Labirintos

downloadHoje eu me encolhi entre lençóis depois de pensar muito abraçada a uma solitária taça de vinho. Era tarde, como sempre, e todos dormiam nessa casa que não é mais minha. A chuva de mais um verão fez correr um Rio Lete entre as minhas pernas, apagando com doçura e uma sabedoria mais antiga que o tempo os resquícios das suas mãos no meu corpo.

Persistente, a matéria era a própria chuva. Também o telhado protetor e a trama que me aquecia. O livro que me sussurrou soltando odores dos antigos mitos, o DVD de quase agora. Minha certezas escoando em letras nesse papel.

Com elas te digo. Encontre seu próprio fio, homem, ainda tenho muitos labirintos a construir. E porque hoje eu paguei ao barqueiro com minhas últimas três moedas também confesso: foi com todo o peso da minha carne que eu te amei.

Quis essa casa de muro-baixo por sem medo e casal sorridente dentro. Ser a mulher que ontem mesmo preparou o café da manhã com cuscuz vitamilho e margarina delícia, beijou os filhos, alimentou o cachorro e as promessas para um logo mais à noite.

Quis o simples. Mas eu não sou.

Adeus, Aquela.

mulher-segurando-malas-4190

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *