Para falar de amor. Amor entre mulheres

 Para falar de amor. Amor entre mulheres

Para falar de amor entre mulheres. Porque aqui nesse Clube eu já escrevi sobre sexo, sobre sentires, sobre. Com e sobre mulheres. Duas, ou mais. Porque meu mundo se forma e se desenha com o feminino. Também. Sou, e me relaciono, e amo. E trepo. E desejo. Mulheres, lésbicas, tenha o nome que for. Não importa o nome. Eu apenas quero viver, e poder ser. Visivelmente. Sem máscaras nem esconderijos.

Hoje, nessa quinzena de visibilidade, eu quero falar de amor. Porque amor é amor e sempre será. E entre mulheres pode e deve ser quando é. Amor é arrepio bom e aquecimento da alma, e é bonito como for. É digno de respeito e de ser espalhado nas ruas, solto nos ventos, semeado nas cidades e plantado nos campos em flor. Estampado nas revistas, colorido nas paredes, vivido nas esquinas.

O amor que eu aprendi assim, tão livre, tão íntimo e tão profundo, foi com uma mulher. E é para ela que eu escrevo hoje. É para ela que me forma e que me ensina a mim mesma que eu escrevo esta carta.

Eu amo você, moça que me faz feliz em distâncias e presenças fundas. Que me penetra e me devolve inteira para eu ser eu mesma. Gratidão, por tudo.

 Para falar de amor. Amor entre mulheres

Para uma mulher em seu mar inventado

Era assim que me dizias. Uma terra é nossa como uma pessoa pode nos pertencer: sem nunca dela tomarmos posse”. Mia Couto. In: Antes de nascer o mundo.

Gosto do seu mundo particular. Gosto, e aprendo cada dia mais, a zelar também pelos seus silêncios e seus mergulhos. Seus espaços de fundo de mar, quietos, e só seus. Suas ausências de ar exterior, seus respiros internos tão necessários para que você seja você, no ritmo da sua existência. Zelo com preces de bem querer. Por você em seus sagrados e profanos, em suas metades e inteirezas, em suas buscas, em suas vibrações, em suas dores, intensidades e alegrias miúdas e grandes de cada dia.

Respiro fundo junto, enchendo os pulmões de amor e de liberdade de ser. E admiro. Admiro essa mulher só em suas profundezas existenciais, de quem ser quer mais e melhor a cada dia. Essa mulher viajante em seus próprios passos, que caminha e se equilibra em suas próprias pernas, sem subterfúgios. Com medo e com coragem. É bonito. Aprendo a lhe amar cada dia um pouco mais, um pouco diferente, um amor que se transmuta e deixa ir, que se perde e se encontra nos muitos corredores do que pode ser, e do que é.

Sim, eu lhe desejo. De um jeito livre que comporta hoje muitas formas de existir. Você sabe, eu sei, mas que seja. Aqui de longe eu solto a pipa das mãos. Deixo-a voar com o vento, vermelha, no meio das nuvens e das rotas perdidas das estrelas.

Não, eu não tenho mais medo dela nunca mais voltar. E nem de voar junto. Eu a assisto voar longe, com os pés fora do chão. E meu corpo se solta em um destino porvir. Danço, remexo, reviro. Os fios soltos, os cabelos revoltos e os olhos úmidos, a transbordar o rio que corre por dentro.

E de repente tem que um quê de tristeza, sim, por vezes o amor é triste. Mas é a tristeza do belo que se esvai e não se retém, a tristeza mansa de se saber finito e de já ter estado lá: no colo do amor. E de saber que esse amor que nos toma também é etéreo, que não nos pertence, que ele nos perpassa e nos forma e também é filho do tempo. Imperecível na memória. Cheio na saudade. Areia fina que escapa por entre os dedos, correndo sem rédeas para o outro lado da ampulheta.

Então, deixo ir. Com poesias mais retas e mais sinceras. E com entrelinhas, para te deixar caminhos imaginários e sólidos de amor. E por entre os caminhos, sorrisos de silêncio dourado e fita amarela, para que você desembrulhe e adivinhe alguns segredos contados em céus de noite aberta e lua branca.

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Esse texto faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love

 

 

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