Quando perco o equilíbrio!

Amanhã é um dia importante para pessoas que lutam contra a pedofilia! Esse assunto me tira de.órbita, me faz perder o equilíbrio. Sou uma mulher sexualmente ativa, feliz, mas fui uma criança vítima do abuso sexual. Fui também uma adolescente vítima do abuso, cantadas, passadas de mão. Mas, meu trauma vem de infância, desse primeiro abuso, numa idade tão inocente, onde nada deveria me fazer mal, onde deveria ser protegida. Proteção essa negada por uma das pessoas que deveria fazê-lo para proteger o abusador das acusações!

http://www.comitenacional.org.br/o-que-e-18-maio-000.php

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Essa semana discuti com os colegas de trabalho, chefe, uma psicóloga e advogado sobre o ECA, maioridade penal e violência sexual contra crianças e adolescentes. No momento em que falavam sobre violência sexual infantil, sobre a vítimas e x abusadorxs eu me encolhia, bambeavam as pernas, via tudo tremido. Como profissional, eu fiquei, fui mais forte, mas o assunto me faz mal, sou frágil a essa sensação de dor alheia, pois se assemelha a minha.

Apesar da vida ativa de Biscate sexual e politicamente, tenho traumas que nunca entendi mas são desencadeados pelo abuso na infância. Tenho um certo incômodo com visualizar sexo, filmes pornográficos, em sua maioria, me brocham, a voz muito próxima ao timbre da voz do abusador me incomoda. E o pior dos traumas, não consigo falar sobre o acontecido com a parte da família que fingiu que nada ocorreu. Demorei para perdoar esse grupo de pessoas, como um ser humano passível de erros, eu comecei a minha jornada de perdão.

O curioso é que eu me sinto menos mal com o fato do abuso do que com o fato desse abuso ter sido encoberto por pessoas que deveriam me amar. Não pergunte o motivo, só sei que passei muito tempo lutando contra a ideia autodestrutiva que não era digna de ser amada, que meu abusador merecia mais ser amado que eu.

Fui uma adolescente incomodada com o amor, demorei a amar. Sentia que se me liberasse para amar seria abandonada, preterida a qualquer outrx indivídux, não tinha valor para mim mesma, era o lixo do lixo! Como acreditar no amor se eu mesma não sabia me amar?

Foi com análise, arte, amor e muita vontade de amadurecer que aprendi que não era a culpada disso tudo. Aceitando a realidade, de que uma pessoa sou admirável, mas que, infelizmente, tenho alguns familiares machistas! Vivi por anos muito bem, até quase passar por isso novamente. Sim, passei pela tentativa de abuso sexual de um parceiro, que não viu, em momento algum, motivos para eu chorar, para eu pedir para que ele parasse. Eu estava distorcendo o amor dele, vendo tudo errado! Esse indivíduo, na minha opinião, tinha características de pedófilo, por histórias que me contou. Complicado saber quando um homem não vê diferença de idade como impedimento ou quando sua atracão por mulheres mais novas beira a pedofilia. Sem contar a possessividade, controle da vida de sua parceira, como se você fosse um cachorrinho preso em um canil. Incapaz de compreender o coração, a opinião e a decisão de sua parceira. Qual o motivo de ficar com uma pessoa assim? Fraqueza, talvez. Fui fraca, não reparei nos detalhes? Sei lá. O que sei é que meu corpo viu de novo aquele filme passar na frente dos meus olhos, enxergava ambos abusadores tão parecidos ao olhar seus rostos e eram fisicamente tipos opostos!

Estou convivendo, sobrevivendo com os traumas, que me fazem me sentir cada dia mais forte! Abuso sexual na infância, abuso sexual de um parceiro e assédio sexual, fantasmas meus que estou exorcizando. Acho válido falar disso por aqui, mesmo sendo um Blog divertido e irreverente! Nunca é demais falar sobre esse tipo de trauma!

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