Lésbicas e famosas

Eu não sou lésbica nem bissexual e, por mais que empatize, reconheço que não faço ideia do que é sofrer diariamente com o preconceito, do que é crescer duvidando do seu desejo, do que é se sentir “por fora”, do quão dolorido deve ser viver olhada e rotulada  como “fora da ordem”.

Uma das dificuldades que vislumbro (me corrijam se for um equívoco) é crescer sem ter referências, personagens e personalidades caracterizadas positivamente com as quais se identificar. A cultura, heteronormativa, não cessa de apresentar indicações de casais, situações e pessoas hetero admiráveis mas silencia e escamoteia pessoas, situações e casais lésbicos ou bissexuais. O exercício da sexualidade da mulher, alvo de repressão de maneira geral, é acentuadamente suprimido quando é exercido por duas mulheres, penso eu.

Pensando nisso preparei essa lista de pessoas que se destacam/destacaram e que viveram as dificuldades e as belezas de serem lésbicas ou bissexuais. Decidi citar apenas brasileiras porque a) é um pouco mais fácil achar listas com lésbicas famosas de outros países (por exemplo, aqui); b) no que tange a identificação, quanto mais próxima de nossa realidade, mais simples e construtivo o processo e c) elas são lindas, são fortes e conseguiram lidar com a cultura machista e lesbofóbica brasileira. tentei colocar link em cada uma para, caso haja interesse, saber mais sobre elas (mas não consegui de todas). Voilá, a lista:

Cássia Eller, cantora e violonista, artista brasileira de grande destaque no rock brasileiro. Bissexual, morava com sua parceira Maria Eugênia Vieira Martins, que ficou responsável pelo filho de Cássia quando esta morreu.

Valéria Melki Busin, lésbica, envolvida em ações de visibilidade e respeito pela diversidade, psicóloga e trabalha na organização Católicas pelo Direito de Decidir. É autora de dois livros publicados pelas Edições GLS: O último dia do outono e Lua de prata.

Laura Bacellar, escritora e editora brasileira, fundadora da primeira editora gay brasileira.

Marina Lima, bissexual, cantora, compositora e apresentadora, artista brasileira que fez sucesso principalmente nos anos 80 e 90.

Jéssica Andrade, a “Bate-Estaca”, lésbicaparananese e lutadora de Ultimate Fighter. 

Daniela Mercury, baiana, cantora, compositora, dançarina, produtora, atriz e apresentadora de televisão brasileira e que recentemente assumiu um relacionamento com a jornalista Malu Verçosa.

Filipa de Sousa, portuguesa residente na Bahia que foi perseguida, presa e açoitada durante a Inquisição por práticas nefandas, a saber: ser lésbica.

Mayssa Pessoa, paraibana, goleira da seleção feminina de handebol.

Simone, cantora de destaque na MPB, casou com Ìsis de Oliveira em um ritual religioso alternativo na décado de 80.

Preta Gil, cantora, atriz e apresentadora assumiu sua bissexualdiade no 8º Seminário LGBT na Câmara dos Deputados.

Cassandra Rios, escritora brasileira, uma das autoras mais vendidas dos anos 60 e 70. Também foi uma autora perseguida pela censura na época da ditadura dado o conteúdo de sua obra, que era considerada pornográfica, ao tratar de temas tais como homossexualidade feminina e relação entre sexo e religião.

Ellen Oleria, cantora brasiliense que se destacou ao solicitar que a Rede Globo creditasse como namorada, Poliana, sua companheira que a acompanhava na competição.

Vange Leonel, paulista, cantora, compositora e escritora.

621852_605867999463657_2056056428_o

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

8 ideias sobre “Lésbicas e famosas

    • Oi, baby,

      é que eu procurei colocar apenas aquelas que eu encontrei uma afirmação clara sobre a própria sexualidade – ou uma repercussão histórica substancial. Mas, claro, bethania, deusa <3

  1. gosto de todas.
    Acho que cassandra rios é uma injustiçada na literatura também.
    bethânia se algum dia cobrada irá dizer que nunca escondeu ou negou, mas também nunca vi uma declaração escancarada.
    da adriana eu já vi ela falando do casamento com a filha do vinícius (como não deixou adriana dar um autógrafo para uma amiga, acho ela ridícula), mas não vou me lembrar em que site.
    como sabemos como é a silva, não dá para cobrar, mas que seria bom elas falarem mais, seria.

    • Também acho que quanto mais visibilidade, melhor. Mas também entendo as agruras de assumir um lugar diferente, especialmente no que tange à sexualidade e ao afeto. (e eu num sabia desse bafafá de ciumeira)

  2. Pingback: A Semana: Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *