Fome

1Quero te comer, gostoso. Sussurro rouca e biscate tentando dizer dessa fome tanta. Antecipo-me satisfeita ao cheirar sua pele, que é meu petisco, manjar, prato feito, ambrósia, banquete.

Passando a língua por lábios até me perder nos seus tantos gostos. Porque o tempero na dobra do seu pescoço é um, diferente daquele do beijo no seu peito antes de dormirmos misturando pernas. Receita que aprendi pra te comer melhor, lobo mau.

Quero te comer sem saber se doce ou amargo, ou sabendo bem, mas inventando desculpas para experimentar o que de repente pode despertar outros apetites. Uma vez mais. Mais um pouquinho. Assim é gostoso também, pergunto e respondo rindo de mostrar os dentes.

2 (2)Ainda tenho fome se faço tudo igual. Nesses dias bebo café devagar enquanto abro armários e invento com o que tem um dia para chamarmos de nosso. Depois vou plantar hortelã, manjericão, pimenta. Belezas de cozinhar em fogo brando o que renasce das cinzas.

Desejo.

Quero te devorar agora mesmo. E sinto frio, calor, loucura de sem jeito bem no pé da barriga. Te comer, gostoso. Quero. Anuncio uma fome lenta e que me encharca o vestido. Gostoso! Grito de fome apressada, gemendo alto meu gozo no seu ouvido.

3De repente já é noite. E novamente. O poeta canta de matar a sede na saliva enquanto nua e tranquilamente caminho até a geladeira para encher nossas taças de mais vinho. E brindarmos juntos, meu pão. Minha Comida.

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4 ideias sobre “Fome

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