Sociedade de Exceção: Violência e Minorias

A idéia de excepcionalidade. A Exceção. Não no Estado, que é uma categoria jurídico-política específica, mas na sociedade. Ser uma excepcionalidade na sociedade, ser tratado como diferente, querer ser diferente, lutar pelo direito à diferença. Questões que se colocam e que perturbam justo quando ser essa diferença resulta em violência, marginalização, morte!

The Barn - Paula Rego, 1994. A normalidade e a Agressão

The Barn – Paula Rego, 1994.
A normalidade e a Agressão

Não é à toa que assistimos atônitos na última semana, o caso do jovem Kaíque (leia aqui), negro, homossexual, pobre, encontrado morto, com sinais de morte brutal e completa desfiguração. Ser diferente, em nossa sociedade resulta em ser exceção. Não apenas no sentido de ser excepcional, mas e principalmente no sentido de ser excluído e, por fim, eliminado.

A idéia de uma sociedade de exceção é justo essa que impede, mesmo que para isso seja necessário o extermínio, o diferente. Arraigada em preconceitos patriarcais, conservadores defensores de uma “normalidade” ou, no caso, uma heteronormalidade e heteronormatividade, essa sociedade nos apresenta quase que uma pulsão de morte, ou seja, para se integrar a ela, temos que excluir toda a individualidade e subjetividade do nosso ser, nos excluindo como pessoa. Participar de uma sociedade de exceção é minar a própria existência em prol de algo que sequer sabemos se valerá a pena!

É essa sociedade de exceção, também, que é capaz de classificar uma morte brutal como a do joven Kaique, que teve TODOS os dentes perdidos, traumatismo craniano e cerebral e fraturas expostas nas pernas como SUICÍDIO. E que não se alegue incompetência! A principal característica desse tipo de sociedade é a ocultação dos crimes de ódio, para que não se exponha a violência que sustenta sua normalidade.

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by Laerte
“A Exceção: Anormais e Normalidade”

Essa sociedade, de uma forma perversa e deliberada, atua no combate ao diferente atuando, para além do seu extermínio, na sua ocultação. Essa decisão, para além de uma ação criminosa, é uma decisão política, certa e convalidada pelos membros dessa sociedade, que preferem, em seu estado de alienação ruminante, concordar com o dado produzido institucionalmente pela polícia de estado (ver sentido amplo de polícia como instâncias de controle da vida) a questionar quaisquer informações produzidas sobre o assunto.

E não sejamos ingênuos, uma sociedade de exceção não é formada por indivíduos pobres e analfabetos. A violência desta sociedade se encontra no fato de que seus membros têm a completa capacidade de entender a situação, porém, por alguma conveniência nefasta, escolhem acolher esse extermínio nem sempre velado em roca de seus privilégios. O Kaique, a juventude pobre e negra, homossexual ou não, os transexuais, as mulheres “não patriarcais”, os mentalmente incapacitados, os “diferentes” são todos vítimas dessa violência e essa violência é fruto dessa aparente normalidade instaurada e não combatida. Por enquanto.

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2 ideias sobre “Sociedade de Exceção: Violência e Minorias

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