O amor que nunca morre

Você se lembra? Era assim: a gente ria, brincava, bebia, coçava e dormia com a paz dos justos. Não éramos justos, mas também nunca fizemos mal a ninguém. A gente ia reinventar um mundo, um outro no qual caberia aquilo que éramos e que estivesse cheio de amor. Mas nunca fomos egoístas e a gente sabia que tinha mais gente que queria um mundo bom e justo e a gente também queria que essa gente toda coubesse nesse mundo.

 A gente fez tantos planos para viver juntos. Um bar. Um bar de chão de brita pra gente dançar bem muito e sair com as pernas doendo. Um bar em que só se podia entrar de sandália de couro ou tênis surrado. Nada de salto, nada de plumas e paetês, nada que cheirasse a ostentação, nada que lembrasse aquele mundo que a gente nunca gostou. Mas era um bar biscate porque, ainda que não soubéssemos, sempre fomos biscates.

 A gente fez tantos planos para viver separados. Eu ia pro mar. Você ia por aí. Não sabia bem pra onde queria ir, só sabia que queria. Mas, no fim, a gente sempre se encontraria e viveria junto. Para sempre. Porque sempre achamos que somos imortais e o exagero era nosso companheiro. A única coisa que nos matava era o tédio, e aquelas pessoas tão acostumadas ao mundo torto que achavam que ele tinha sido desde o início assim: feio, injusto, violento, com gosto de chuchu. E justo nós que sempre amamos uma pimentinha, uma cachacinha nunca conseguimos acompanhar essas pessoas.

Porque amizade é o amor que nunca morre

Porque amizade é o amor que nunca morre

 E nos planos não contamos com a saudade. Ah, sempre ela a nos doer. Às vezes muito, às vezes pouco. Mas sempre ali à espreita. E a gente tenta enganá-la com conversas longas, com cartas longas, com promessas de encontros que nunca aconteceram. A sua estrelinha está guardada na caixinha esperando você chegar. Não mando pelo correio porque tenho medo de que ela se perca. E ela me dá sempre a esperança de te reencontrar, te abraçar, te beijar, e saber novamente que o mundo é nosso. De novo.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

2 ideias sobre “O amor que nunca morre

  1. *Desculpe pela falta de acentuação!

    A saudade se multiplica a cada novo voo, novo destino e horizontes. Eramos e somos sonhadores, inconformados com nossas próprias profissões, querendo mudar o mundo. Na verdade estamos constantemente construindo nos mesmos, nossas ideologias e aspirações. Era no boteco onde passávamos horas conversando sobre o que queríamos fazer da vida, pra onde ir e o mais importante:

    Porque o desejo de partir nos consumia?

    Nunca tivemos muito luxo e dinheiro sempre foi algo necessário para manter nossa boemia e alguns poucos prazeres – incluindo viajar. Aprendemos a viver com pouco e nossos olhares se espantavam em cada esquina de ostentação do Planalto Central do Brasil, onde carros e roupas de marca se tornam identidades e afirmação pessoal.

    Nosso bar de chão de brita continua um projeto para o futuro e confesso que me faz rir ao lembrar de cada detalhe planejado. Juntos fomos a Salvador, a Goias e outros destinos – continuamos juntos ainda que separados. A beleza da amizade e que ainda de longe desfrutamos da mesma cumplicidade de sempre e isso e eterno.

    A cada novo horizonte desbravado, eu como viajante e como amigo, sinto mais saudade e um aperto no coração de pensar que você poderia estar aqui comigo, descobrindo novos povos e se encontrando diante de culturas diferentes que, no fundo, possuem os mesmos anseios.

    Se não conseguimos reinventar o mundo como sempre sonhamos, podemos ter a certeza de que reinventamos nossos próprios destinos – porque na verdade somos limitados, mas sempre esperançosos. Nos vemos qualquer dia desses em algum lugar decadente e poético como de costume – e por favor, um sambinha bom e ideias borbulhando. Essa e a nossa loucura!

    “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.” – Jack Kerouac

    Phnom Penh, 23 de Setembro de 2013.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *