A primeira casa de swing a gente nunca esquece

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Eu já sabia que havia uma casa de swing na rua de casa. Na.Rua.De.Casa. Walking distance.

Estava casada há quatro anos, mas se nem filme pornô dava para assistir juntos, e transar se tornou o aprimoramento da repetição de 4 etapas apenas, na mesma ordem, com a mesma intensidade… (se já tivessem mostrado a ele o episódio de Friends com os 7 passos para a felicidade…), o que dirá sugerir a ida a uma casa de swing. Jamais, jamais…

Eis que veio a separação, por uma lista de motivos que mal justificam o casamento, ok, mas ela veio com tudo e abriu espaço, pelo menos no começo, para muita liberdade e para que tudo o que não havia acontecido acontecesse, de alguma forma.

Clichê dos clichês, o advogado que cuidaria do divórcio vai em casa para discutir alguns detalhes. E depois que você chora dez minutos no ombro dele, percebe que o perfume é ótimo e que sempre rolou um clima e… depois de quatro anos e pouco, uma transa decente. E uma conversa deliciosa. E “ah sim, vamos combinar algo”…

E uma semana depois, por telefone – há uma casa de swing aí próximo da sua casa, conhece? E eu – não, ainda… (ele) – Vamos? Na quinta? (eu) – E por que não?

Fantasia por fantasia, casa de swing para mim era uma coisa meio norte americana, e eu não conseguiria imaginar o que veria. O que vi. (E o que ainda não saiu das minhas alegres memórias).

Melhor lingerie, vestido sensual, casaco porque fazia um friozinho. Salto alto. Perfume. O advogado chegou a sugerir de deixarmos para lá, mas não… fomos caminhando, copos de plástico com whisky na mão, rindo alto até chegar na portaria. O porteiro, todo simpático, pergunta se queremos uma introdução à casa, que eu descubro ter 4 pavimentos… Apresenta uma antessala em que você, com a chavinha recebida na recepção, deixa sua roupa no armário e fica de roupão. Camisinha grátis. O advogado ficou com 7, eu nem quis porque, afinal, tinha ido só para apreciar. Importante lembrar que a casa tinha todo um calendário – um dia certo para casais e homens sozinhos, outros para casais e mulheres sozinhas, outro somente casais, e outros eventos especiais, tematizados. Outra coisa curiosíssima – os casais pagavam um preço muito pequeno enquanto os sozinhos pagavam quatro vezes esse valor… compreensível, para manter a oferta equilibrada…

No térreo, ficava o bar, com a melhor batata frita da região, segundo relatos coletados no local. Um palco para live performances de sexo explícito a noite toda. Música para fazer um fundinho, e uma turma conversando muito numa boa, uma parte já em seus roupões, e outra ainda em suas roupas. Ah sim, um pouco mais para o fundo, a entrada para uma área com sauna e duchas. .

No subsolo, um labirinto interessantíssimo. Luz negra e paredes com buracos estrategicamente localizados. Um código de conduta facílimo de entender e a possibilidade de amassos desconhecidos e intensos, sem maiores contatos (ou não … ). Devo dizer que é extremamente excitante para uma primeira abordagem… aparência, dimensões e outros critérios pré-estabelecidos desaparecem. Puro prazer e muita, muita fantasia. Mãos, outras mãos, diversas mãos, uma ou outra língua inesperada…

No segundo piso, algo parecido com um “esquenta”. Sofás largos para um pouco de carinhos e chamegos, banheiros (limpos a cada 10, 15 minutos, impecáveis devo relatar) e alguns boxes acolchoados, alguns com poltronas, outros apenas escuros, e uma cortinazinha convidativa para os olhares curiosos. Lembre-se, para privacidade mesmo, só pagando a parte alguns dos poucos quartinhos do local. Mas não é, definitivamente, o caso.

No terceiro piso, uma sala onde rolava a maior suruba que eu já testemunhei. (A única, até o momento). Duas camas que deveriam ter, tranquilamente, 3×3 m. E em cada uma, uns seis casais se pegando. E uma moçada em volta olhando, se inspirando, se divertindo, se masturbando. Era isso que eu buscava. O olhar sem culpa de algo que estava ali, totalmente despido de preconceito (ou não, ainda não tenho certeza), e pura luxúria e desejo no ar. Os casais se alternavam, e o clima era por demais envolvente para quem queria apenas olhar.

