Toque e Retorquir…

Poucas vezes o calor foi tão infernal. O da alma, evidentemente. Nas cobertas, já desfeitas, já descobertas, já jogadas, os restos de suor. Do calor. Do inevitável calor. E como acordar sem antes rememorar? O relógio insiste em tocar, um galo moderno com som irritante. Mas os olhos cerrados fazem companhia para o corpo. Quente, aquecido, saudável. Úmido.

masturbacao-destacada-620-3Não há como distinguir o sonho da vontade. A vontade do calor. O calor, dos corpos. Ainda que sozinha, ela está ali, entre pensamentos que passam entre pernas, coxas e inevitáveis toques, maliciosos, quase todos. O calor no quarto vem da janela, entreaberta. O sol da manhã. O calor do quarto, na verdade, é o do corpo. E ela quase que sorri, ainda presa aos sonhos. Ao calor. À vontade.

Ela se deixa tocar. Já sabe e se reconhece acordada. Aquele calor no quarto. E na alma. No primeiro toque reconhece a vontade, a vontade dela. A cadência dos toques reconhece movimentos que ela já experimentara durante a noite quente. Um toque impreciso, mas preciso, direto e ela quer. Quer para saciar, para ter, para abraçar. O calor. E o relógio dizendo sete da manhã. A janela, o sol. O calor. Ela já sabe que não poderá fugir daquele calor. Da alma. Do corpo. Dela. Só dela. E ela se toca, toques que ela quer de outros dedos, de outro corpo, de outro olhar. Quente, aquecido. Saudável. Bela, se sente bem. E sorri.

As cobertas e agora, as roupas de dormir. No canto da cama. Testemunhas que pelo calor reconhecem a razão de estarem molhadas. E jogadas. O relógio desistiu de incomodar. Não importam mais horas, minutos ou segundos. Era ela e com ela, dela. A manhã quente no quarto tomava conta de tudo, quase tudo. O corpo. O calor. A vontade. O calor, sempre este calor. Da alma. E num instante ela fecha os olhos, sente o corpo, sente os pelos pularem de arrepio e sente tudo o que queria. O desejo. A vontade. Olhos cerrados, boca entreaberta. E como um beijo, um sonho, um toque. Como o sexo. Como os corpos que falam. Bela, se sente bem. E acorda.

A cama, as cobertas, as roupas de dormir. O resto do suor. O cheiro de corpos. O gosto de tudo. O relógio. Enquanto a água do chuveiro escorria, ela pensava no resto do dia. Sabia o que era aquele calor da manhã. Desperta, viva. Deliciosamente quente. Outro dia começara e ela já estava bela. E pronta. “Bom dia”.

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