Violências

Nessas ultimas semanas, alguns acontecimentos me fizeram testar minha militância. Ser feminista não é apenas defender amigas que desejam ser defendidas da violência machista. Assim é muito fácil,  ser feminista é defender até quem comete bullying, nos magoa no dia a dia. Tive que auxiliar uma colega de trabalho que sofreu violência machista esse mês,  o curioso foi notar que, apesar de todas as grosserias e de como ela e suas amigas sempre me trataram, eu fui madura para deixar tudo isso pra lá e ajudá-la.

Também foi nesses dias que assisti uma pessoa especial receber grosserias por defender uma familiar de sofrer violência e se envolver com um homem machista e mau caráter. Como lidar com essa situação?  Mulheres que defendem seus agressores,  como mostrar o erro e a dependência dessa relação?  É justo deixar uma mulher sofrer violência por escolha própria?  Isso é livre arbítrio ou é ser conivente com o machismo?

Conseguir defender uma pessoa por quem não tenho carinho nenhum reafirmou minha luta por direitos. Mas, assistir alguem próximo a mim tentar levar um ente querido a cair na real sobre o que sofre e não conseguir, me fez me sentir tão confusa. Forçar, proibir, são essas as atitudes que é preciso tomar. Ou deixo “quebrar a cara sozinha”? Não sou conivente e ruim se fizer? Até que ponto posso intervir? Quantas mulheres, conhecidas e familiares, vejo sofrendo violência caladas. Eu assisto tudo isso e sou tão machista quanto quem fala “em briga de marido e mulher…”? Elas se calam porque elas acham que merecem, ou porque o amam demais, mas eu não deveria me calar. Algumas entram em defesa de seus carrascos, o que só faz reafirmar o poder que eles têm sobre elas, aumentando a violência,  em muitos casos.

Não consigo me sentir bem quando estou de pés e mãos atadas. Se não há como provar a violência machista como eu reajo ao que assisto e que me contam? Queria falar “estou te forçando a largar esse homem que apenas te faz mal”. Ou “seu marido não tem direito de te prender aqui, mas eu tenho o direito de te tirar daqui a força! ”

E é mais um dia de preocupação com essa mulher que recusou ajuda e ainda maltratou quem estendeu a mão. É também mais um dia em que afirmo a certeza de amigas e familiares que vivem um romance com um “príncipe” que apenas tem medo de perdê-la. É também mais um dia em que vejo uma mulher que enfrentou a violência que sofreu e seguiu adiante, me agradeceu pela ajuda. Sonho com o dia em que todas as mulheres se revoltem contra homens que tentam ter relações abusivas e machistas com elas. Qualquer relação,  desde pai e filha, mãe e filho até namorada e namorado,  ou qualquer outra relação que for.

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