Para não mais voltar

Quando eu fui, fui sem fazer alarde, devagarinho, mas com passos firmes de quem sabia que era chegada a hora de ir. Fui para não mais voltar.

Quando eu fui, fui na calma de quem sabe o caminho a seguir. Sem estardalhaço, sem gritos, sem cena. Eu saí de cena.

Quando eu fui, não fui lamentando o que ficou para trás. Nem mesmo pensei que tinha demorado a ir. Quando eu fui, fui na hora certa, no exato instante. Não fui com a impressão de que já ia tarde, embora tenha esquecido a carteira de identidade.

Quando eu fui, não fui pensando na dor, na mágoa, nas feridas. Eu fui pensando na alegria que me aguarda, no conforto que me espera. Na paz que anseio.

'eu bato o portão sem fazer alarde'

‘eu bato o portão sem fazer alarde’

Quando eu fui, não fui para deixar você. Fui para me encontrar comigo mesma, para me abraçar de novo, me acalentar. Fui para não ter vergonha dos meus desejos, da minha vida.

Quando eu fui, eu fui a tempo de ainda poder gostar de você. Eu fui para não te odiar, para não me odiar. Eu fui para relembrar que não é possível ser feliz sem mim. Eu fui para continuar sendo quem sou.

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2 ideias sobre “Para não mais voltar

  1. Que texto tão lindo! Apesar da referência à música de Chico, no fim da leitura fiquei cantarolando: ” coisa que gosto é poder partir sem ter planos. Melhor ainda é poder voltar quando quero”.

  2. Obrigada, Manu! Taí, ainda não tinha pensado nessa possibilidade de outra partida. E olha que amo essa música também. “Partir sem ter planos, voltar quando quero”.

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