Cristina

(ando uma Biscate muito repetitiva)

Assistindo mais uma vez o filme Vicky Cristina Barcelona, ouvi de uma amiga o quanto Cristina se parece comigo! Essa sensação de nem sempre ser compreendida quando falo de amor e paixão, a visão machista que povoa a cabeça de alguns sobre a minha personalidade, mulher que “assusta os homens” (um tipo bem específico de homem), mulher de opinião, mulher que faz sexo sem compromisso, mulher que tem sempre um ponto de vista e adora falá-lo para todo mundo (eu falo demais).

Cristina - feita por Scarlett Johansson

Cristina – feita por Scarlett Johansson

Acontece que eu nunca me senti mal em ser essa Sara que vive intensamente tudo, a procura do que quer da vida e do amor. Falo que até hoje nunca descobri o que realmente quero, apenas entendi o que eu não quero. Sempre que entro em um relacionamento enxergo uma possibilidade de encontrar o que busco. Assim como Cristina, me reinvento e aprendo coisas diferentes em relacionamentos diferentes. Preciso admirar a(s) pessoa(s) que está(estão) comigo, geralmente homens e mulheres intelectuais, militantes e artistas, são pessoas que me admiram também. Não sou uma extensão de nenhum(a) dos(as) amantes que tive. Mas consigo me mesclar, absorvendo um pouco dessas pessoas, aprendendo a me modificar e, muitas vezes, deixando um pouco de mim com eles(as).

Cristina e Maria Elena

Cristina e Maria Elena – feita por Penelope Cruz

Vicky, ao falar de Cristina, explica o seguinte “ela tem a mentalidade de uma adolescente! E sendo tão romantica, ela tem tendência ao suicídio e, por um breve momento de paixão, ela abandona todas as responsabilidades.” Sou dramática, vivo muito do momento, já quase morri de amor muitas vezes, já tive certeza que amaria alguém pra sempre muitas vezes. E o mais gostoso disso é que eu realmente sou sincera, faço tudo pra que aquele momento seja eterno, dura meses, anos, semanas, dias e acho que o único erro que cometo é não deixar claro que o meu demais pode não ser eterno. Sempre ouvi que sou uma eterna adolescente, que vivo sem pensar nas consequências, teve uma época que tentei ser calculista, não deu certo, mas eu sei fazer planos, eu sei correr atrás de meus sonhos, eu só tenho uma coragem louca de jogar tudo para o alto para tentar algo novo, se o meu sonho antigo não mais me satisfaz.

Cristina, Maria Elena e Juan Antonio - Cristina era o ponto de equilíbrio da relação

Cristina, Maria Elena e Juan Antonio – Cristina era o ponto de equilíbrio da relação

Cristina e Juan Antonio

Cristina e Juan Antonio – feito por Javier Bardem

A paixão intensa vai acabando com o tempo, faz parte, mas já amei tanto a ponto de reinventar a paixão por anos a fio. E eu amo muito, amo sem ciúmes as vezes, as vezes amo possessivamente, tento tanto não ser possessiva. Fico sempre convivendo com o medo de ver pessoas como posses minhas. Estou aprendendo a não ter ciúmes, ainda tem momentos e pessoas que despertam minha possessividade, e eu me forço a não ser assim. Como quando Cristina passa pela primeira vez em que Juan Antonio e Maria Elena fazem sexo desde que Maria Elena foi morar com elxs. Ser livre é dar liberdade as pessoas a sua volta.

Esse filme é muito mais para mim que apenas um filme sobre triângulos amorosos, fala sobre aceitar a si mesmx e saber partir quando não nos sentimos bem em algum relacionamento. Não devemos ficar em nada que não nos faz bem. Mesmo que esse não fazer bem seja só uma vontade de tentar algo diferente.

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