Você ainda sente?

1Na espera foi quando lembrei. Tua língua luz brincando de fazer-me sombra. Não me escondi.

Com mãos de expectativa abri o chuveiro e as lembranças jorraram. Peguei uma barra de desejo e lentamente, em círculos lentos, antecipei sua língua.

Encarei com audácia o frio na barriga e fiz dos cabelos promessas. O óleo escorrendo como minha pele de encontro à tua mão. Os pelos, assim como algum medo que pudesse restar, retirei cuidadosamente.

3Ensaio.

Então perfumes e cremes para serem cheirados. Calcinha nova e vestido bonito para serem arrancados. Sorrisos ensaiando sedução antiga na frente do espelho.

Saio.

Música demais, vinho demais, conversas demais. Tudo reverbendo sua ausência.

Até que sorrimos o tempo de nossa separação num olhar. Tão simples.

Cerveja e sua boca. Os amigos em comum tocando violão e nós nos afastando do tempo que ficamos distantes. Você me tocando enquanto sussurrava a morte de tanta saudade.

4A noite tinha então poucas luzes e você fazia-me tantos e conhecidos carinhos alegres. Coloquei a calcinha de lado e o desejo estava na minha e na tua boca. Em nós tudo úmido, acre e pulsante.

Finalmente perguntei.

Você ainda sente? Sente? Sente?

Até que nossos gemidos se tornaram novamente certezas.

5E reencontro.

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