Corpo Coletivo

Corpo coletivo de carnaval

Corpo coletivo de carnaval

“cada um por si não faz um carnaval”

 Acordo, terça-feira, a ressaca no meio da cama, embalando nossos corpos grudados com purpurina e cerveja. A gente se beija ainda dormindo, os restos de cigarro pela casa, o cheiro da bagunça boa de carnaval. Nosso, também, o carnaval junto dos blocos, das fantasias, e de ser quem se é ali, no meio da multidão e de tantos outros corpos. Corpos que se juntam na rua, nas serpentinas, risadas, confetes, e na música alta que nem sempre se ouve. Braços, abraços, suor, saliva, cheiros, gostos. Corpos vivos, corpos que se misturam em prazer.

Encanta-me o corpo coletivo do carnaval. Os encontros no meio da folia, a alegria exacerbada de rasgar-se em outros corpos. A liberdade de poder, simplesmente, se misturar sem pudores, sem padrões, sem reservas. Poder ser mais de um, poder ser muitxs, poder ser nada e tudo ao mesmo tempo.

Claro que não falo da violência mascarada contra as mulheres, que a Renata Lima escreveu aqui, em beijos forçados e agarrações de violência não consentida. Falo do consentimento de seguir as marchas de carnaval dentro e fora da gente. A gente que se embola e rebola querendo e gozando o momento conjunto. Corpos coletivos que se amam sem amanhã, no agora de seguir o fluxo ladeira abaixo, ladeira acima, ruas e salões, passarelas, corredores, vida-vivida no aqui e agora.

Esse é meu prazer de carnaval. Coletivo. Livre. Vivido. Libido, desejo, amizade, beijo, conjunto harmônico e desorganizado da bateria do coração.

E que o ano todo possa ser um pouco carnaval. Que a gente possa ser coletivo sempre que se quiser, e como se quiser. E que o amor e a alegria sejam nossos a cada dia.

 

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