Helga

@m@r

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

Helga Bevilacqua, Autora do livro @m@r, nasceu em 1982, no interior paulista, em Sorocaba. Foi batizada com nome de pseudônimo, mas gostava tanto de histórias, que acabou tendo uma vida de personagem. Agarrou-se na primeira pessoa, para viver na terceira. Do singular. Fez direito para errar na vida, e quando se deu conta de que a borracha havia acabado, tornou-se um projeto de escritora e passou algumas madrugadas arquitetando tudo em um blog, o sobrenomeprojeto. Em 2010 escreveu a performance Delas. Em 2011 tornou-se colaboradora da revista virtual Mundo Mundano. @m@r é o primeiro trabalho publicado pela autora.

“Um dia eu ouvi de um escritor que se você vai colocar um livro no mundo, você não pode escrever qualquer livro. Porque de livros o mundo já esta cheio. Basta dar uma olhada em qualquer livraria! Por isso, se você for escrever um livro, escreva algo que realmente importe para o mundo…

Bom, eu não preciso nem dizer quantas vezes essa frase me fez sentir uma pessoa incapaz. Ou uma ostra, que deveria permanecer quieta e fechada tentando fazer pérola. Afinal, o que teria eu para falar que fosse algo realmente importante para o mundo? Isso é muita coisa. E eu nem me sinto tão importante assim.

Para piorar, eu sempre tive um amor infernal por livros. Amor de todos os tipos. Teve livro que eu fiquei, teve livro que rolou só um sexo casual, teve livro que eu amei (com direito a borboletas no estômago), teve livro que eu casei. E esses eu deixo na estante com as folhas dobradas, para ler de vez em quando as frases que gosto e recuperar a esperança no mundo…

Helga no Memorial

Enfim, mas de alguma forma todos os livros que passaram por mim, deixaram alguma coisa. Troquei algumas pessoas por livros, nas vezes que me senti incapaz e torta demais para o mundo. Porque livros são quase como se fossem pessoas, das quais nunca saíram do papel. Achei que livros eram lugares mágicos, reservados à gente excepcional, tipo a Clarice Lispector, o Amyr Kilnk, o Marçal Aquino, o Marcelo Rubens Paiva, a Virginia Wolf, o Bukowsky, o Leminski, a Xinran, o Nietzsche, e tantos outros… Pensava que livros não eram somente casas de palavras. Eram espaços de encontro entre corações desconhecidos. Livros, para mim, são muita coisa.

Mas, independentemente dos livros, eu demorei muitos empregos, muitos namorados, muitas horas de terapia, gastei muito dinheiro e muito tempo, para finalmente entender, que mesmo que isso não seja uma profissão ou um meio de ganhar a vida, escrever é o que eu mais amo fazer. E foi por meio da escrita que eu penso que conquistei uma das melhores sensações do mundo que é a paz no silêncio. Ou o que muitos poderiam traduzir como satisfação. Foi escrevendo que eu dei forma a tristeza, para depois, deixa-la ir embora. Foi escrevendo que ganhei amigos, ganhei histórias, cativei pessoas, seduzi, ganhei presentes de verdade, da vida. Foi escrevendo que eu conquistei um elenco incrível de 11 artistas que formam o Delas e contribuem com tanto talento para dar formas a tantas palavras, que hoje, não me pertencem mais. Foi escrevendo que eu me descobri feliz. É escrevendo que eu respiro.

Eu não sei se fui capaz de escrever algo muito relevante para o mundo (sinceramente acho que não). Mas acho que também não escrevi um livro somente para enfeitar a prateleira de uma livraria, ou para fazer um lançamento.

Escrevi um livro porque eu amo escrever e acho que é isso que eu sei fazer de melhor. Por todos os caminhos que percorri até aqui, acho que eu aprendi (de um jeito nem sempre fácil) que quando a gente faz algo que realmente ama, e isso é incondicionalmente verdadeiro, isso é, de certa forma, contagiante. Acho que quando a gente faz algo que realmente ama, a gente acaba fazendo bem para o mundo. Mesmo que indiretamente…”

Foto: Antonio Miotto

Foto: Antonio Miotto

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