Eu me segurei muito, mesmo. Até que de repente cruzei olhares com o negro de sorriso mais lindo desse universo, e cujo pinto era de ator pornô. Sério. Não precisei falar absolutamente nada, e em minutos já era eu no meio daquela cama. Com ele por cima, depois com ele e outro cara. (E sim, eu ainda permanecia com a minha roupa, do jeito que entrei, alguma pequena alteração momentânea…) Pouco depois já havia um terceiro, todo cuidadoso, que me tirou do meio da galera para uma outra cama ali mesmo, menos tumultuada. Fez, em quinze minutos, o que o ex não fez em uma vida.

Um dos caras da cama volta e nisso, o advogado que foi comigo ressurge de algum lugar, e vamos em quatro para um daqueles acolchoados. Transar com outra mulher não me seduziu tanto quanto poder finalmente ter dois caras na minha mao, na minha boca. Foi sensacional.

Parei um pouco; se eu fumasse, teria sido para fumar. Mas não. Foi para pegar uma água e olhar, lá no térreo, o show erótico… não houve nada mais redentor do que essa noite. Uma lista de fantasias realizadas e um contato com um lado meu que não havia. O desejo e a curiosidade deram espaço para o olhar para o outro que ali estava, e confesso, não foi nada convencional. Ou melhor, foi convencional demais. Os casais são na verdade homens e mulheres como eu e o advogado, que se organizam para ir realizar as fantasias. Quando são, de fato, casais, você vê que ou falta muita na intimidade deles, ou já se chegou a um ponto de tamanha cumplicidade que essa troca de parceiros não incomoda.

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Não vi ali ninguém do tipo ‘moderno’. Vi muita gente que está um pouco fora dos padrões de beleza, muita mulher inspirando Botero, acima do peso como eu. Muitos caras para quem você sequer olharia na rua. Baixinhos, esquisitos, nerds. Gente de verdade, disposta a te acompanhar em descobertas interessantes.

Não vi, nem ouvi, e muito menos senti, qualquer tipo de agressão ou insinuação. Terminei a água, pensando em ir para casa, mas aí o sorriso bem dotado da noite ressurgiu e fez com que não sobrasse nenhuma lembrança do que eu tinha sido até a hora de entrar ali.

Leia também: Tudo que você sempre quis saber sobre casas de swing…e nunca teve coragem de perguntar!

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18 ideias sobre “A primeira casa de swing a gente nunca esquece

  1. Eu sempre tive muita vontade de conhecer uma casa dessas, meu namorado é bem tímido, mas tem uma certa curiosidade também O problema é que andei pesquisando algumas aqui na cidade (SP) e nunca encontrei alguma que atraísse de verdade, a maioria tem meio cara de baladona com uns estilos musicais que não curtimos e não me excitam nem um pouco, sei lá, parecem todas meio sem clima. Uma amiga foi uma vez com o namorado e disse que também sentiu isso, que todo mundo ficava meio travado e muito mais preocupados com aparências, salvo algumas exceções. Se alguém souber dar umas dicas eu suuper agradeço.

  2. Postei o link desse texto no fb, e fizeram alguns comentários sobre a suposta “caretice” de casas de swing. Quis entender o que é que estavam chamando de careta. Aí me responderam: muitas regras, muitos códigos. Fiquei matutando. Pois nas relações sexuais (todas) não há regras, não há códigos? Não há um, implicitamente, pode/não pode, não há uma definição de “bater no chão” pra avisar que não tá gostando, que assim não? Acho que sim, e acho mais: que quando não há, devia haver.
    Sexo, como dança, é algo que se faz a dois (ou, como aqui, a vários): como tudo, necessita de combinações, de acertos, implica desacertos e confusões.
    Não é bom, então, que as regras sejam claras e definidas, quando se vai a um lugar onde o objetivo é justamente fazer sexo com gente desconhecida?
    Gostaria de ouvir mais sobre isso.
    E (claro) adorei o texto, Marquesa. 🙂

  3. Texto legal mesmo… Um dos melhores que li sobre o assunto. Tenho batia vontade, mô curiosidade, mas nunca tive oportunidade. Além das casas por aqui serem “distantes”. E na verdade eu tenho um medinho também. Hehe!
    Não sei quais são as regras, mas acho que “coisas” devem ficar claras, então algumas delimitações podem ser até pertinentes (até pra não “chocar” iniciantes).

