Dando Um Empurrãozinho ou Sexo e Rotina

Por Verônica Mambrini*

Sexta-feira, mala pronta pra viajar, só esperando ele chegar para juntar as mochilas no porta-malas e cair na estrada. Será que dá tempo de uma rapidinha? Sem muitas preliminares dessa vez, só a pressa cedendo à urgência. Vai que dá! Então vamos.

Uma amiga tava pedindo dicas numa lista em como fazer a vida sexual andar. Porque ela gosta do esporte, até queria mais, mas chega em casa cansada e sem pique. E o par (felizmente) sempre quer. Proseamos como resolver a parada. Aí lembrei de bolas-fora e outras dentro.

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– Se você chega cansada, nada de embarcar no banho morno e massagem. Para quem está semi-morta, em vez de preliminar, vira um convite pros braços da pessoa errada: Morfeu. Vale mais uma ducha rápida pra acordar do que um banho longo para relaxar.

– Pensar em sexo já é parte do próprio sexo. Excitação, além de ser um processo físico, é um processo mental. Então me arrisco a dizer que esse é um dos poucos casos em que a correlação entre mentalizar e acontecer é direta e comprovável. Isso ajuda também a resolver o problema de descompasso entre um que chega zonzo e com a cabeça na lua e o outro que já está em ponto de bala. Ter e partilhar ideias no caminho do trabalho pra casa, mensagens sexys, uma pequena provocação, o assunto pulando safadamente no meio de uma conversa sobre qualquer outra coisa, tudo isso pode colaborar com o clima desejável.

– Se o querer sexo existe, mas falta pique de começar, por que não pegar no tranco? Começar mesmo sem estar louca de vontade pode ser suficiente para noite com final feliz, num relacionamento bacana. Se ambos gostam, a tendência é o prazer da relação começar a falar por si só, soterrando a preguiça, o desânimo e outros bloqueios. Indispensável que o ambos estejam tranquilos com a possibilidade de não pegar no tranco, se a tentativa não vingar. (por favor, pegar no tranco não é submeter-se à violência, mas dar aquele empurrãozinho, seja com imaginação, seja com carícias, pra desejo sexual comparecer)

– Simplificar é bom. Numa sociedade em que tudo tem que ser espetacular, inesquecível e performático, o sexo não escapa dessa sina. E com isso perdemos os pequenos prazeres de uma rapidinha inesperada, da falta de expectativas. Não ter pretensão nenhuma é uma delícia.

– Eu particularmente acho importante reservar um certo tempo para sexo na vida. Em outras palavras, priorizar. É muito fácil colocar uma pilha de outras coisas, sejam tarefas ou lazer, e acabar deixando passar eternamente. Claro que não é ter o sexo como uma obrigação a marcar com checklist, mas como algo que faz parte da rotina, prioritário e se nunca sobra tempo pra ele, pode ser sinal de alarme.

Claro que isso não é um guia salva-pátria. Não são nem exatamente dicas, mas muito mais uma perspectiva. Nem que eu quisesse saberia fazer um manual, pessoas são tão diferentes. Mas espero sinceramente que ajude a biscatagem a esquentar com mais ânimo os lençóis e os travesseiros (conjugais ou não).

vevê* Verônica Mabrini é jornalista, fotógrafa e feminista, uma gata de rodas circulando por São Paulo e você pode acompanhá-la pelos seus perfis no Facebook ou pelo twitter @vmambrini ou ainda no seu blog. Boa viagem!

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