Histórias de horror: pergunte a uma mulher

violence-against-women-facebookDomingo, mais ou menos umas 17h. Estava voltando do mercado quando um vizinho e grande amigo me chama para alertar a respeito de uma cena que ele viu, ao ir para o trabalho, na madrugada daquele mesmo dia: uma moça semi-nua, em desespero, cercada por policiais e moradores do entorno. Ela tinha acabado de sofrer um assalto, seguido de estupro.

Moro na periferia da zona norte de São Paulo e este é o terceiro caso que soubemos, num período de 10 dias. Sim, DEZ dias. Três garotas foram violentadas praticamente no “quintal” da minha casa. Poderia ter sido eu. Ou minha mãe. Ou uma amiga querida. E mesmo que não tenha sido com uma conhecida, foi como se eu tivesse sentido a dor dela em mim.  E sou capaz de apostar com vocês que toda mulher já pensou duas vezes antes de sair sozinha ou de confiar em alguém, temendo pela própria integridade.

16dias20081Situações como a que descrevi acima estão longe de serem restritas às periferias das grandes cidades. Acontecem todos os dias, no país inteiro. Basta ser mulher para ser uma vítima em potencial e para ter medo. Isso quando o estuprador não é alguém da própria família ou do convívio da mulher, característica da maior parte das ocorrências.

Sendo assim, não acho verdadeira a ideia de que nós mulheres  temos o nosso direito de ir e vir, e de ocupar os espaços públicos garantido. Estamos submersas ainda em uma cultura de estupro, que culpabiliza a vítima pela violência sofrida. E nossa sociedade e nossas autoridades estão muito despreparadas para dar assistência à estas mulheres e para coibir este tipo de crime.

Estupro não é sexo. É uma das mais cruéis formas de violência contra a mulher, que pode vir a destruir a sua vida e auto estima de um jeito muito difícil de ser superado. Estupro é tentar destruir alguém para mostrar poder. Todo ativismo contra ele é absolutamente necessário e nunca é demais. E se você ouvir falar de alguém que sofreu esse abuso, não pergunte que roupa ela estava vestindo, se ela “provocou” ou o porquê dela andar sozinha à noite. A culpa não foi dela.

Queria muito viver para ver o dia em que nenhuma mulher precise sentir medo.

Para saber mais: Número de estupros supera o de homicícios dolosos no país, diz estudo. (G1)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *