Cu de Bêbada (o)

Essa semana foi animada no BiscateSC. Tivemos dois posts (Meu cu não é troféuBunda de fora, salto alto de “fuck me”) que mexeram com as ideias e dedinhos das pessoas. Juntos tiveram mais de cem comentários até agora.O tipo de comentário recebido, em alguns casos, nos fizeram ver a necessidade de reafirmar algumas questões importantes nesse e para esse clube:

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— não há nada sagrado pra nós: sexo, maternidade, relacionamentos, militância, tudo isso não só pode, como deve ser questionado, contextualizado, inquirido. Esses e outros fenômenos sociais são, para nós, fenômenos construídos e construtores da estrutura, da cultura, das relações sociais e, como quaisquer outros, vulneráveis às características da sociedade em que se inscrevem, tais como o machismo, a homofobia, o racismo, etc. Também os entendemos como plásticos, dinâmicos e passíveis de múltiplos significados a partir das vivências.

— nas questões de violência contra a mulher nós não relativizamos. Achamos, mesmo, que essa é uma das facetas mais cruéis da cultura machista, a culpabilização da vítima. A insistência em justificar a agressão relacionando-a com a roupa, com os comportamentos, com a fala, com o trabalho, enfim, com aspectos da vida da pessoa agredida como se qualquer um deles pudesse minimizar o que ela sofreu é cruel. Pensamos que uma mulher deve poder fazer o que quiser com seu corpo sem viver sob a ameaça da violência por isso. Pode, nesse espectro, desejar e ser desejada e, mesmo, desejar ser desejada, seja por um homem, dois, muitos ou por mulheres. Defendemos que ser desejável não corresponde a “estou disponível para ser tocada/abusada/violentada” a não ser na lógica machista que acha que pode disciplinar o desejo e o comportamento feminino.

Não estamos aqui para determinar regras nem para sexo nem para feminismo. O que fazemos é levantar discussões, pontos de vistas que provoquem o pensamento e a reflexão de cada um de nós diante desse mundo estruturalmente machista, racista, homofóbico e cheio de preconceitos e moralismos que só servem para nos oprimir, encaixotar e transformar em seres ao molde dos outros. Se é para seguir um molde, que seja um nosso, a partir de nossas escolhas.

O nosso feminismo não aceita cabresto nem da sociedade patriarcal, nem de homens ou mulheres que ora decidam exercê-lo sobre nós e nem de outras feministas. Não queremos trocar o conjunto de regras-preconceitos-opressões sob os quais vivemos hoje por outro conjunto de regras-preconceitos-opressões, mesmo que este seja bem intencionado, enfeitadinho e travestido de discurso libertário. Liberdade é um exercício e lutar por ela uma escolha, que só tem valor se for um direito acessível a todxs.

Juntando os dois assuntos: cu de bêbada(o) [ou sóbria(o)] tem dona(o)! E a(o) dona(o) pode usar como quiser e como melhor lhe aprouver.

Resumindo, bem resumidinho, ficamos com Leila Diniz: “Eu posso dar para todo mundo, mas não dou para qualquer um.”

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4 ideias sobre “Cu de Bêbada (o)

  1. Gente, não acreditei quando fui ler os comentários dos posts sobre o (irc) Gerald e sobre o cú. Então ainda tem homens supostamente “esclarecidos” que constroem aquele tipo de raciocínio, usando a psicanálise pra justificar os absurdos que passam pelas cabeças deles??? Ai meus sais! E “feminista” querendo regular o cú dos outros ( ai meus sai em dobro, medo da ANFIOFÓ!)
    Fico em dúvida se é pura trollagem ou se realmente eles levam a sério esse tipo de discurso, como o do Oliver, do Tiago e do outro que não lembro o nome. Já a Lu, bem, nem precisa comentar…
    Outro dia estava numa mesa de boteco, desfrutando da companhia de alguns amigos muito queridos e não sei porque cargas d’água houve um comentário sobre alguém que terminou com a frase “eu não namoraria, não é mulher para namorar”. Eu respirei fundo e perguntei: porque não é mulher para você? E ele “Ah, mulher assim não é pra ser namorada, pra mim tem que ser mais familia, e a forma como ela age, se veste, se afirma, blá-blá-blá…”
    Meninas, meu sangue ferveu, e eu disse: ela é piriguete, biscate, né? E a resposta foi: é, tipo assim.
    Ai eu levantei a voz: Eu sou biscate. Com orgulho. E acho o fim do mundo alguém como vc, antenado, descolado, inteligente, vir com uma bobagem dessas pra cima de mim. Os ânimos esquentaram, e veio uma amiga botando panos quentes: Ah, Jana,ele não disse isso, só que ele não gosta desse tipo de mulher… E eu respondi: o que ele disse foi mulher assim não é pra namorar. Como se pudesse haver diferença, porque a mulher tem atitude, usa saia curta e gosta de dar o que é seu pra quem lhe aprouver. Esse é o mesmo cara que pega a menina de saia curta na balada e depois desfia o rosário do que fez ou deixou de fazer com ela. Esse é o mesmo cara que posa de moderno, antenado e descolado e diz: esse “tipo” de mulher que se oferece não é pra namorar. Não interessa se ele gosta ou não desse “tipo” de mulher, preferências são pessoais e pronto. Mas na hora que se coloca isso no discurso como uma generalização ele mostra o quão machista é, e me ofende na minha biscatagem, porque se eu for biscate assim, piriguete, não sou “boa pra namorar”. Ok, com ele eu não namoraria de qualquer jeito, mas e todas essas meninas que estão por ai, na balada, que vão na onda da moda Suelen ( que eu não gosto por razões estéticas),e que são vistas como “piriguetes e biscates” que servem “apenas” antes que a boa moça apareça pra eles casarem/namorarem? Porque se vestem de saia curta e salto fuck me please, e se permitem beijar um ou dois na balada, que jogam o cabelão fazendo charme, são menos merecedoras de respeito? Porque é esse papo: ela dá pra todo mundo-não serve pra namorar é um pulinho pro “ela tava provocando com aquela saia , no fundo ela queria”.
    Acho que me alonguei demais na minha revolta, hehehe.
    Obrigada de <3 pelo Club, é delicioso me permitir ser biscate e ainda achar um mooooooooonte de queridxs que sentem/pensam assim como eu.

  2. Quando as pessoas pararem de olhar para a vida dos outros e, principalmente, julgar as atitudes alheias as coisas vão começar a funcionar. Muitas mulheres têm a visão machista sobre sexo, achando que devem sim agradar os parceiros sem levar em conta o que sentem e o que querem. Da mesma forma que se preocupam se o parceiro vai aprovar ou não a roupa. Tá na hora de ligar o foda-se e cada um viver do jeito que quer, usando e dando o que bem entender… mas pq quer e não para agradar alguém.

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