como os fenômenos pauzísticos são distintos. Por exemplo, um dos meus primeiros namorados tinha um pau grande. Ora, pra que modéstia: um pau enorme. Mesmo quando domesticado. Era grandão, não crescia mais quando ele ficava excitado (ou crescia bem pouquinho). Era mais tipo um fenômeno “levanta-te e anda”. Ou algo como um gancho invisível que ia puxando aquele lance pra cima e: voilá, tudo pronto, o pênis praticamente não cresce, só enrijece e sobe. Não que eu esteja reclamando, veja bem meu bem, ficava mesmo (tô aqui procurando a palavra certa…) admirável. Tentador. Apetitoso. Como bolo de queijo, sabe coméqueé? Não leva fermento. Se você tem um liquidificador e um forno quente, já tem meio caminho andado. Mistura aí 3 ovos, 01 copo de leite, 01 copo de leite de coco, ¾ de copo de açúcar (se é chegado a um doce, coloca um copo todo), 01 lata de leite condensado, 2 colheres de manteiga cheinhas, 01 copo de farinha de trigo, 01 pires cheio de queijo ralado e 500g de coco ralado. Bate tudo no liquidificador, verte em uma forma untada e enfarinhada, leva ao forno pré-aquecido e deixa a mágica acontecer. É de lamber os beiços, garanto.

E tem aqueles outros, os que enganam. Estão por ali, miudinhos, discretos, às vezes até meio rosados como querubins e, patati patatá, um afago, um abraço mais jeitoso, um xêro no cangote e eles começam a colocar as manguinhas de fora. Ou seja, crescem e crescem. Quase todos até aquele tamanho – que eu não sei em centímetros mas sei em vivência – que é mais usual. Mas tem os que. Putz, crescem muito. Você quase não acredita (no caso, eu quase não acredito) que aquela coisinha miúda e fofa se possa tornar tão vermelho, pulsante e, pô, com o perdão da redundância, grande pra cacete. Eu sei, eu sei, elasticidade, irrigação, tal e tal, mas parece mágica. Enquanto o pênis versão 01 é uma beleza da mecânica, esse é quase místico. Dá uma certa reverência (deve ser por isso – e não por tesão em tê-los crescendo na minha boca – que gosto tanto de chupá-los). Essa é a turma do bolo fofo. Aqueles que ficam ali, discretos na forma, mas o resultado é de encher os olhos. Tem os elaborados, mas sou da turma dos facinhos. Vamos a ele. Pega 03 ovos, separa claras e gema. As gemas você mistura com 04 colheres de margarina ou de manteiga (bem cheias, viu, gente) e com duas xícaras de açúcar. Deixa isso quieto e vai ali bater as claras em neve. Capricha. Volta pra mistura de gema, açúcar e margarina e vai juntando e misturando 03 xícaras de farinha de trigo e 1 ½ xícara de leite. Tá tudo lisinho? Junta as claras em neve e 01 colher de sopa de fermento. Bota pra assar no forno pré-aquecido (prelimirares WIN) e voilá: cresce e fica com aquela crosta gostosinha e crocante.

E tem, claro, os que enganam por não enganar: são o tipo 3. Estão por ali, miudinhos, discretos, às vezes até meio rosados como querubins e, patati patatá, um afago, uma abraço mais jeitoso, um xêro no cangote e eles agem com os lá de cima: endurecem e sobem. Sem crescer nadinha ou quase nadinha. Não perceptível a olho – e, geralmente todo o resto – nu. Não que isso – ser pequeno – seja um problema em si. Tem posições (sem falar de outras medidas) que tornam o sexo ótimo. Não pensem que não tem bolo pra gente degustar nesse estilo. Tem sim. Fica chapadinho, mas quem se importa se o sabor é de virar os olhos? Bolo de banana, nhami, nhami. Faz assim: em uma tigela mistura 1 ½ xícara de farinha de trigo,  1 ½ xícara de amido de milho, 1 xícara de margarina, 2 xícaras de açúcar e 1 colher de fermento (mas não crie expectativas). Tá bem misturado¿ Esfarele com a ponta dos dedos até conseguir tipo uma farofa. Coloca metade dessa farofa em uma assadeira untada. Cubra com 06 bananas fatiadas. Coloca a outra metade da farofa. Aí bate 03 ovos com 1 xícara de leite e despeja em cima de tudo. Polvilhe com canela, se quiser decore com umas uvas passar e asse. Não cresce, mas fica saborosíssimo.

Atualmente, ando com uma versão 2. É meio um livro da Agatha Christie (pra mim, outras pessoas podem ter outra relação com os livros dela, então substitua pelo livro que quiser e que a fizer sentir assim): eu já conheço os personagens, a trama, o final, mas sempre ressurge a surpresa, o encanto, a magia. Não era e, de repente, sobra. Ui. É claro que entre uma Agatha e outra, sempre se pode ler uma coletânea de contos, um romance russo, um Sidney Sheldon que seja. Com uma xícara de café e bolos de todos os sabores, estilos e tamanhos. O negózi é o fogo.

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6 ideias sobre “Caindo de Boca: receita de bolo, pau e reflexões biscates

  1. Oi!
    Achei o texto perspicaz e divertidíssimo! =)
    Pena que não oferecia degustação, rsrsrs, fazer o quê… o mundo não é perfeito, já sabemos.
    Bjooo

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