Todo mundo não é qualquer um

Férias, calor, sol e bora lá turistar. Essa biscate que vos escreve está de férias com a família, mas não está imune – infelizmente – às merdas cotidianas. (E dessa vez não estou nem falando daquelas reuniões familiares em que machismo, racismo, homofobia e transfobia são o prato principal)

O que eu ouvi, na Rádio Difusora de Manaus, 96 FM, em algum programa matutino na voz de um “amigo locutor”, na manhã dessa quinta-feira (véspera do meu aniversário: êêê) era mais ou menos assim:

— Vocês sabem que começou o Big Brother né? Lá tem uma moça que é stripper. É, ela tira a roupa, só que na internet. Fiquei sabendo que um amigo dela contou que ela deu um fora no Axl Rose, aquele vocalista dos Gun’s Roses. Pois, é. A moça deu um fora no Axl Rose. Aí, eu fui ver os vídeos dela – por interesse jornalístico né? E pelo que eu vi lá acho muito difícil que ela um dia já tenha dado um fora em alguém.

E isso se repetiu por uns eternos 5 minutos na fala desse locutor. E quando eu e minha mãe comentávamos o absurdo daquelas palavras, não pude deixar de notar um sorrisinho de escárnio do taxista.

bbb

Daí que me lembro sempre dessa (falsa) moral vigente de que “mulher que dá pra todo mundo, dá pra qualquer um”. Não, amigo locutor. As mulheres são livres para dar pra todos que elas escolherem dar. A moça em questão é stripper. Não sei se essa é a atividade profissional dela, ou faz por hobby, ou as duas coisas. E tanto faz. E não me interessa. Aliás, no meu mundo ideal, o que uma mulher faz com seu corpo de livre vontade não deveria ser da conta de ninguém.

Depois disso, amigo locutor, você precisa entender que uma mulher pode ter trepado com um milhão de homens (uou), mas a partir do momento que ela diz não, é não. E que uma mulher — stripper, prostituta, dona de casa, professora, aposentada, biscate ou freira — tem o direito de escolher com quem transar, ou não.

"toda mulher... é meio Leila Diniz"

“toda mulher… é meio Leila Diniz”

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