sobre jaquetas jeans com caráter e amor de bicho solto – ou o que eu aprendi em 2013

Por Cíntia Moraes*, Biscate Convidada

deixar-se livre é dessas coisas mais bonitas que aprendi com as porradas que o coração levou. deixar-se livre significa muitas coisas, entre elas, que estar sozinha é bom, que estar com alguém também é bom, que esse “estar” pode ser de muitos jeitos e que “bom” é aquilo que te cai bem naquele momento.

não tem muito isso de “eu era assim, agora sou assim”, parei de ficar tentando definir demais as coisas numa tentativa de explicar pra mim mesma e apreender tudo o que acontece comigo. não que não seja importante refletir sobre sentimentos e situações, mas parei de tentar encaixar tudo em quadradinhos que fizessem sentido, resolvi deixar solto. e me vi assim, muito bicho solto também, nesse meio de caminho.

e bicho solto não significa, talvez, não se prender. significa deixar que os encontros fluam com mais liberdade, significa permitir a esses encontros a possibilidade de serem o que vieram pra ser, ainda que seja pouco, ainda que seja muito, ainda que seja diferente de tudo que eu já vivi, mas gosto de pensar que são o bastante.

libertador.

não tento convencer a ninguém de que esse é o melhor jeito de se levar, mas me pareceu tão bom por agora que, nossa, deu vontade de dividir. fazia tempo que eu não dividia isso de sentir, porque eu sempre deixava pra dividir o que era dor, o que era aperto, o que era sufocante e exaustivo, eu escrevia para transbordar. escrever com essa paz é muito novidade pra essas bandas de cá.

gosto de gostar assim e de estar assim. fico bem. demorei a descobrir que nem tudo precisa ser desesperado, ainda que não signifique que não será intenso.

nisso de ser bicho solto eu andei arrastando minha jaqueta jeans muito velha e muito cheia de caráter por mais lugares, conheci mais pessoas e tenho vivido meu tempo numa conta mais frouxa. e o espelho não mente: tá tudo bem agora.

não sei se estou bicho solto ou se sou bicho solto, mas gosto de pensar que bicho solto é como um passarinho que você não prendeu na gaiola, mas que sempre volta pra cantar na sua janela. porque, eu sei, eu sempre volto, mas gosto de pensar que agora eu não “preciso”. eu volto porque a vida me faz voltar, e nessas voltas, os encontros fluem, se desenrolam, mas o sentimento não é jaula mais. deixar livre – a mim e ao outro – é minha única resolução de ano novo.

cintcha

*Cíntia Moraes é ex-jornalista, feminista e caipira.

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