Uma homenagem como uma flor

E, numa semana de tantas discussões, debates e confusões, de tanta energia gerada e dissipada, de tanto grito não-ouvido, eu queria deixar uma homenagem e evocar uma memória. Uma homenagem como uma flor branca à beira mar. Pousada na espuma. A flor branca, como homenagem, vai pra um guerreiro suave. Que já foi pra outras aventuras. Um guerreiro que tava aí na luta, com persistência, com teimosia, com garra sempre. Um guerreiro-caranguejo, como seu signo ascendente, que sabia andar de viés. Sabia parar, sabia ouvir, tentar entender as razões do outro, pra fazer uma pausa e voltar então por outro caminho, com novas palavras que cabiam melhor, que seriam mais bem acolhidas. Que seriam ouvidas, talvez.

Um cara que sabia que esperar não é desistir, se a vontade existe. Se a confiança no caminho existe. Sabia que há adversários e adversários, e que nem sempre a confrontação direta é o melhor jeito. Até porque certos adversários nem sabem que são adversários: muitas vezes crêem, ingenuamente, estar do mesmo lado que a gente. E até querem estar. Só que por força das circunstâncias, pelo olhar sobre o mundo a que foram acostumados, pelo ângulo da janela onde estavam, por tantos motivos, tantos, atrasam a luta em vez de fazê-la avançar.  E aí? O que fazer? Descartar? Confrontar?

“O malandro anda assim de viés”. Come pelas beiradas. Escuta as razões e os sentimentos. Presta atenção na intenção. E na intenção é que foca pra ir além. Porque a resposta pode estar errada, pode não ser a ideal nem a que a gente queria: mas o que era que se estava tentando dizer? Ele recomeçava devagar, argumentava com voz mansa, dava exemplos, movia os dedos longos enquanto tentava explicar da melhor forma, com imagens, com histórias. Generosidade na luta é entender que nem todo mundo chegou onde você chegou, e isso ele tinha de sobra. Tem hora que é preciso parar, dar um calço, botar um apoio pra que os outros venham também. Os outros, e alguns daqueles a quem a gente chama de adversários. Que não o são necessariamente. Há que respirar, há que incorporar olhares e contares, sem perder o foco de vista. É ali que a gente quer chegar: qual é a parte do caminho que dá pra gente fazer juntos? Qual a sua bagagem, quais as suas dores, quais as suas esperanças? Essas as perguntas que importam, que devagar também é pressa.
E ele sabia.

Fica a flor, fica a beira-mar, a saudade dos dedos longos, da fala mansa, da generosidade. Fica a evocação, pra que nos ajude na caminhada. Que ainda é longa. Que ainda será.

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4 ideias sobre “Uma homenagem como uma flor

  1. Ah, que lindo, Renata! Que guerreiro lindo e amoroso. É nesse tipo de luta que eu acredito. Posso juntar uma florzinha na espuma, do lado da sua, nessa homenagem?

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