Rainha Lilith

Lilith

Rainha Lilith, seu nome vem da criação do mundo cristão, a mulher que deus fez em igualdade com o homem e não aceitou ser submissa a Adão. Seu trabalho um tanto quanto polêmico, prostituta, mas não da forma que estamos acostumadas a ver por aí. Ela não faz qualquer sexo por dinheiro, ela trabalha com inversão e tortura, uma dominatrix. Aí começa minha dúvida, antes de conhecê-la via a profissão como algo que subjuga a mulher, fazendo-a menor e inferior aos homens que a pagam, mas, nessa história, vejo uma relação de homens inseguros, sem coragem de se mostrar como são realmente. Seus desejos são errados ao olhar de suas companheiras, como é difícil falar de sexo abertamente hoje em dia. O que sei é que a prostituição ainda é um assunto muito complexo, uma bandeira que não sei se levanto é pela profissionalização, mas há necessidade de se falar de segurança, de como essas mulheres são tratadas por seus cafetões. Vamos ler as histórias da Rainha Lilith, essas histórias nos fazem rever o clichê da prostituta, repensar em muitos preconceitos jogados nessa profissão. Ela conta que começou a fazer inversão para ganhar dinheiro por falta de grana, já gostava de inversão e sadismo no sexo, então decidiu usar disso para ganhar dinheiro. “Um dia, encontrando um cara que conheci na internet, contei que andava sem emprego, no final do sexo, o cara me deu um dinheiro de presente. Me perguntei se pessoas pagariam para esse tipo de serviço.” Ela trabalhou por pouco tempo com cafetão, por mais ou menos 6 meses, o cafetão era um safado, de acordo com Lilith, o dinheiro cresceu os olhos do cafetão, querendo que ela trabalhasse como louca, sem descanso, horário para almoço, atendendo mais de 5 clientes por dia. “Pode não parecer, pois não ‘dava’ para ninguém, mas me cansava muito, então não podia atender tantos clientes quanto ele desejava.” Mas como ela era a única dominatrix de Juiz de Fora, o cafetão queria conseguir o máximo possível de dinheiro com ela, muita procura e muito dinheiro em jogo. Dinheiro de vereadores, juízes, médicos, pessoas públicas e conhecidas na cidade, ela atendia pessoas vistas como acima de qualquer suspeita, pessoas que nunca a população imaginaria que procure esse tipo de serviço. A procura vinha graças a casamentos tradicionais com mulheres que não entenderiam seus desejos como apenas uma forma alternativa de prazer. Muitos clientes inclusive conversavam no final da sessão sobre a vida, conselhos e inseguranças, procuravam além da inversão a comunicação, não ter conversa com suas esposas também era frustrante. Apesar de existir o clichê de que prostitutas usam drogas, ela nunca usou drogas, conheceu muitas outras prostitutas que não usavam, mulheres que nem fumar cigarro fumavam. Então é necessário falar que não são todas mulheres perdidas em vícios, alimentando esse vício com dinheiro de prostituição. Lilith fala que essa ligação é um preconceito, muitas mulheres tem a prostituição como um emprego, igual ser manicure, diarista ou qualquer outra profissão. Queria deixar aberto esse espaço para diálogo entre a Rainha Lilith e xs leitorxs do BSC, assim como eu, sei que todo mundo tem a curiosidade de entender a realidade da prostituição, falada por quem realmente vivencia toda essa realidade. Estaremos disponíveis a responder perguntas sempre que possível via comentário e pelo meu e-mail.

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