Território

 Por Maycon Benedito*, Biscate Convidado

O mais antigo mapa de Portugal

Amor. Esse território em construção. Sem rosa dos ventos pra nos orientar. Território feito da colisão de dois mundos. Com suas tempestades, com seus desertos, seus oceanos. Toda uma geografia que se esbarra, que é reconfigurada. O território novo que nasce desse encontro é assustador, é encantador, é sedutor. Até porque cada mundo traz em sua geografia as marcas e matérias que trouxeram de outros encontros. Há cavernas não exploradas, tesouros escondidos, regiões que não se deve entrar. não por falta de permissão, mas por ainda não dispormos do material necessário pra exploração. Material que só vai ser forjado em conjunto. E que dependendo da relação nem chega a ser forjado. Tudo bem, relações não são inventários sobre o que o outro viveu. Nem tudo se fala e se compartilha numa relação.

Entretanto, esse território – como qualquer território – tem uma duração. É feito de matéria viva e como toda matéria se desgasta, se desfaz, se desmonta. É na relação do tempo —  que possibilita a efetuação do território —  e a paisagem pintada, que se revela uma espécie de maldição: Todo território é efêmero.  E sabemos disso. E dói. O desmonte de um território dói. A paisagem que construímos juntos e todos os elementos que faziam parte dela desaparecem. Na verdade, não desaparecem, tornam-se memória. Memória viva. É o registro no corpo da intensidade do encontro. intensidade marcando a pele. Memória viva em cheiros, em gestos, em olhares, em palavras. Os corpos que habitaram aquele lugar carregam em si a memória. Carregam na pele os nomes, os rostos inventados, os odores, as palavras…

Entre encontros e desencontros seguimos. Construindo territórios dos mais diversos tipos. Marcando as peles alheias e tendo as nossas próprias peles marcadas. Registrando no corpo a memória viva dessas colisões com outros mundos. Não há como escapar. Podemos, algumas vezes, cansados parar de participar dos encontros, mas a questão é que não há linha de chegada. Não há ninguém no final do nosso percurso com um caderninho pra julgar e dar um veredicto sobre esses encontros. Se fomos maus, se fomos bons. O valor desses encontros,  o que houve de bom, o que houve de ruim está marcado a ferro e fogo feito tatuagem em nossas peles. E que apenas a cada um de nós avaliar a qualidades dessas marcas. Registros do nosso percurso neste mundo caótico e das vidas que nós encontramos ao habitá-lo.


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maycon*Maycon Benedito é da “província litorânea” de Santos e diz que se mostra como é e vai sendo como pode. Atende no guichê tuíter pela arroba @MayconBenedito.

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