  4. Eu tambem tenho curiosidade de longa data. Mas minha companheira, de 7 anos, além de bem menos curiosa que eu, nao tem uma libido assim, tão disposta a experiências que não têm garantias de sucesso rs

    Mas não concordo com vc no que diz respeito ao tempo de relacionamento e a decadência da qualidade do sexo. Temos trepadas fenomenais, daquelas que vc fica pensando 3 dias e se excita loucamente a cada nova memória. Nunca imaginei que seria assim pq sou uma ferrenha defensora da poligamia, da nao eternidade do amor. Mas hoje acho que isso nada tem a ver com o tesão. Acho que a cumplicidade nos dá liberdade pra ousar, pra aumentar a força, pra procurar limites. E o tempo tem me mostrado que os tais limites estão longe de serem mapeados…

  5. “Fez, em quinze minutos, o que meu ex marido não fez comigo em uma vida”.

    Como se casamento fosse algo unilateral. Legal, mas separa-se, ir viver e jogar a culpa no relacionamento e no outro é muito lugar comum. devia ter ido com o marido ao Swing antes. rsrsrsrs

    • Então, André, talvez a coisa que ele, marido, não tenha feito, não seja algo especificamente sexual, mas, por exemplo, não abrir espaço pra pensar em ir à casa de swing com ele. E, claro, um relacionamento é via de mão dupla, mas às vezes tem aquele povo que vai e ainda volta na contramão nos deixando meio sem espaço 😉

  6. amei sua coragem e alem do mais a sua disposiçao,a historia foi maravilhosa….mais me responde uma coisa o advogado participou com vc em algo…..desculpa por nao ter colocado o acentu correto pois nao acho a porcaria no meu pc…..kkkk

  7. Sou praticante de Swing a mais ou menos uns 3 anos, comecei indo a primeira vez com a minha primeira esposa, já estou casado pela segunda vez, e a segunda também adora … o Swing com responsabilidade faz muito bem, acaba com a mentira, traição e a lei da vantagem, o casal passa a se respeitar e fazer tudo junto … a relação se torna deliciosa … me apeguei tanto ao Swing que acabei indo trabalhar em um club de Swing, chamado **** localizado em *** … a única coisa que me deixa um pouco chateado, é que a maioria das casas que eram Swing, se tornaram BALADAS LIBERAIS, onde o nome já diz tudo … é tudo LIBERADO, e isso da entendimento que qualquer um pode chegar lá e fazer o que quiser, como por exemplo, a “mulekada” já chega passando a mão na sua mulher e tratam ela como se fosse PUTA … já no Swing existe muito respeito … leia-se Swing dessa forma:

    Liberdade com responsabilidade !

    ***

    Beijos.

  8. meu marido tem curiosidade para conhecer uma casa de swing mais eu tenho muita vergonha , mais ao mesmo tempo quero realisar esse desejo dele . oque faço ? em disse:

    gostaria de estar realisando o desejo do meu marido …

  9. eu nao tinha coragem e um dia que meu marido viajou tomei coragem e fui. coloquei uma peruca pra nao ser reconhecida.
    Lá liberei minhas fantasias, me comportei como uma verdadeira puta, coisa que jamais deixei transparecer. sempre fui pacata, mais tinha esse desejo dentro de mim. pra encurtar a historia, digo a vcs que levei em tudo que foi buraquinho, fiz dp umas 3 vezes, nao sei nem quem era os caras, mas fui chupada de todo jeito e amei ser comida de todo jeito, sai com os bicos dos peitos doendo e os orgaos genitais latejando de tanta que levei, dp e um sempre na boca. delicia demais.

    • Parabéns pela coragem e por ter realizado sua fantasia, sem alterar em nada seu casamento, a grande maioria ainda prefere ficar só criticando e julgando … com um monte de fantasias na cabeça, e alguns/umas com casamento cheio de remendo, vivendo de faz de conta …

      #camisinhasempre

    • Fiquei com mais tesao de ler seu post do que o post principal. Gostaria muito que minha esposa fosse assim tambem, porem quero participar. Parabens pela sua coragem e realizacao da fantasia. Bj na boca.

  10. adoro ouvi e ver relatos de casa de swing sou doido pra visitar uma e leva minha esposa ja pesquisei na interne não vi nenhuma que me intereça aqui no rio minha esposa ainda tem receio em ir conhecer uma casa sou viciado em sacanagem e sexo mais gostaria de te la junto comigo um dia

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