Vamos amar?

“O seu sorriso é o que eu preciso

para abraçar o mundo e muito mais (…)”.

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amar faz falta…

Final de tarde chuvosa, uma velha e ranzinza sensação de que precisava de ajuda para sair de uma espécie de vazio esquisito. Tinha acordado tarde e fiquei parafraseando Criolo, cantando enquanto lavava a louça do almoço que “não existe amor em João Pessoa”. Pensei cinema. Tarde demais, tinha perdido a hora e então o resto de paciência zen e taurina conquistada com as horas em que brigo feito cachorro e gato comigo mesma para silenciar a ansiedade e que alguns chamam de meditação.

Então computador, claro. Conversas virtuais sobre solidão (ou algo assim) e música. Me mandam um link. Fiquei sorrindo bobamente. Para logo em seguida pensar com o coração entre as pernas. Não, não é bobeira ter a certeza da existência desse tal de amor. Com seus muito nomes.

E não é porque a alma gêmea, a outra metade da laranja ou a tampa da panela vá (como nos prometem livros e comédias românticas) um dia aparecer ou que já tenha aparecido. Não é só porque estou esperando que aconteça comigo algo como o relacionamento “perfeito” de alguns casais amigos que continuo enrubescendo em minha solidão, essa que independe de estado civil.

E nem sei se esperar é a palavra. Mas sei que. Sei por que minha tampa é adaptável ao meu tamanho. E vice. E verso. É do tamanho do mundo e cozinha com temperos outros, tais como amizade, livros, músicas e lembranças, um tempo de felicidade. Em fogo brando.

Sei por que já amei muito, por que amo todos os dias e também por que fui e sou muito, muito amada. Inteira e pela metade. Com beleza e também rancor. Com medo e em paz. Com ternura e morrendo de tesão. Por que sangrei e me machuquei, machuquei outras pessoas, enfiei os pés pelas mãos. Por que já desejei não querer mais sentir as pragas das perdas e de tanto adeus, que devastam o jardim de delicadezas e ilusão do “para sempre”, aquele que eu já observei encantada, com inveja da minha sorte e com meu apetite por intensidade saciado. Também porque continuo insistindo na lista dos impossíveis.

Sei, mesmo que eu nunca mais vá constar nas prioridades do tal do cupido.

Sei principalmente por isso, por que o amor não é só meu. Nem seu. E mesmo assim é. É.

Então… é isso… Façamos, vamos amar…

 

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2 ideias sobre “Vamos amar?

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