Uma sucessão de não ditos

Milhares de palavras prontas para serem ditas, mas faltou a coragem, o tempo, a loucura, o álcool. Os não ditos estão soltos por aí. Sobram silêncios. Sobram também os silêncios. Porque ainda restam todas as palavras que nunca foram ditas vagando por aí. E o futuro que ‘a deus pertence’, não pertence a essas palavras. Nunca se saberá o que aconteceria se os não ditos tivessem sido, um dia, pronunciados.

Talvez causassem espanto, talvez fossem bem-vindos e em outras palavras encontrariam seus pares. Pode ser também, que passado o susto, caíssem no vazio de um coração que não as correspondia. Mas não se sabe. Nunca se saberá. Só se sabe o que não foi dito. A única certeza é que ficou a incerteza. O não dito existe, mas não tem eco.

silencio

Uma sucessão de não ditos

O não dito fica perturbando a alma, corroendo, imaginando o que poderia ser, mas que não será. O não dito é o fantasma. É aquilo que não cumpriu sua missão. O não dito sobrevoa o futuro, mas é um eterno presente. Aquela pergunta que não ousou escapar pelos lábios. Aquele pedido que revirou o estômago, palpitou o coração, parou na garganta e faltou coragem para ganhar a língua, os dentes, e se fazer vivo no ar.

O não dito persiste no peito daquele que não pronunciou. Fica ali, espreitando, esperando a hora para ser dito. Mas não será mais. Não existe mais endereço para aquelas palavras. Elas já não têm mais serventia. Vão ficar ali pesando no coração.

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