Se eu for embora?

Now there’s gravel in our voices
Glass is shattered from the fight
In this tug of war, you’ll always win
Even when I’m right
‘Cause you feed me fables from your hand
With violent words and empty threats
And it’s sick that all these battles

                                                          Rihanna – Love The Way You Lie

Aprendi, com um relacionamento meu e com alguns relacionamentos de conhecidas minhas, que certos homens não sabem lidar com a separação tão bem. Não estou falando do medo de perder, nem da fossa, nem da tristeza ou da vontade de se afastar para não sofrer que muitos homens e muitas mulheres sentem; falo daquela sensação machista que muitos homens têm de que SUAS (pronome possessivo) companheiras são posse e só podem ir quando eles desejam uma nova namorada/esposa/noiva.
Eu sofri com isso no meu primeiro namoro, onde eu sofria humilhação, era maltratada, mas não podia deixá-lo, afinal, ELE escolhia quando iria me abandonar. Quando decidi ir embora, fui com medo, fui perseguida, perdi minha paz. Falo por mim, eu consegui tomar a decisão de ir embora. Largar de um homem assim é difícil, algumas querem mas não conseguem. Têm filhxs, trabalham junto com ele, as ameaças de ¨tirar xs filhxs¨ou de ¨destruir sua profissão¨.
A violência, em muitos casos, não é física, então não é fácil de enxergar, se estamos de fora, alguns homens parecem homens acima de qualquer suspeita, companheiros, que apoiam o emprego de suas companheiras. Muitos são “perfeitos cavalheiros”, quando a companheira decide brigar, gritar e mandá-lo embora, aparecem com presentes, cartões carinhosos, mensagens no ZapZap, pedindo pra voltar, que não vivem sem elas. Exato, não vivem, então preferem morrer e matar a viver sem ela, ou ela viver com outro!

Vá embora!

Vá embora!

Me assusta muito isso, me pergunto como estive com uma pessoa tão doentia no passado. Vejo mulheres que passaram por isso, independente de lutas por direitos das mulheres, quando é com a gente, o buraco é mais embaixo. Dói, nos sentimos culpadas pelos acessos de raiva, pela brutalidade. O medo só cresce, a vergonha de “causar” isso em um homem também cresce. Mas, entendam, minhas queridas, a culpa não é nossa. Somos vítimas, vítimas de seres com uma doença social chamada machismo.
Ninguém é obrigadx a ficar com ninguém, somos livres para ir e vir. Amar e estar junto é ser companheirx sem cobrar a presença eterna dx outrx em sua vida. Amar é deixar ir quando x outrx quiser ir, por mais que doa, por mais que machuque a falta, sabemos que é uma dor que passa, uma falta que pode ser preenchida por outra pessoa. Sem perseguição, sem medo de ir embora. Que seja bom, que você lembre com carinho do passado, não que se pense no alívio de partir!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *