Você, meu koi no yokan

Um típico clichê da cidade de São Paulo. Japonesinho do interior, ex-uspiano, área de exatas, baladeiro, pequeno burguês, eleitor do PSBD (urgh!), sotaque marcado e seco. Nada sabe sobre feminismo. Até tem um pouco de medo dele. Pensa que toda feminista transa cheia de cuidados e regras.

Desconfio que estás errado. Fica comigo que te provo o contrário. Creio que meus cuidados e regras vão te aprazer. Mas sabe o que é pior de tudo, minha cara antítese? No centro pulsante da urbe paulistana e bem direto dessa inominável selva de pedra onde moras, é com o meu selvagem coração que você tem cruelmente mexido.

Mais do que uma canção safadinha de Renato Godá. Ah, muito mais…

Cena do filme Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima

Cena do filme Império dos Sentidos (1976), de Nagisa Oshima

E isso nada mais é que a prova cabal que existe SIM amor em SP, escondido em algum cantinho perto da Augusta, amor esperando convites pra sentar e tomar um chope com duas doses de cachaça. Amor ébrio, amor passageiro, amor líquido. Volátil.

Amor dito com carinho, chamando nomes no diminutivo,
Amor sonolento de pijama comendo carolinas.
Amor planejando viagens curtas, andando pra lá e pra cá de metrô.
Amor dormindo tarde e acordando cedo, com olheiras.
Amor elástico, compreensivo e não-exclusivo.
Amor de prazeres visuais e recíprocos.
Amor que ensaia um porre homérico a dois.
Amor que pede palavrões e cãibras.
Amor que faz cotações de vôos e exige um encontro urgente.

Amor de todo jeito, meio sim, meio não. Quente como nossas conversas e como o café que farei pra ti. Vem pros meus trópicos, japonês-burguês, pra gente refilmar o Império dos Sentidos aqui na minha ilha, a dois graus do Equador. Vamos fazer um pecado rasgado, suado e a todo vapor! Corre, meu koi no yokan…

* (em japonês, premonição de amor)

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