Dia desses eu casei…

Pois é, dia desses eu casei.

Pelo menos é o que quase agora, quando olhei meu perfil antes de começar a escrever esse texto, ainda me confirmava o facebook.

Não teve festa, e portanto também não teve aviso ou convite aos familiares e amigxs de ambos acerca de nossas intenções em contrair núpcias (desculpem, mas pelo bem da zoeira, eu tive que escrever isso).

Também nem sei se posso dizer que tenha havido algo que possa chamar de intenção. Antes de. Apenas mudei o meu “status social” durante uma “discussão” inbox acerca de relacionamentos e suas nomenclaturas e de como as pessoas, incluindo nós, reagem a esse ou aquele termo.

E daí o moço, com o qual eu vinha mantendo um tal de “relacionamento sério”, leitor assíduo desse site e que também já escreveu por essas bandas como convidado, mudou o “status” dele em resposta. Acho que porque seria bem indelicado não aceitar pedido tão singelo duma pessoa legal como eu (né, bubuio?).

Enfim, sei que acordei no dia seguinte e me passou pela cabeça que assim como nas “redes sociais” também é na tal da “vida real”. Relacionamentos começam e acabam com um simples gesto. Um toque. Um detalhe. Que não existe garantia nenhuma. Mas que talvez tivesse sido muito irresponsável da minha parte aumentar o âmbito das cobranças de determinados papéis para pessoas como eu. Ou como ele.

Ou algo assim. Hoje acho apenas que eu estava bêbada e quis uma coisa meio Las Vegas-contemporânea-virtual, sei lá… cada um que conte a sua história e faça suas considerações sobre o acontecido… nesse texto, por hora, eu posso e quero contar essa versão. Que podia ser completamente diferente. Também poderia sequer mencionar o assunto.

Por pensar desse jeito foi que fiquei realmente surpresa quando recebi os parabéns dalgumas colegas de trabalho. Mais surpresa ainda quando uma delas, mulher que intitula-se como “senhora casada, séria e respeitável” (rogai por mim, Kátia, a cega) me afirmou que se eu precisasse de “conselhos” sobre a “vida de casada” (isso morde?) podia contar com ela. Fiz uma pergunta acerca da posição sexual conhecida pelos biscates escreventes nesse club como haraquiri baiano e ela desconversou…

Bom, ela continuava chata. Eu também.

O que me tranquilizou bastante sobre questões acerca de manutenção de identidade e essas coisas que podem (e são) questionadas vez em quando por gente sem noção diante de alguns… digamos… acontecimentos. Como se deixássemos de ser quem somos individualmente, de um dia para o outro, porque, bom, porque fazemos qualquer coisa considerada como “normatizada” socialmente.

Porque né? Cadê manual de instruções pra viver? E ainda mais especificamente, cadê “normas” para pessoas que são mães, filhas, pais, namorantes, casadas, putas, amigantes, solteiras, amancebadas, tico-tico no fubá, viúvas, separadas, divorciadas, celibatárias (insira aqui qualquer termo que descreva um tipo de convívio que se mantêm em relação a outrem)? Alguém tem? E se for uma coisa e não outra? E se for tudo ao mesmo tempo agora? Cê num sabe de nada, John Snow…

Também tenho me tranquilizado quando acordo e lembro que apesar dessas pessoas, que escolho não conviver além do necessário (já disse que sou chata, oras), já faz algum tempo que comecei a viver (e a vezes contar) uma história bem legal com esse cara que agora se diz (e eu confirmo) meu marido. E ainda assim fico curiosa em como (e se) vou querer continuar fazendo isso. Também porque gosto da resposta que tenho me dado quando o vejo ao meu lado na mesma cama (de casal, de solteiro, no colchão dxs amigxs, no jardim). Quando rimos juntos. Conversamos, conversamos muito. Dividimos o silêncio. Brigamos e fazemos as pazes. Ou apenas quando ligo e escuto sua voz.

Foi para esse cara que há dois dias pedi opinião, para realmente levá-la em consideração, sobre com qual cor pintar a geladeira. Fiquei desconcertada com o amarelo da resposta. Como assim amarelo? Azul não é mais legal, não? Esse tom de amarelo mesmo? Mesmo mesmo? Tem certeza?

Pois é, agora tô eu aqui escrevendo e olhando a geladeira que antecipei à sua chegada e comecei a pintar sozinha, talvez para tentar ver como “lhedar” com a vinda de outras e fortes cores, durante um período de tempo (que me disseram ser maior apenas pelo uso de um termo) nesse meu solitário espaço, construído e decorado nos últimos anos em tons de azuis tranquilizantes e taurinos marrons.

É, casamos, mas ainda não estamos morando na mesma casa.

Ele está em outro Estado, outra cidade e outra casa. Mas espero e desejo que ele chegue logo, porque esses tem sido dias muito chatos desde que nos despedimos há longas e enfadonhas duas semanas. Que chegue de mochila pesada de livros, com o coração leve ou de qualquer outro jeito que possa nos trazer alegrias. Juntos ou separados. Seria perfeito se fosse no primeiro dia do mês que vem, tal qual combinamos. Mas ainda se ele ainda mantiver a coragem danada que tem de viver. Sem desrespeitar a minha.

Porque vai que é como disse uma grande amiga (e eu nunca esqueci)… amar é mesmo isso.

Coragem.

Quem diria, né? Teremos uma geladeira amarela, marido. Ou não.

geladeira 1

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9 ideias sobre “Dia desses eu casei…

  1. Felicidades aos nubentes (desculpem, mas pelo bem da zoeira, eu tive que escrever isso :c).
    ah, minha opinião não foi solicitada, mas eu dou (ops!) assim mesmo.
    Acho o casal fofo.
    A geladeira vai ficar linda.
    Um pouco de amarelo no azul (ouro sobre azul) e alegrar o marrom (minha cor preferida nós últimos dias), resultará magnificamente bem.

  2. Lindo texto. Haraquiri Baiano é tudo de bom. Mas tem que cuidar para não dar torcicolo. Pronto, dei minha dica de Tico tico no fubá.

    • Gabriela,
      eu também não sabia (ou não ligava o nome à pessoa, se é que vc me entende… ).
      Aprendi aqui.
      “E o haraquiri-baiano (a explicação da modalidade baiana desse haraquiri vamos ficar devendo), você se pergunta entusiasmadx, pois lá vai: melhor hora pra fazer é nas preliminares ou já no fim da brincadeira, principalmente se a mulher ainda não gozou. Faz assim: dedos indicador e médio enfiados no ânus e polegar enfiado na vagina; aí massageie como se tivesse fazendo movimento circular localizado do polegar nos outros dois dedos; use a boca com criatividade…Uma dica super importante: nojinho e sexo não combinam nadica. Deu vontade? Prove. Experimente.”

      http://biscatesocialclub.com.br/2013/02/dicas-para-um-carnaval-bem-biscate/

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